Especialistas dão dicas de o que dizer às crianças quando os pais estão se divorciando

Limites claros são os melhores aliados para uma transição tranquila

Em caso de separação, os pais devem reestabelecer os limites regularmente
Em caso de separação, os pais devem reestabelecer os limites regularmente Foto: Júlio Cordeiro

É difícil encontrar algum pai que não queira sempre colocar o filho em primeiro lugar. Mas em meio à dor e desordem de um divórcio, pode ser fácil esquecer-se disso. Segundo a conselheira familiar Sharon Chapman, da entidade britânica especializada em relações interpessoais Relate, a boa notícia é que o divórcio não necessariamente provoca efeitos negativos a longo prazo nas crianças.

? Acredito que é possível um divórcio ser bom no que diz respeito aos filhos. A curto prazo, não se pode esperar que as crianças fiquem felizes, mas vejo famílias e filhos que, lá na frente, dizem: “Na verdade, está tudo bem agora”.

Para a psicóloga Linda Blair, as crianças também podem impedir que o divórcio se transforme em uma espiral de ressentimentos.

? Divorciar-se quando se tem filhos é mais fácil, de certa maneira, porque a obrigação de ser um bom pai é mais forte do que a raiva. Se você consegue entender que seu papel como pai não está terminando apenas porque seu casamento está, então você tem condições de superar muitos conflitos em relação a quem é dono do que.

Para minimizar o impacto, entretanto, os pais precisam concentrar-se nos filhos durante todo o processo que antecede à separação.

? As crianças se dão conta do que está acontecendo muito antes do que pensamos: se um dos pais passa a trabalhar até mais tarde, se as discussões se tornam mais ásperas ou se um dos dois passou a dormir no quarto de hóspedes ? indica Linda.

Crianças mais novas tendem a se apegar mais, ou a dar sinais de regressão, e praticamente todas podem tornar-se “difíceis” ou apelar em busca de atenção.

? Muitas vezes os pais não relacionam o comportamento de seus filhos com o que está acontecendo na família. É difícil para um adulto ter seu papel de pai desafiado em um momento de extrema vulnerabilidade, assim como ter de estabelecer limites e ser constantemente testado quando tudo o que se querer é parar para respirar.

Tendo isso em mente, o melhor a fazer é tentar conversar imediatamente com as crianças sobre o que está acontecendo. Como isso será formulado depende da idade dos pequenos, mas Sharon Chapman adverte:

? Se você disser coisas como “mamãe e papai não se amam mais”, eles podem pensar que vocês podem deixar de amá-los também ? afirma a conselheira, recomendando ser honesto e específico. ? A principal mensagem transmitida deve ser a de que eles ainda são amados por ambos os pais e ainda fazem parte da vida dos dois. É melhor o casal dar a notícia junto, mas se for preciso fazer isso sozinho, pode ser útil até mesmo ensaiar antes com alguém o que você vai dizer.

Caso tenha havido brigas, hostilidade ou outro problema, algumas crianças podem experimentar uma sensação de alívio, segundo Sharon Chapman. Mas isso também pode levá-las a um sentimento de culpa ? e é preciso deixá-las seguras de que o divórcio não é culpa delas.

Convivendo com a separação
Limites claros são os melhores aliados para uma transição tranquila

:: Ainda que seja ideal que ambos os pais sigam comparecendo a eventos como reuniões escolares ou competições esportivas, tais situações devem ser evitadas caso não seja possível para o casal estar no mesmo recinto sem brigar.

:: Os filhos não podem ter dúvidas a respeito da relação dos pais: por mais tentador que pareça, celebrar um último Natal ou aniversário juntos pode ser perigoso. É preciso deixar bem claro que o papai só está ali para aquela refeição e vai para casa depois, evitando assim que as crianças recaiam em padrões antigos de conduta ou pensem que, se forem bons o bastante, podem fazer os pais voltarem a ficar juntos.

:: Insultar o outro na frente das crianças deve ser evitado a todo e qualquer custo, mesmo ao fim de uma relação abusiva. Demonizar o parceiro é como dizer que metade do seu filho é ruim.

:: Estabeleça o novo esquema da casa o mais breve possível, estipulando novas rotinas para gerar segurança. Se você ou seu parceiro deve ficar com eles todos os sábados, cumpra rigorosamente com o combinado no início, admitindo uma maior flexibilidade apenas com o passar do tempo.

:: Apesar de ser preciso manter o controle, isso não significa esconder suas emoções. Diga o que sente, do contrário, eles apenas ouvirão você chorar por detrás da porta.

:: Também não é preciso fazer tudo sozinho: se as coisas ficarem difíceis, parentes e amigos podem ser convocados, bem como apoio profissional.

:: Finalmente, entenda que o divórcio não é um evento isolado: os pais devem reestabelecer os limites regularmente, em diferentes situações, e checar frequentemente como as crianças estão se sentindo.

? Pode ser uma conversa de cinco minutos, e às vezes fica mais fácil se vocês estiverem fazendo outra coisa, como dirigindo ou passeando com o cachorro ? aconselha Sharon Chapman, acrescentando: ? As coisas sempre melhoram. As pessoas se adaptam.

Fontes: psicóloga Janet Reibstein e conselheira familiar Sharon Chapman

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