Estudo compara a importância e a frequência do sexo nos casamentos de hoje e do passado

Peter N. Stearns lançou livro sobre o assunto

Elas se dizem, no entanto, satisfeitas com a vida sexual
Elas se dizem, no entanto, satisfeitas com a vida sexual Foto: Stock Photos, Divulgação

Em entrevista ao Donna, Peter N. Stearns, professor de História na Universidade George Mason, nos Estados Unidos, e autor de História da Sexualidade, recém-lançado no Brasil pela editora Contexto, compara a importância e a frequência do sexo nos casamentos de hoje e do passado.

Donna – O sexo é considerado hoje parte essencial do relacionamento e indicativo de qualidade de vida. O senhor acredita que as pessoas hoje dão mais importância ao sexo do que em épocas passadas?
Peter Stearns – Não há dúvida de que, na maioria das sociedades, a importância do sexo aumentou – tendo mais ênfase (em relação a fatores econômicos, por exemplo) no que caracteriza um relacionamento e mais ainda na cultura de muitos países. Pode-se presumir que sexo sempre foi importante para a maioria dos casais: no que diz respeito ao êxito de um casamento, a procriação bem-sucedida era o critério-chave da atividade sexual, embora muitas culturas recomendavam também o prazer, como o islamismo. No entanto, os casamentos eram usualmente baseados em critérios econômicos (propriedade e capacidade de trabalho), e não em compatibilidade sexual.

Donna – Muitas pessoas se queixam de que falta tempo e ânimo para o sexo na correria da vida contemporânea. Em comparação às condições de vida no passado, como o senhor avalia essa questão?
Stearns – Não vejo evidências de que a frequência sexual no casamento tenha diminuído – ao contrário, a despeito da  agenda de trabalho. As pessoas têm hoje melhor saúde e há mais ênfase no sexo: um exemplo claro são os esforços para que pessoas mais velhas possam manter a atividade sexual, com o uso de medicamentos. Mas as expectativas muitas vezes ultrapassam a realidade, então muitas pessoas se preocupam quando os índices de atividade sexual caem à medida que o casamento e a idade avançam. Essas expectativas provavelmente cresceram mais rápido do que os índices de atividade sexual.

Donna – No passado, era comum que famílias de trabalhadores dividissem o mesmo quarto, sem privacidade sequer para o sexo – situação ainda comum em famílias de baixa renda. Hoje, muitos casais dispõem de privacidade, mas na companhia da TV, do computador e do celular no quarto. Como o senhor compara essas duas
situações?
Stearns – Boa pergunta. Obviamente, muitas pessoas no passado conduziam sua atividade sexual mesmo com as crianças presentes no quarto. Mas há certamente muitas distrações modernas, e elas podem interferir mais do que as crianças podiam. É sempre interessante perceber que, durante as quedas de energia, aumenta a atividade sexual.

Estes depoimentos foram enviados anonimamente para o caderno Donna via site.

“Sou casado há 14 anos. Com o passar do tempo, a frequência e a qualidade das relações sexuais têm se alterado profundamente. Além dos problemas naturais que
as pessoas têm como trabalho e compromissos, percebo uma acomodação e um desinteresse de minha parceira. Conversamos muito sobre isso e até já fizemos
terapia, mas nada mudou. Isso me afeta muito, até transtornos de autoestima já tive. Hoje estou mais conformado, porém nossa frequência chega em alguns
momentos a ser de duas vezes ao mês, e isto é pouco para mim. As razões que a esposa relata são, em geral, o cansaço da rotina de trabalho e estudo, mas principalmente, a falta de desejo. Cheguei à conclusão de  que o sexo é para mim comoum remédio contra o estresse, já, para ela, o estresse é o maior inimigo da vida sexual, sendo esta a razão da nossa assimetria nos desejos sexuais. Compreendo que a frequência sexual só será problema se as necessidades forem diferentes entre o casal, senão, viverão felizes mesmo que sem sexo.”
Alexandre, 43 anos, funcionário público

