Exercer o autocontrole na dieta irrita as pessoas, diz pesquisa

Ao invés de ficar feliz pela escolha correta, pessoas se irritam com impossibilidade de ceder às tentações

Proximidade do verão aumenta a sensação de inchaço e o incômodo comum durante a TPM
Proximidade do verão aumenta a sensação de inchaço e o incômodo comum durante a TPM Foto: Daniela Xu

Você decidiu comer uma maçã no lugar de uma barra de chocolate? Então deveria estar se sentindo feliz por fazer algo que é bom para você, certo? Não. É mais provável que você fique irritada, de acordo com pesquisadores das universidades americanas da Califórnia e Northwestern. Eles conduziram uma série de experimentos com alunos de graduação e concluíram que exercer o autocontrole gera raiva. A descoberta não surpreendeu os pesquisadores.

? Nós estamos surpresos que a maioria das pessoas não perceba isso ? disse Wendy Liu, autora da pesquisa ao lado de David Gal.

Outros estudos já relacionaram o autocontrole ao comportamento agressivo. Wendy e Gal decidiram concentrar seus testes na dieta porque esta é uma forma de autocontrole que as mulheres são mais passíveis de usar todos os dias. Eles também analisaram hábitos de consumo. O documento com as conclusões foi publicado recentemente nos Estados Unidos e está numa reportagem do site “Physorg”.

A teoria que prevalece é que o uso do autocontrole deixa as pessoas para baixo e diminui as possibilidades de elas repetirem aquela atitude, tornando mais difícil controlar o comportamento agressivo. Mas os pesquisadores realizaram os experimentos para refutar esta teoria. Eles queriam ver se os estudantes mostrariam uma inclinação a ficar irritados sem precisar exercer o autocontrole numa segunda vez.

? Não se trata de habilidade. Você ainda pode exercer o autocontrole, mas ainda continuará com raiva ? explicou Wendy.

Primeiro, eles pediram aos voluntários para escolher entre uma maçã e uma barra de chocolate, uma recompensa por ter participado de um experimento. Um segundo grupo escolheu entre dois presentes: um cartão de compras de supermercado e um passe para um spa. Estes outros participantes tiveram que decidir depois entre um filme com cenas de pessoas com raiva e outros temas; rostos que indicavam irritação e outros que indicavam calma; e mensagens públicas destinadas a causar raiva ou tristeza. E avaliaram quão irritante eles acharam um anúncio que os estimulava a praticar exercícios físicos.

Wendy e Gal também criaram grupos de controle que tiveram que escolher suas recompensas ? maçã ou barra de chocolate; cartão para a loja de doces ou passe para spa ? apenas depois de executarem últimas tarefas.

Os cientistas então compararam os voluntários que escolheram a maçã antes da tarefa e os que a escolheram depois. O primeiro grupo apresentou maior número de escolhas de filmes sobre raiva, rostos raivosos e mensagens com este tipo de tema. O mesmo grupo também achou mais chata a mensagem que os estimulava a se exercitar.

64% dos que primeiro escolheram a maçã, depois preferiram o filme com cenas de raiva. E 55% dos que escolheram a maçã e depois um filme deste tipo preferiram fotos que indicavam irritação.

Por outro lado, nem tantas diferenças apareceram entre os que escolheram a barra de chocolate antes das tarefas e os que a escolheram depois. O mesmo acontece na experiência em que os participantes escolheram entre um cartão de supermercado e um cartão do presente do spa.

Se usar o autocontrole nos deixa irritados, há algo que podemos fazer? Um truque é não se colocar numa posição em que você tenha que usar o autocontrole para fazer uma escolha saudável, ensina Wendy. Evite encher sua geladeira com comidas que engordam e que você se sinta tentada a comer depois. No supermercado, evite o corredor de guloseimas:

? Você não pode confiar na força de vontade.

Você também pode tentar pensar sobre determinadas comidas de forma diferente.

? O motivo pelo qual achamos que chocolate é satisfatório é porque o associamos a gratificação imediata ? ela explica.

Esta mudança cognitiva pode ser mais difícil para os adultos, mas pode funcionar com crianças. Tente ensiná-las a associar batata frita com gordura, não com recompensa.

O trabalho também tem implicações no campo de políticas públicas. As autoridades que tentam orientar o público a adotar hábitos de vida mais saudáveis podem querer saber a melhor forma de enviar sua mensagem, afirmam os pesquisadores. Muitos dos textos desses anúncios elaborados por governos classificam as comidas como boas ou ruins. O resultado é que as pessoas podem se sentir culpadas quando comem comidas “ruins” e irritadas depois de usar o autocontrole para comer comidas “boas”.

Como pesquisadores de mercado, Wendy e Gal ressaltam ainda que suas descobertas também têm um impacto no mercado, ajudando as empresas a planejar melhor suas estratégias de publicidade. O estudo sugere ainda que a raiva e a agressividade não são suficientemente estudados quando aplicadas aos consumidores, de acordo com Wendy. Ela e Gal planejam pesquisar mais sobre o assunto.

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