Escritor dá dicas para pais de primeira viagem

Renato Kaufmann e a filha Lúcia, de 3 anos
Renato Kaufmann e a filha Lúcia, de 3 anos Foto: Renata Angerami

Virar pai não é tão automático quanto virar mãe. Autor do lançamento Como Nascem os Pais, o jornalista e publicitário Renato Kaufmann dá dicas bem-humoradas de como fazer essa transição.

1) Tenha paciência. Quando acabar, invente mais, tire da cartola, se vira.

Assim como se deve ter (muita) paciência com a grávida, quando a criança nasce você não pode deixar ela dominar e nem reagir, como se ela fosse o seu igual. É preciso achar um meio termo entre a criança invisível e a criança protagonista, de um modo que ela tenha segurança no lugar dela e ao mesmo tempo saiba que ela é a criança da casa.

2) Você não é invisível, só tem essa impressão. Na dúvida, ande pelado para confirmar.

O pai é um cidadão de segunda categoria na gravidez e de terceira categoria depois que a criança nasce. O foco é na criança, na mulher, na família. No hospital, se não te dessem uma pulseirinha azul, ninguém iria reconhecer que você existe ou que teve qualquer participação.

3) Se você acha que trocar fralda é ruim, espere até o desfralde.

Trocar fraldas é detestável – é uma das coisas que se eu pudesse não dividir, não dividiria. Mas fralda é um sistema todo particular, e depois você descobre que ela é o máximo. Quando começa a desfralde, escapa na calcinha… E trocar uma calcinha suja é infinitamente pior do que trocar uma fralda.

4) Não obedeça ninguém senão o pediatra.

Essa é uma lição muito importante – senão a mais importante – que aprendi no cursinho da maternidade. O seu vizinho, a sua mãe, a sua sogra, enfim, todo mundo é cheio de amor para dar. Mas os conhecimentos que eles têm sobre cuidar de uma criança são possivelmente desatualizados.

5) Ao contrário do que reza a lenda, sogros servem para muitas coisas.

Sogros e sogras podem ser ótimos, como é o caso lá em casa. O convívio com os avós é maravilhoso para a criança e vice- versa, por isso, a relação deve ser a melhor possível. E isso se encaixa na próxima dica.

6) Quanto mais a criança se acostuma com os avós, mais sexo você faz. Não com eles, claro.

Essa é autoexplicativa. Além do convívio saudável com os avós, uma das funções dos seus pais é ficar um pouquinho com a criança para te dar uma folga.

7) Participe, nem que seja à força. Isso tudo passa rápido demais.

O pai pode se sentir meio escanteado, às vezes, pela mãe, que não dá espaço para ele participar. Mas é você que tem de conquistar seu espaço e participar, nem que seja à força. Se vira, dá um jeito. Vale muito a pena.

8) Compre uma máquina de lavar louça e salve seu casamento.

As mulheres ficam deprimidas com uma pilha de louça para lavar, e vocês vão acabar brigando por causa disso. Comprar uma máquina de lavar é um grande avanço. Se puder ter empregada em casa, não economize. Quando se tem criança em casa, os afazeres domésticos se multiplicam.

9) Choro não é argumento.

Isso vale para bebês e esposas. A criança tem de aprender desde cedo que não adianta chorar, chorando você não ganha nada. Se for menina, mais ainda. Vale para todas as idades.

10) Preste atenção: 90% das bugigangas infantis que parecem essenciais são inúteis.

O mercado oferece tantos objetos que parecem essenciais, mas, na verdade, a maioria você acaba nem usando. Carrinho de bebê, por exemplo, quanto menor e mais portátil, melhor. Nada pior que entrar com carrinho “trambolhão” em restaurante.

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