Estudo revela que alguns tipos de tumor podem regredir espontaneamente

Pesquisas diferentes trazem informações conflitantes sobre a doença

Grazielli Massafera desfila para Walter Rodrigues na estréia do Fashion Rio
Grazielli Massafera desfila para Walter Rodrigues na estréia do Fashion Rio Foto: Bob Paulino, TV Globo

Pesquisas recentes, publicadas em periódicos internacionais, trazem informações conflitantes sobre como tratar o câncer de mama. Enquanto um estudo, divulgado no Archives of Internal Medicine, sugere que alguns tumores poderiam regredir espontaneamente, outro, publicado no jornal Cancer, indica que a demora para começar a radioterapia depois de cirurgia conservadora (na qual a mama é preservada) pode facilitar o surgimento de um novo tumor.

No primeiro, feito na Noruega, compararam-se taxas de câncer de mama de 119.472 mulheres de 50 a 64 anos, que realizaram mamografias, com as de outras 109.784 mulheres da mesma faixa etária. Observou- se incidência da doença 22% mais alta no primeiro grupo, o que pode ter ocorrido, segundo os autores, porque alguns cânceres regrediram sem intervenção. Para eles, o curso natural de alguns cânceres pode ser o de regredir espontaneamente.

– Existem relatos esporádicos de regressão espontânea, mas como identificar qual câncer regrediria sozinho? – indaga a oncologista Maria del Pilar Estevez Diz, do Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, acrescentando que a mortalidade por câncer de mama tem caído principalmente por causa do diagnóstico precoce.

Os mastologistas Antonio Frasson e José Luiz Bevilacqua avaliam que a discussão sobre o excesso de diagnósticos e de intervenções que, em tese, seriam desnecessárias é muito atual e importante do ponto de vista populacional, mas tem pouco impacto no tratamento clínico de um paciente.

– No momento em que detecta uma alteração, você trata, não espera para ver o que vai acontecer – afirma Bevilacqua, destacando que hoje é possível conhecer o grau de agressividade do tumor e decidir o tratamento mais adequado, mas a evolução do paciente ainda é um terreno desconhecido.

Frasson explica que há pesquisas mostrando que, em grupos de pacientes que não quiseram tratar tumores de mama in situ (localizados), 40% desenvolveram carcinoma invasor (que atinge outros órgãos ou tecidos) em um período de até 30 anos. Em outros casos, quando é pequena a probabilidade de o tumor se espalhar, não há recomendação de cirurgia.

– Fazemos o controle clínico e a mamografia a cada seis meses – detalha Frasson.

Radioterapia deveria ser iniciada logo após cirurgia conservadora

Enquanto o estudo norueguês afirma que alguns tipos de tumor podem regredir espontaneamente, outra pesquisa, divulgada no periódico científico Cancer, defende a realização de radioterapia logo após a cirurgia conservadora. O trabalho se baseou em 8 mil registros de câncer de mama em mulheres com mais de 65 anos.

Dessas, 1,3 mil começaram o tratamento com atraso e 270 tiveram tratamento incompleto. Pacientes no estágio 1 da doença que atrasaram em oito semanas o início da radioterapia tiveram 1,4 vez mais chance de recorrência. Aquelas que adiaram a terapia em mais de 12 semanas tiveram quatro vezes mais chances de sofrer de um novo tumor de mama. Quem não realizou todas as sessões teve o risco de morte aumentado em 32%.

– Sabemos pela literatura médica que, se a paciente não se submete à radioterapia após a cirurgia, o retorno do câncer é de mais de 50% – explica a mastologista Fabiana Makdissi.

O mastologista Antonio Frasson lembra que a radioterapia não previne o surgimento de novos tumores, mas trata tumores microscópicos que não são detectados.

– Quando eu retardo muito a radioterapia, dou tempo para que lesões microscópicas cresçam – afirma o especialista.

O ideal, diz Fabiana, é começar a terapia de 20 a 30 dias após a cirurgia. Com ressalvas: pacientes que também precisam de quimioterapia devem terminá-la antes de iniciar outro tratamento. A radioterapia segue um padrão para a maioria dos casos, sendo realizada em cerca de 30 sessões, distribuídas em um período de quatro a seis semanas.

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