Estilista Christian Lacroix promove exposição sobre moda do Oriente Médio

Francês comanda exposição sobre trajes tradicionais da região

Trajes sírios de 1930 estão dispostos junto a 150 vestidos de casamentos e festas em exposição coordenada pelo estilista Christian Lacroix
Trajes sírios de 1930 estão dispostos junto a 150 vestidos de casamentos e festas em exposição coordenada pelo estilista Christian Lacroix Foto: AFP

A imagem da mulher do Oriente Médio vestida de preto por tradição ou religião cai por terra em uma exposição em Paris, onde o estilista Christian Lacroix convida a descobrir o vibrante colorido dos trajes tradicionais dessa região.

A mostra no museu Quai Branly, que abriu as portas nesta terça-feira e vai até o dia 15 de maio, reúne 150 deslumbrantes trajes e ornamentos tradicionais do norte da Síria à península do Sinai, selecionados pelo estilita junto à responsável pelas coleções do Oriente Médio do museu, Hana Chidiac.

? Queremos mostrar que a cor existe. Mas, infelizmente, essas cores, bordados e tradições ancestrais estão em vias de desaparecer, graças à mundialização e ao aumento do fundamentalismo religioso ? disse Lacroix.

O estilista lembrou que algumas de suas coleções de alta-costura se inspiraram nas cores, motivos e bordados tradicionais da região chamada de “crescente fértil”, que compreende os territórios da Síria, Palestina, Líbano, Egito e Jordânia. “Era uma homenagem às mulheres do Oriente Médio, como as que estão em exibição”, disse o estilista.

As peças exibidas na mostra “O Oriente das mulheres visto por Christian Lacroix” pertenceram a camponesas e beduínas da região, e datam em sua maioria do final do século XIX até nossos dias.

Hana Chidiac, que mergulhou nas coleções do museu Branly e em outras coleções particulares em busca de trajes, casacos, jóias e enxovais de noivas aldeãs e beduínas, denunciou que “a religião e a globalização estão acabando” com um maravilhoso patrimônio cultural ancestral.

? A religião e o prêt-à-porter provocaram uma uniformidade na moda ? lamentou, acrescentando que a exibição no Quai Branly “revela o prazer dessas mulheres em vestir e embelezar-se”.

? As camponesas utilizavam algodão, linho, tingiam com anil, bordavam com fios de seda. Cada aldeã se distinguia da outra por seus bordados, suas cores ? disse Chidiac.

Lacroix disse que as artesãs com as quais já trabalhou quase desapareceram das aldeias do Oriente Médio, lembrando que a cor preta “é agora como uma maré, que engole tudo”.

? O preto pode ser uma cor sublime, mas não quando é imposto às mulheres para uniformizá-las, apagá-las ? disse Lacroix. ? Quando o preto não é uma escolha deliberada, é um sinal de obscurantismo ? acrescentou.

O estilista, que deixou as passarelas da semana de alta-costura de Paris em 2009, logo depois de declarar falência, ressaltou que cada uma das peças escolhidas para esta exibição “é uma obra de arte”.

“É o luxo na simplicidade. Algumas levavam meses para serem feitas, inteiramente à mão. Nem mesmo na alta-costura há tantas peças únicas”, disse Lacroix, que continua criando figurinos para ópera e teatro, móveis e ainda colabora com a remodelação de hotéis.

O estilista optou por organizar a exibição como um desfile de alta-costura, que termina com o branco.

? Os últimos trajes são todos brancos, como em um desfile de alta-costura, que conclui sempre com o vestido de noiva ? disse Lacroix.

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