“Que bom saber que não sou a única a ter angústia por isso. Sou casada há menos de um ano e me sinto “pressionada” pelas amigas mais velhas a ter uma vida sexual superintensa! E fico pensando “Será que eu devia estar transando mais?”. Eu e meu marido somos professores, trabalhamos 40 horas, revezando entre os três turnos. Ele viaja pelo interior do Estado duas vezes por semana. Ou seja: em alguns dias, quase não nos vemos. Ao longo da semana, com tudo de trabalho e compromissos que assumimos, o sexo, infelizmente, acaba ficando em segundo, terceiro plano… Normalmente transamos duas vezes por semana. Obviamente: sábado e domingo. Ambos nos “culpamos” por isso, mas a culpa é do cansaço!”
Lucia, 24 anos, professora

“Sexo no casamento é realmente uma sorte, porque rotina, trabalho, casa, filhos e contas a pagar atrapalham tudo. Namoro é fase de conhecimento, em que tudo é novidade. Estou casada há apenas seis meses e  transo no máximo uma vez por semana com meu marido, e isso me incomoda demais. Tento de várias formas deixar isso transparecer, mas parece que não me faço entender e que as minhas necessidades não são saudáveis e vitais.”
Caroline, 34 anos, advogada

“Sou casada há 23 anos e sempre tivemos fases, às vezes de muito sexo, outras de menos frequência. No momento estamos transando uma vez por semana ou até menos. Cansaço, correria, outros compromissos, tudo parece ocupar o primeiro lugar na lista do que fazer. Estou preocupada com essa baixa frequência. Parece que quanto menos você transa menos quer, ou também parece que perdemos o jeito. Tenho lido sobre o assunto mas não encontrei o que realmente me ajudasse.  Fico pensando se com outros casais isso também acontece e que maneiras encontram para mudar.”
Cristiane, 45 anos, secretária

“Sou casado há dois anos. Certamente, eu teria vontade de ter relações diariamente, mas essa frequência não passa de uma a duas vezes por semana. Muitas vezes, eu mesmo sou o culpado, por cansaço, estresse ou até mesmo preguiça. Além da frequência, há nitidamente um decréscimo da qualidade, especialmente em relação a variações sexuais, aventuras, sensações e experiências. Mas a mulher tende a ditar a vida sexual do casal, e  esta é muito influenciada pela gravidez e pela maternidade e pela própria de sensibilidade emocional feminina. A maioria dos meus amigos casados gostaria de uma frequência maior e especialmente de uma melhora na qualidade da relação. A grande maioria consegue fazer um balanceamento de satisfação com a estabilidade e os filhos. Alguns ainda buscam fora do casamento a satisfação sexual, muito parecido com gerações passadas, às vezes com a  conivência silenciosa das esposas, prova de que em alguns pontos não evoluímos muito dos nossos avós.”
João, 38 anos, cirurgião plástico

“Sou casada há dois anos e ultimamente tenho tempo e disposição pra transar mais nos finais de semana – quando acontece durante a semana não passa de uma vez. Sinceramente, acho pouco, até sinto necessidade de transar mais vezes, porém tem vários fatores para que isso não ocorra: trabalho e estudo, chego  tarde, faço janta, lavo roupa e, quando deito, caio no sono rapidinho. Outro fator é o companheiro querer ir direto pra hora H, sem preliminares, isso tira a vontade completamente.”
Márcia, 33 anos, assistente administrativo

“Eu me preocupo bastante com a qualidade e a quantidade do sexo. Nossa frequência é no mínimo duas vezes por semana… Nossa rotina é bem corrida, pois meu  marido tem dois empregos, sai de casa às 8h da manhã, volta pro almoço, leva as crianças na escola, sai novamente pra trabalhar às 14h e só retorna à meia-noite. Eu estudo pela manhã, trabalho à tarde, busco os filhos na escola às 17h e cuido deles até meu marido chegar. Brincamos um pouco todos juntos e  á pela 1h da manhã coloco as crianças na cama, porque meus filhos se negam a dormir antes do pai chegar. Vou dormir lá pelas 3h, pois já deixo almoço, mochilas etc. prontos para o outro dia. Sendo assim, muitas noites caio “morta” na cama, outras vezes meu marido está tão cansado que não acorda pra “nada”. Mas me considero feliz e satisfeita, pois nosso sexo é recheado de amor e carinho.”
Aline, 28 anos, advogada

