Estilo Próprio: Quer ser bela? Seja única

Conheça o trabalho da hairstylist francesa Laetitia Guenaou

Laetitia Guenaou corre o mundo ensinando técnicas de hairstyle
Laetitia Guenaou corre o mundo ensinando técnicas de hairstyle Foto: Renato Bairros

A fórmula do título desta matéria vem de uma especialista internacional. Laetitica Guenaou é hairstylist, estilista de cabelos, ou em português mais claro: cabeleireira. A francesa corre o mundo ensinando técnicas, de uma simples tintura ou corte, até efeitos e apliques que transformam penteados em instalações artísticas.

Há o lado performático, para exibir o repertório profissional, mas como boa representante da terra da elegância, Laetitia prega a harmonia entre tradição e contemporaneidade. No início da semana, a embaixadora da L’Oréal esteve em Porto Alegre exclusivamente para concluir a formação de profissionais dos salões Mirage. Dona de um site de ensino à distância, frequentemente requisitada para trabalhar em produções de época para o cinema, Laetitia comentou com a coluna o estilo da mulher latino americana. Ela admira a sensualidade das brasileiras, mas faz uma alerta: 

– As brasileiras são todas muito parecidas.

É preciso ser mais original, sugere.

Veja como a francesa ensina a ser única.

Estilo Próprio – No mercado de beleza, há um grande investimento nas maquiagens, quase um excesso. Você acredita que os cabelos vão chegar neste nível?

Laetitia Guenaou – Podemos pegar o exemplo das mulheres na Europa. As europeias estão maquiando muito o cabelo. Elas colorem, pintam o cabelo, com duas, três tonalidades diferentes. Tivemos este período na Europa, de maquiar muito o rosto, mas hoje nos tornamos muito mais naturais, mas usamos mais efeitos e acessórios de cores nos cabelos.

EP – No Brasil, onde a maior parte das mulheres busca cabelos longos e lisos, será que isso pega?

Laetitia – Acho que isso chegará aqui. Mas é verdade que, no Brasil, as mulheres usam cores mais únicas, sem muita fantasia.

EP – E qual a sua fantasia do momento? Com o que você está gostando de “brincar” na sua profissão?

Laetitia – Amo os diferentes materiais, de misturar e compor seus efeitos. Como os cabelos mais retos, com cabelos que se parecem de algodão. Também adoro sobrepor cores, como camadas de cores claras, com camadas de cores chocolate e dourado. Mas só quando o cabelo se move, balança, elas aparecem. Não falo de mechas marcadas, estas não!

EP – Isso já foi moda, as mechas bem marcadas, como listras…

Laetitia – Antes sim, mas agora isso é beeem passado (risos). Hoje se parte de uma cor mais natural, na raiz, até chegar a um dégradé mais claro nas pontas.

EP – Viajando tanto por diferentes países, você tem condições de classificar as mulheres e seus estilos em determinadas regiões?

Laetitia – As mulheres do leste europeu, como as russas, as tchecas, são um pouco “Barbies” (boneca). As europeias, as francesas principalmente, misturam o clássico e o moderno, sempre em doses certas, algo mais natural a outra coisa mais sofisticada. Mas nunca, é importante apontar, a francesa nunca cai para a vulgaridade. Elas são, acima de tudo, minimalistas, uma imagem Saint Laurent, Dior.

EP – E as brasileiras, como você descreve o estilo delas?

Laetitia – Na América Latina, as brasileiras, por exemplo, estão na cultura do corpo. Elas querem um corpo escultural, perfeito. Usam maquiagem um pouco forte e são minimalista nos cabelos. Mas gosto, assim como das italianas, que são mulheres glamourosas, seduzindo todo o tempo. Tudo que é feminino encontramos na brasileira.

EP – Cabelos presos estão mesmo de volta?

Laetitia – Na Europa também. Os penteados para festas estão em alta. Amo os mais femininos e doces. Eles precisam ser harmoniosos.

EP – Você acha que o Brasil dita moda?

Laetitia – Participei de uma reflexão, recentemente, sobre quais serão os países que ditarão moda. Tínhamos que apontar três países. Apontei Brasil, Índia e Japão. O Brasil, talvez pela mistura de raças, tem grandes artistas. Como viajo muito, vejo a evolução criativa do Brasil.

EP – O que falta às brasileiras? Você trocaria algo no estilo delas?

Laetitia – Falta uma identidade única, elas me dão a impressão que são todas muito parecidas, não tem identidade, personalidade. O trabalho de um cabeleireiro é de observar e olhar. Isso é a primeira coisa que fazemos ao chegar a um local: olhar o que está acontecendo, ver o que nos chama atenção e o que nos incomoda. O que incomoda nas mulheres brasileiras é que elas são todas semelhantes.

EP – Há poucos anos, tínhamos que escolher os tipos de xampu e condicionador. Hoje há creme, pomada, spray, cera para tudo. Como devemos fazer a escolha dos produtos?

Laetitia – Cabe ao cabeleireiro. É ele quem deve orientar sobre os produtos.

EP – Qual o segredo da elegância das mulheres francesas? É algum elixir que vem na água ou fórmula mágica (risos)?

Laetitia – Nada mal sua ideia…

EP – Ah, vai me dizer que vem do vinho, da manteiga e do pão?

Laetitia – Muito bom (risos) … As francesas são educadas pelos grandes costureiros. Temos a sorte, seja na moda ou gastronomia, de termos grandes chefs, cabeleireiros e estilistas, como Saint Laurent, Dior, Chanel, que são referência na educação francesa.

EP – Existem erros imperdoáveis de estilo?

Laetitia – Para mim, imperdoável é ir contra ao que a natureza nos deu. Quem é loira e querer ser morena. Ou uma mulher de 40 anos que quer parecer ter20 anos. Sou contra isso. Ser crespa e querer ser lisa, não é um problema. O que é grave é uma mulher de característica muito forte, como uma africana ou asiática querer ser loira. O que pode é clarear o cabelo em dois ou três tons, isso fica bonito. Mas nunca querer ser uma russa se você é uma espanhola!

EP – É uma procura pelos pontos forte e marcantes de cada um…

Laetitia – A mensagem que quero passar é que todos que trabalham com moda, você escrevendo, eu no meu trabalho e assim por diante, temos a responsabilidade de ensinar as mulheres a se aceitarem e deixarem de querer parecer outra pessoa. Elas não devem querer ser uma Sharon Stone, uma Sophia Loren, porque todas as mulheres são únicas. Todas as pessoas da cadeia da moda estão nela para ensinar as mulheres, cada um na sua área, a compor da melhor maneira o que elas são. Se somos uma pessoa, mas querendo se parecer com outra, nunca estaremos felizes.

Em alta
:: Investir em seus pontos altos
:: Atenuar em dois ou três tons a cor
:: Penteados e cabelos presos para festas

Em baixa 
:: Mechas marcadas, como listras.
:: Lavar os cabelos todos os dias.
:: Mudar radicalmente cores de cabelo.

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