Estilo Próprio: A aventura da criação

Carioca Isabela Capeto conquista clientela eclética com seu estilo de vestir étnico chique

Isabela Capeto em sua última passagem por Porto Alegre para o desfile da loja Maria Helena na Bó
Isabela Capeto em sua última passagem por Porto Alegre para o desfile da loja Maria Helena na Bó Foto: Jefferson Botega

Histórias que vestem pessoas, culturas que adornam roupas. A estilista Isabela Capeto faz de cada peça que cria uma representação do seu universo particular. Alinhavando com a primeira afirmação do texto, Isabela coloca histórias nas suas coleções quando imprime nas roupas uma linguagem lúdica. Também coloca cultura em cada peça, quando garimpa em suas viagens pelo mundo formas, cores e modelagens.

– Me deixo inspirar por museus, lugares, pessoas e não por vitrinas de lojas – conta.

Ela é apontada como criadora de uma moda romântica e por isso feminina. Trabalha os tecidos e bordados de maneira artesanal, ganhando fama de estilista da brasilidade.

Isabela Capeto, 40 anos, é uma designer de moda urbana, para ser vestida na cidade grande, mas surpreende quando busca inspiração em culturas distantes, seja numa peça de um museu no Peru ou uma máscara tribal da África. Empresária que conquista cada vez mais o mercado internacional (está na França, Estados Unidos e Japão, entre outros) consegue ao mesmo tempo manter fortes suas raízes. Um exemplo é que no Rio, sua terra, coloca na rua o Sapucapeto – um bloco de carnaval em parceria com o músico Leandro Sapucahy.

Essas peculiaridades transformam o trabalho em moda sem modismos. Pode ser vestida por Costanza Pascolato aos 70 anos e por uma garota japonesa modernérrima.

– Quando vejo alguém usando minha roupa e se sentindo linda, a expectativa da criação é cumprida – explica.

Isabela Capeto transformou seu nome em grife depois de passagens por marcas como Maria Bonita, Maria Bonita Extra e Lenny. Formada pela Academia de Moda de Florença, tem hoje um negócio em ascensão, licenciando produtos como um perfume para a Granado, sandálias Melissa, filtros de café da Melita e até tecidos que estamparam carros Smart.

Na conversa com a coluna, Isabela esmiuçou um pouco o seu processo criativo, que não segue tendências de bureaus especializados, mas as aventuras vividas por sua criadora.

Estilo Próprio – Qual é a cara da moda Isabela Capeto?
Isabela Capeto –
Uma coisa mais feminina, mais artesanal. Trabalho com muito cuidado a produção, para que tenha um acabamento adequado, um caimento legal. Há uma preocupação em juntar diferentes tipos de estampas, como um forro de um bolso, um botão. Esse diferencial é uma preocupação muito forte em todas coleções.

EP – As etiquetas da sua roupa chamam a atenção para o trabalho artesanal. As pessoas dão valor a esse trabalho único?
Capeto –
Sim, e a gente coloca isso porque são muitos detalhes à mão em cada peça. Na minha equipe, trabalha gente de Brasília, do Rio, de Minas.

EP – Você já se disse contrária a seguir tendências para criar suas coleções. Então, como elas nascem?
Capeto – Sempre que a gente vai fazer uma pesquisa de moda, as pessoas acabam viajando para aqueles mesmos lugares, o circuito Elizabeth Arden (Londres, Paris, Roma e Nova York ) e acho isso uma chatice que não faz sentido. Num mundo tão globalizado, você não precisa mais viajar para buscar essa informação. Por isso, no geral, sempre opto por viajar a um lugar que seja mais inspirador, como Peru, Escandinávia… Mas também não é uma viagem de ficar indo em loja. Gosto de ir aos museus, observar, sempre buscando outras referências.

EP – Você estudou moda para criar sua própria marca?
Capeto – Não tinha o sonho de fazer a minha marca, sabia? Não era uma coisa planejada, uma marca com o meu nome. Foi algo que foi acontecendo. Fiz a minha marca mais como uma necessidade de mostrar minhas coisas, de como eu queria que elas fossem feitas. Foi por isso, e porque também queria montar uma empresa que fosse mais humanizada, num clima de uma grande família. Queria que as pessoas trabalhassem juntas e se relacionassem bem.

EP – Por que você é contra seguir tendências para criar coleções?
Capeto – Acho que essa coisa de seguir tendências é muito limitada, muito fora de moda, sobretudo nesse mundo globalizado, com internet. Não dá mais para a gente acreditar que uma tendência vai durar uma estação inteira.

EP – Nem o público procura sempre isso.
Capeto – Além do mais, as pessoas procuram mais liberdade para colocar as roupas que elas querem. Uma mais magra, uma mais gorda, uma mais alta. As pessoas querem usar o que gostam. Hoje em dia não tem mais esta ditadura de que “tem que andar com tal modelo de saia”.

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