“Fui casada 15 anos com um ejaculador precoce e me separei justamente por achar que o sexo no casamento tinha perdido o prazer. Meu marido estava mais para irmão do que para tesão. Me separei e fui à luta, convencida de que queria prazer. Conheci meu atual marido, estamos juntos há seis anos. No começo tudo “flores”, sexo selvagem todos os dias, mas, depois, dia a dia a coisa foi decaindo: quanto mais amor e relacionamento sério… menos sexo. Pirei, gosto muito de sexo, mas também gosto de estar casada, e esta é uma dupla muito difícil de andar junto. Atualmente temos uma frequência quase semanal: tem semanas que não rola e outras, duas ou três vezes. Tá Tudo Bem, Mas Não Posso Negar Que Falta…”
Helena, 48 anos, professora

“Transo só uma vez por mês… Que horror, né? Meu marido não quer transar, por motivos ridículos e, quando transa, dura alguns minutos somente. Não admito um homem não querer sexo com uma mulher bonita, saudável e inteligente. Temos uma filha de dois anos que chora à noite, acorda bastante e nos dá muito cansaço. Mas isso acontece com milhares de famílias, todos os dias, e não justifica o fato de ele não querer transar como antes. Ele diz que eu reclamo muito dele, mas quem não brigaria com esse baita motivo que tenho? Tenho que reclamar, né?”
Carla, 43 anos, funcionária pública

“É muito difícil conciliar trabalho X casamento X sexo X filhos X casa. E quando um ou os  dois estudam é ainda pior: acaba faltandotempo para se fazer o mínimo. Isso faz com que a frequência e qualidade do sexo no casamento caia muito comparado ao tempo de namoro… Estou casado há seis anos, e a frequência sexual é de uma a duas vezes, principalmente nos finais de semana – ou  melhor, quase nunca durante a semana. É preciso muita cumplicidade do casal para superar isso, surpreender a parceira com um jantar, fazê-la sentir-se importante e lembrarse que a cama é pra dormir e que a casa tem outros lugares pra fazer amor…”
Diego, 30 anos, técnico em Segurança do Trabalho

“Somos casados há dois anos e meio. Durante a semana, nossa rotina se resume em trabalhar, academia e jantarzinhos na casa dos pais e amigos. Algumas vezes, devido ao cansaço, temos dormido abraçados, deixando o sexo para depois, mas isso não é motivo para brigas: somente conversamos e combinamos de transar outra hora. Então, optamos muitas vezes por acordar mais cedo, tomarmos banho juntos ou fazer amor em horários fora do comum. Temos uma grande cumplicidade um com o outro e gostamos de experimentar lugares diferentes, o que ajuda a não deixar cair na rotina. E o fato de, às vezes, ficarmos sem fazer nada por uns dias, faz com que a próxima vez seja ainda mais especial, pois você está com saudade e cheio amor pra dar! ”
Camila, 21 anos, técnica em sistemas de informática

  • josimar santos 24 anos

    Sou casado a 9meses e estou com uma grande duvida não sei se sou muito ativo ou se a minha esposa anda muito cansada eu trabalho o dia todo e de noite ainda vou para academia entro 7:30 e saio as23:00 ja ela trabalha até as 17:00 e passa o resto do dia em casa.Chego em casa super afim de fazer com ela porem o sono que ela tem é fora do normal as vezes chego até me estressar com isso por que antes ela era bem mais afim hoje por ela seria umas 6 por mês por mim seria umas 5 por semana.queria uma resposta que me fizesse entender se sou muito ativo ou tenho que me conformar com umas 6 por mês ha e detalhe eu sou fiel e não tenho pra onde fugir!! o que eu faço??? alguem me ajude por favor!!!

  • marcia 44 anos

    Tenho um companheiro hà 11 anos; a frequência caiu de 5/6 para 2/3 por semana, a qualidade de nota 10 para 6/7.Pior q ñ adianta trocar de marido/esposa, pois com o passar do tempo todos os relacionamentos tendem a cair no mesmo abismo. A ROTINA!

Alguns casais transam mais por obrigação do que por prazer

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