Estudo revela quem são as brasileiras na menopausa e como elas encaram essa fase

No Brasil, elas chegam a esse período da vida após os 48 anos

Com o aumento da expectativa de vida, políticas de saúde devem estar atentas para o fato de as mulheres viverem mais nesse período
Com o aumento da expectativa de vida, políticas de saúde devem estar atentas para o fato de as mulheres viverem mais nesse período Foto: Ricardo Wolffenbüttel

Uma pesquisa conduzida pela Divisão Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com apoio da Bayer Schering Pharma, traçou um perfil inédito da mulher brasileira que se encontra na transição para a menopausa e após esse período. Conforme a coordenadora do estudo, Angela Maggio da Fonseca, os resultados identificam a incidência dos sintomas já bastante conhecidos dessa fase da vida, como os chamados “calorões”, mas também conseguiu identificar as principais doenças que acometem essas mulheres.

O estudo envolveu cerca de seis mil voluntárias em uma investigação que durou 11 anos (entre 1983 e 2004). Com o relatório, segundo a pesquisadora, será possível investir mais em prevenção e em programas que aumentem a qualidade de vida dessas mulheres.

? O estudo é uma forma de os médicos conhecerem a fisiologia deste período da mulher e possibilitar a escolha de um tratamento adequado, melhorando a qualidade de vida de todas elas ? explica.

De acordo com o levantamento, a maioria das mulheres apresenta sintomas relacionados ao desequilíbrio hormonal, com a queda do nível de estrogênio, que afetam sua qualidade de vida, a exemplo dos “calorões” de grau leve a acentuado apresentados por 67% das mulheres.

Elas chegam à menopausa, em média, após os 48 anos

Uma das conclusões interessantes a que chegaram os estudiosos é que a idade média de ocorrência da menopausa no Brasil é de 48,1 anos. O período de ocorrência da menopausa, no entanto, está associado a diversos fatores como genética programada de cada mulher, etnia, paridade, tabagismo, altitude, fatores socioeconômicos, contraceptivos hormonais e nutrição.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o aumento da expectativa de vida da população total, considerando ambos os sexos, passando de 62,7 para 68,9 anos e a previsão de um aumento crescente da quantidade de mulheres acima de 50 anos nas próximas décadas, igualando-se em número às mais jovens, aumentam-se os anos em que elas passam a conviver com a menopausa, sendo imprescindível uma prescrição médica para o tratamento dos diversos sintomas do hipoestrogenismo.

A idade da mulher na época em que ocorre a menopausa tem influência significativa sobre os sintomas e as doenças correlacionadas. Comparativamente, o grupo de 1585 pacientes que tiveram a menopausa entre 41 e 45 anos de idade apresentou um percentual de 27,89% de mulheres com sintomas vasomotores, os “calorões”, acentuados, contra 18,32% entre 202 entrevistadas que entraram na menopausa com idade acima de 55 anos.

Mudanças no corpo e na saúde

O relatório apontou que 68,13% possuíam sobrepeso ou obesidade e 81,5% apresentavam alguma alteração no quadro clínico, como hipertensão arterial (44,94%), diabetes (10,01%), tabagismo (8,39%), tireopatias – hiper ou hipotireoidismo – (7,07%), neoplasias – tumores malignos – (6,41%), entre outras patologias com menor intensidade.

Segundo Angela, a decisão clínica de iniciar o tratamento hormonal com pacientes que apresentam necessidade irá beneficiá-las ao aliviar os sintomas, proteger contra a perda de colágeno e atrofia da pele, conservar a massa óssea e reduzir o risco de fraturas por osteoporose, atuando diretamente na qualidade de vida das pacientes.

A pesquisadora explica que o que difere as terapias são os progestagênios, pois cada um traz um tipo de benefício. Entre as terapias disponíveis no mercado, novos e melhores progestágenos, tais como a drospirenona demonstraram em diversos estudos, eficácia comprovada com menos efeitos adversos e ainda, benefícios adicionais em outros órgãos e sistemas.

Considerando-se a hipertensão arterial, uma das mais importantes doenças correlacionadas, observa-se que com o aumento da idade e a ocorrência da menopausa, ocorre elevação significativa da pressão arterial. Entre as observadas, 34,20% das pacientes acima de 55 anos apresentavam pressão arterial igual ou superior a 141/91, sendo considerados ideais os índices até 120/80.

Outro aspecto relevante é a elevação da pressão arterial quando há o parâmetro usado é o peso da paciente. Entre as entrevistadas obesas, 40,17% apresentavam pressão arterial maior ou igual a 141/91, enquanto apenas 15,06% das consideradas magras tinham os mesmos índices de hipertensão.

? A prevalência da hipertensão arterial aumenta com a idade, desta forma, é importante que seja realizada uma vigilância destes índices em todas as mulheres climatéricas ? aconselha Angela.

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