Família e escola devem estimular as brincadeiras como forma de aprendizado

Crianças aprendem como se relacionar com o mundo externo desta forma

Turma de educação infantil do Colégio João XXIII
Turma de educação infantil do Colégio João XXIII Foto: Emílio Pedroso

Brincar nem sempre significa apenas diversão. Desde bebês, as crianças passam por contínuos processos de aprendizagem ao brincarem com o próprio corpo, com jogos ou com objetos que as atraem por cores, sons, texturas e dimensões.

A psicóloga e psicoterapeuta Márcia Fett de Assunção Marques, consultora de pré-escolas, destaca que brincar é fundamental para a vida da criança, pois é nela que os pequenos aprendem a se comunicar com o mundo e a externar suas angústias.

? Por meio da brincadeira, eles vão construindo a realidade deles, o mundinho deles, as verdades. Vão conseguindo elaborar situações que são difíceis para eles ? afirma.

As brincadeiras que se iniciam em casa, com a família, devem ser estimuladas durante toda a infância. Quando a criança ingressa na escola, as práticas devem ser estimuladas pelo professor. Márcia Fett ressalta que, na pré-escola, as atividades têm de ser lúdicas ? o que cativará e motivará a criança a aprender mais. A divisão de objetos, exemplifica a psicóloga, proporcionará aos estudantes noções de matemática. 
Para que o filho desenvolva a criatividade e mostre seus interesses, não é adequado que os pais direcionem as atividades. A criança deve ter liberdade de escolher o que quer fazer. No entanto, na escola deve haver dois momentos: o da brincadeira livre, no qual o professor observa as atividades, e o espaço em que o docente acrescentará elementos que auxiliem a criança em conteúdos que ela estudará nos anos seguintes.

É praticamente inevitável o contato com TV e jogos eletrônicos, mas os pais devem cuidar para que a criança não fique sempre parada, sem fazer atividades físicas. Além dos brinquedos industrializados, a família deve permitir que os pequenos também tenham contato com objetos domésticos, pois assim a criança descobrirá novos materiais. É importante que os adultos participem dos jogos, mas que também estimulem a criança a brincar sozinha, para não criar nela uma dependência.

Pela valorização da brincadeira dentro da escola, o Colégio João XXIII, da Capital,  é finalista nacional do Programa Pelo Direito de Ser Criança 2010 na categoria Aqui Se Brinca. Criado em 2008 pela indústria OMO em parceria com o Instituto Sidarta, o programa tem a premissa de promover as descobertas das crianças por meio de brincadeiras e do aprendizado pela experiência. A coordenadora pedagógica da Educação Infantil da instituição, Márcia Valiati, destaca que, na infância, tudo passa pela brincadeira, incluindo a aprendizagem. Brincando, as crianças desenvolvem a imaginação nos jogos de faz de conta e aprendem a conviver em grupo nas atividades coletivas, por exemplo.

? Brincar e aprender não são pontos extremos de uma reta. Eles se complementam. A criança, quando brinca, aprende ? explica.

Márcia Valiati reforça a importância de a escola oferecer um programa pedagógico que possibilite a brincadeira, com espaço, materiais e tempo para executar as atividades. A professora destaca que o docente não deve ser demasiadamente invasivo na brincadeira, nem ausente. O profissional precisa saber o momento de se abster, de se distanciar.

? Antes de ser aluno, vem o ser criança. E uma criança só é criança porque brinca ? ressalta.

A importância da brincadeira
:: Desenvolve a criatividade 
:: Demonstra os interesses da criança
:: Externa as angústias dela 
:: Estimula a comunicação
:: Exercita o corpo
:: É prazeroso para a criança

Estimule seu filho a brincar
:: Deixe ele escolher a brincadeira
:: Possibilite que ele use objetos que não sejam apenas os brinquedos
:: Brinque com ele, mas fique atento para evitar que a criança dependa de você para brincar
:: Limite o tempo para a TV e para os jogos eletrônicos

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