Excesso de peso na mochila e uso de salto alto geram problemas de coluna nas crianças

O alerta vem da OMS: 85% população pode ter problemas de coluna no futuro

Vaidade sem limites é vista com preocupação por especialistas
Vaidade sem limites é vista com preocupação por especialistas Foto: Jefferson Botega

Não é de hoje que o peso colocado nas mochilas das crianças e o uso de salto alto na infância é questionado. Com a influência da moda adulta cada vez mais presente no consumo infantil, a decisão baseada no que é melhor para a saúde das crianças pode ficar em segundo plano para a maioria dos pais.

Porém, o resultado desta decisão segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) pode definir que, nos próximos anos, 85% da população tenha problemas na coluna, como resultado de má postura, mochilas pesadas e o uso de salto alto enquanto crianças.

No caso das mochilas, o problema é o excesso de peso. O erro pode ser dos pais, da escola ou dos próprios estudantes. Para evitar problemas nas costas, uma regra geral já consagrada é de que o peso das mochilas não deve exceder 10% do peso corporal da criança. Comprar a mochila adequada é o primeiro passo, mas é preciso também orientar as crianças sobre a melhor maneira de usá-la e ajudar na organização de que materiais são realmente necessários a cada dia. O hábito de separar o material conscientemente no dia anterior ao das aulas é o ideal.

O excesso de peso nas mochilas leva a modificações na postura na tentativa de se manter o equilíbrio, e a combinação do aumento do peso e alterações posturais pode causar dores lombares, dores na coluna cervical, dores nos ombros e contraturas musculares. A Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica faz ainda um alerta aos pais: qualquer reclamação de dor nas costas em crianças ou adolescentes não deve ser ignorada.

? Na hora da compra, devem ser observadas as seguintes características da mochila:

:: a mochila deve ser leve. Vazia não pode pesar mais de meio quilo;

:: escolha modelos com duas tiras. As de tira única não distribuem o peso de maneira uniforme sobre os ombros;

:: as alças devem ser largas. Tiras estreitas provocam compressão nos ombros, podendo causar dor e restringir a circulação;

:: a largura da mochila não deve exceder os limites dos ombros;

:: prefira as de estrutura rígida e acolchoadas nas costas. O forro acolchoado ajuda a evitar ferimentos com objetos pontiagudos;

:: a mochila com rodinhas é uma boa opção para quem precisa carregar muito peso. O único inconveniente aparece quando ela precisa ser carregada em escadas;

:: nos modelos com rodinhas, é preciso ter cuidado com a alça do carrinho, que deve estar a uma altura apropriada. As costas da criança devem ficar retas ao puxá-la.

? Modelos:

:: de alça dupla: é boa para carregar peso, especialmente a que se ajusta rente às costas e possui tira para a cintura;

:: de rodinhas: útil para peso excessivo, deve ser usada em trajetos curtos. O ato de puxar força as articulações de ombro e braço;

:: de mão (tipo pasta): só para cargas leves, pois favorece desvios de coluna.

? Como usar:

:: o peso da mochila não deve exceder 10% do peso corporal do estudante. É fácil descobrir: utilize uma balança de banheiro para pesá-la. Se você não tiver uma, pese o seu filho com e sem ela nas costas e calcule a diferença;

:: use sempre ambas as tiras nos ombros. O uso em um ombro só pode provocar uma alteração postural chamada escoliose (desvio lateral inadequado da coluna);

:: tencione as tiras para que a mochila fique bem próxima ao corpo e aproximadamente cinco centímetros acima da linha da cintura;

:: utilize todos os compartimentos de modo que os objetos mais pesados fiquem no centro da mochila e mais próximos das costas;

:: disponha os livros e outros materiais de maneira que não fiquem soltos lá dentro, provocando movimentos de desequilíbrio;

:: dobre os joelhos ao se abaixar. Não se incline dobrando as costas, sobretudo se a mochila estiver muito pesada.

? Como os pais podem ajudar:

:: examine o que seu filho está levando para a escola, certificando-se de que é o material necessário para as atividade rotineiras, sem nada supérfluo;

:: verifique com os professores a possibilidade de diminuir a quantidade de material usado na escola;

:: sugira à escola a possibilidade de disponibilizar armários individuais, de fácil acesso, para que os alunos possam deixar seu material.

? Bons hábitos:

As dores nas costas não aparecem do dia para a noite. Em geral, são resultado de um acúmulo de más práticas. Confira algumas recomendações:

:: além de não carregar mochilas pesadíssimas, é importante a criança manter a postura correta nas aulas, com a coluna vertebral bem encostada ao encosto da cadeira;

:: praticar exercícios físicos é importante porque, além de contribuir para o desenvolvimento corporal harmonioso, fortalece a musculatura e previne eventuais efeitos negativos da má utilização das mochilas.

No caso dos sapatos, a troca constante acaba dando margem à compra de modelos com saltinhos. Mas, se eles têm acima de 2 centímetros, cuidado! Segundo Erno Thober, ortopedista e traumatologista do Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, eles são absolutamente contra-indicados. O uso deles durante a fase de crescimento, conforme explica, tende a ocasionar problemas de má postura, lordose e deformidades na coluna e nos pés. O ortopedista afirma ainda que sintomas como mau jeito no caminhar, cansaço excessivo, dores nas pernas e nas costas podem ser um sinal de alerta aos pais. O aconselhável às crianças em fase de crescimento, segundo o especialista, são calçados com saltinhos de, no máximo, 1,5 cm.

? Na hora de comprar um calçado observe:

:: escolha o calçado de acordo com o pé da criança;

:: troque o sapato da criança a cada seis ou oito meses;

:: leve seu filho à loja para fazer para experimentar o calçado;

:: observe se o sapato não está apertado, se tem a largura exata do pé e comprimento maior do que os dedos, para ficarem confortáveis;

:: adote o uso de sandálias: elas permitem todo o movimento do pé sem compressão de áreas específicas – Faça sempre um acompanhamento ortopédico dos pés das crianças.

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