Estilo Próprio: Uma designer de múltiplas plataformas

Artista paulista Catarina Gushiken começou cedo a experimentar seu trabalho criativo

Modelo da coleção da Urussai, grife de Catarina Gushiken
Modelo da coleção da Urussai, grife de Catarina Gushiken Foto: Divulgação

Catarina Gushiken começou cedo a experimentar seu trabalho criativo em diversas plataformas. Para criativos dos tempos modernos é difícil ser rotulado com uma só função: designer, estilista, ilustrador, pintor, cada título depende de uma fase do trabalho. A paulistana Catarina, 28 anos, já nasceu com esse princípio. Aos 16 anos, era assistente de arte da revista Show Bizz. Aos 17, entrava firme no mercado de moda como estagiária de estilo da Cavalera, marca que veio a dar projeção à jovem estilista e onde ficou por sete anos.

Na fase atual, ela é artista. Abriu seu próprio estúdio em São Paulo. Dá aulas. Desenha, pinta, estampa, modela… cria. Mantém a marca Urussai e ainda desenvolve uma linha de objetos e móveis.

É com esse currículo que ela desembarca em Porto Alegre no próximo mês. Catarina Gushiken é um dos destaques da programação do Pixel Show (10 e 11 de abril, na Usina do Gasômetro), um evento que reúne profissionais de design, artes gráficas e tecnologia para uma série de palestras e oficinas. Antes do desembarque no Sul, Catarina conversou com a coluna.

Estilo Próprio – Sua carreira na moda começou cedo, aos 17 anos. Tinha noção naquela época de como você viveria esse mercado?

Catarina Gushiken –
Acredito que muitos donos de empresas de moda e designers também não tinham ideia da proporção que tomaria o mercado de moda brasileiro há 11 anos. Com 17 anos, me deixei levar pelos meus sonhos e tive que superar muitas críticas, mas hoje todos sabemos que é um mercado promissor que movimenta a economia e gera muitos empregos.

EP – Seu estúdio existe há quantos anos e que tipo de trabalho vocês desenvolvem?

Catarina – Meu estúdio existe há três anos e aqui desenvolvo projetos de ilustração, artes plásticas, dou aulas de ilustração e tenho uma linha de objetos e móveis. Aqui também funciona o escritório da minha marca, a Urussai.

EP – Qual foi o seu papel na identidade da marca Cavalera?

Catarina – Foi tão importante quanto o papel que a Cavalera teve na minha formação. Comecei quando a Cavalera não participava da SPFW e nem possuía peças femininas e jeans na coleção. O carro-chefe da marca eram as camisetas masculinas. Dediquei sete anos totalmente para a marca e conquistamos muitas coisas.

EP – Mesmo nos anos da Cavalera, você mantinha outra produção de trabalhos gráficos ou pinturas?

Catarina – Sempre me dediquei à ilustração e à pintura, mas como estava muito envolvida no desenvolvimento das coleções e desfiles da marca não tinha como divulgar meu trabalho pessoal.

EP – Numa época em que se banalizaram tanto as tendências de moda e que a autenticidade é a bola da vez, como você avalia o mercado de moda?

Catarina – Estamos em um excelente momento, pois as expectativas sempre são maiores a cada coleção e isso faz com que a pesquisa e o conteúdo apresentados pelos designers evoluam. No Brasil, o mercado está se profissionalizando, e muitos jovens têm escolhido moda como profissão. Isso impulsiona o mercado e faz com que o nível dos trabalhos aumente. Digo isso pela experiência que tenho com minhas alunas de moda, que não se satisfazem em montar um portifólio apenas com croquis e desenhos técnicos, mas desenvolvem verdadeiras imagens de moda ilustradas com projetos até de estamparia. Fico feliz quando percebo uma movimentação que impulsiona a qualidade do trabalho no nosso país.

EP – E como um criativo (estilista, designer) deve se posicionar nesse mercado atual?

Catarina – Deve exigir cada vez mais de si. Saber divulgar seus trabalhos e criar uma boa rede de relacionamentos. Moda não é apenas fantasia e criação, mas, sobretudo, business. E é aí que um criador pode se diferenciar nesse momento, unindo a criação à realidade de mercado.

EP – Qual é o seu trabalho preferido e qual você preferiria esquecer?

Catarina – Não consigo escolher o que esqueceria, pois todos são importantes, mas ter feito o painel de 26 metros, ao vivo, para a C&A na SPFW foi um momento de muita visibilidade na minha carreira.

EP – Você procura inspirações em outros trabalhos artísticos? Onde você se abastece de referências?

Catarina – Sim, amo a cultura oriental, adoro os grafismos japoneses. Sempre estudo detalhes de porcelanas, quimonos e ilustrações antigas japonesas, mas adoro estudar anatomia humana, sempre com um olhar de desconstrução. A música e o movimento das coisas da natureza também me emocionam e me inspiram muito.

EP – Qual é a sua relação como consumidora com o mercado de moda?

Catarina – Nada compulsiva e muito vintage. Adoro comprar roupas antigas e reformá-las.

EP – Como designer, estilista, artista, pode citar alguns trabalhos interessantes que você tem visto recentemente?

Catarina –Adoro o trabalho da artista Julie Verhoven!

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