Especialista em varejo:a cartilha de negócios de Carmen Ferrão

Carmen inicia na semana que vem a quarta edição do Pompéia Fashion Week e conta a Donna os segredos que aprendeu na carreira

Foto: Diego Vara

Na próxima semana, a quarta edição do Pompéia Fashion Week vai colorir o centro de Porto Alegre. O comando desta festa da moda está nas mãos de Carmen Ferrão, empresária nascida há 54 anos em Camaquã, que dirige hoje uma das redes varejistas mais lembradas pelos gaúchos. Carmen tem papel fundamental no reposicionamento estratégico da Pompéia e na evolução da marca como conceito Fast Fashion. Especialista em varejo, viajou o mundo para entender a relação do mercado com o cliente, assunto sobre o qual tem um infinito repertório para ensinar.

Outros tempos

Quando iniciei na empresa, em 1984, uma das coisas que mais me chamava a atenção era que os clientes pediam para que os empacotadores escondessem o nome da loja.
Aquilo era uma agressão para mim. O que estavam nos dizendo é que a gente precisava – e precisa sempre – ter orgulho da nossa marca.

Novos horizontes

De cinco em cinco anos, fazemos uma revisão de planejamento estratégico. Está tudo programado até 2015, com três formatos diferentes de loja: compactas, para cidades pequenas, com até 30 mil habitantes; lojas de 600 metros quadrados, as chamadas
tradicionais, para cidades em torno de 200 mil habitantes; e lojas em shoppings centers. Inauguramos a primeira em Canoas, no ano passado. Até 2015, a meta é chegar a 100 unidades.

Aqui é diferente

O Rio Grande do Sul tem um mercado distinto de outros Estados do país. Mapeamos o Brasil e vimos que o interior do Estado concentra um consumo imenso, diferentemente de outros lugares onde o consumo de resume à capital e à região metropolitana.
A mulher gaúcha dá muito mais importância ao fato de andar bem vestida. Existe uma certa competitividade feminina aqui no Sul para ver quem está mais bacana.

Estilo de venda

Cada região do Estado tem um estilo diferente de comprar. O cliente de Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha e Garibaldi, por exemplo, precisa ter confiança no vendedor e na marca. Inclusive, ele gosta de ter o seu próprio vendedor, que conhece
pelo nome. Os consumidores da Grande Porto Alegre não são fiéis a uma loja específica, pois circulam muito. Já o cliente da loja do centro da cidade é o maior consumidor dessa cultura denominada Fast Fashion. Não compra grandes volumes, mas compra com muita frequência.

Cliente exigente

A classe média teve uma ascensão muito grande ao consumo, e este consumidor é superexigente. Ele se informa, dá palpite, não tem mais nenhum constrangimento. Discute a moda com o vendedor, entende do assunto. E busca preço, qualidade, uma loja bacana e um layout atualizado.

Informação na web

Eu sou copiada no sistema Fale Conosco do site. E percebo o quanto o cliente pesquisa antes de comprar. Ele não compra tanto pela internet, mas usa a rede para se instruir. Oferecemos uma consultoria virtual de moda, que tem muito acesso. As pessoas sentem necessidade de buscar a informação antes da compra.

Observar é tudo

Minha paixão por loja vem desde pequena. Gosto de observar as pessoas: como se vestem, como se comportam. Moda nada mais é do que o reflexo do comportamento humano. Vou ao Mercado Público, ao Moinhos de Vento, à Cidade Baixa, ao Bom Fim. Circular pelos bairros faz a gente enxergar a cidade como um todo.

Negócio em família

As empresas familiares, quando dão certo, se diferenciam muito das outras. Porque elas têm algo muito forte que é o comprometimento da família. Mudam as famílias, mudam os lugares, mas os assuntos e problemas são muito parecidos em qualquer parte do mundo. Para que uma empresa familiar dê certo, a família tem que se dar bem enquanto família. Se há problemas internos, eles irremediavelmente respingarão nos negócios; se a relação afetiva é saudável, a empresa também será.

Busca do equilíbrio

Equilíbrio é uma palavra que gosto muito. Equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional. Tenho meu tempo para trabalhar, mas também para fazer atividade física, para a análise. Estou apaixonada pelo golfe e todo o contato com a natureza que ele proporciona.

Silêncio, por favor

Depois que perdi meu pai, aprendi a lidar com a finitude, a ver que as coisas são passageiras. A maturidade traz muito isso: observar diferentes maneiras de se viver sem julgamentos preconcebidos. Tenho uma crença muito forte que me leva a rezar, a ler. Gosto dos momentos introspectivos. São fundamentais para mim.

Pretinho básico

Sou conhecida por amar preto. Uso muito. Acho elegante, fácil. Também
gosto muito de terninho – preto de preferência (risos). Deixo a cor para o sapato, ou para a carteira. Meu closet está sempre com os looks montados, incluindo roupa, sapato, bolsa e acessórios. Quando acordo, já está pronto. Meu desafio é descobrir mais as cores, me colorir um pouco mais. Estou começando a ter mais vontade disso.

Mãe e profissional

A maternidade sempre foi algo natural. Trabalhar e ser mãe: nunca tive dúvidas quanto a isso. A profissão é um prazer imenso que nos acompanha para o resto da vida. Sou uma mãe ligada, tenho uma relação muito legal com minhas filhas. São mulheres
que admiro muito e que fazem diferença no nosso convívio.

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