Fashion Rio e Rio Fashion Business mostraram tendências de moda para o inverno

Jornalistas, stylists, maquiadores e modelos se dividiram para participar dos eventos

Aprender desde cedo o valor da mesada é um dos pontos
Aprender desde cedo o valor da mesada é um dos pontos Foto: Adriana Franciosi

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O mercado de moda do Rio de Janeiro nunca foi tão disputado. A briga, por mais elegante que seja, causou saia justa e desconforto entre todos os profissionais da área. O problema começou há dois anos, mas nesta temporada de inverno ficou explícito. O tradicional Fashion Rio, que terminou no fim de semana organizado por Paulo Borges, e a reestruturada Senac Rio Fashion Business, promovida por Eloysa Simão e encerrada na quinta-feira, ocorreram simultaneamente. Jornalistas, stylists, maquiadores, cabeleireiros, modelos e público passaram a semana tentando se dividir entre os dois eventos.

Nos corredores, todos comparavam as duas realizações. Era inevitável. Primeiro, ninguém imaginou que Eloysa conseguiria chamar a atenção do público da mesma maneira que o Fashion Rio faz há 18 edições. Mas a notícia de que Mara Mac e a Cavendish saíram do line-up da tradicional semana de moda carioca e foram para o Fashion Business foi definitiva para mostrar que ela tinha gás. O sentimento se concretizou depois que anunciaram um show do Buena Vista Social Club, a apresentação de modelos como Ana Cláudia Michels, Aline Weber e Viviane Orth e uma seleção com novas e interessantes marcas.

Na coletiva de imprensa do Fashion Rio, na segunda-feira, Paulo Borges ficou visivelmente incomodado quando perguntaram sobre a concorrência com o Fashion Business.

? Não existe concorrência. Isso é invenção da imprensa. São dois projetos diferentes, mas que acontecem na mesma cidade.

Todos que acompanham as notícias de moda sabem, porém, que não é bem assim. Há três temporadas o Fashion Business era realizada uma semana antes do Fashion Rio. Mas, este ano, ela foi intencionalmente marcada na mesma data para conseguir chamar atenção da imprensa, que, por falta de pessoal, costumava prestigiar apenas o Fashion Rio.

A estratégia deu certo. Todo mundo se desdobrou para estar nos dois locais ao mesmo tempo. Os dois eram fisicamente próximos: o Fashion Business ocorreu no Marina da Glória e o Fashion Rio, no Píer Mauá. O percurso feito de carro, entre um evento e outro, durava cerca de 10 minutos. Além disso, a maioria dos desfiles de Eloysa ocorreram de manhã e à tarde, enquanto os de Paulo Borges começavam às 18h, quando o calor de 40° do verão carioca dá uma trégua. Uma forma que Borges encontrou de preencher o tempo livre e criar concorrência foi colocar para desfilar as marcas que expõem no Rio-à-Porter, a feira de negócios organizada por ele.

Já Eloysa tentou inovar montando, além de uma feira de negócios, como já existe no Fashion Rio, um espaço para expor inovações tecnológicas para a indústria do vestuário. Lá, estavam empresas que desenvolvem software, artigos de decoração e até produtos ecológicos para marcas de moda. Por outro lado, Borges conseguiu trazer o Prêmio Rio Moda Hype, que lança novos talentos, de volta para o Fashion Rio. Entre as visitas internacionais, Eloysa atraiu a atenção do guitarrista do Rolling Stones, Ron Wood, e Paulo tirou o famoso blogueiro de moda Bryan Boy das semanas internacionais para cobrir a moda brasileira.

Não há dúvidas de que o Fashion Rio continua a grande semana de moda do Rio de Janeiro. Por enquanto, o Fashion Business ainda não tem a pretensão de roubar esse posto. Mas é certo que Eloysa Simão conseguiu incomodar o monopólio que Paulo Borges detém sobre a moda brasileira. Muito desse prestígio ela conquistou com inimizades que ele fez ? como Carlos Miele, que tem uma grande carreira internacional, mas ficou uma década sem desfilar no Brasil por conta de uma briga que teve com Paulo Borges. Se essa disputa vai fortalecer ou enfraquecer a moda do Rio de Janeiro? Só o tempo dirá.

Paulo X Eloysa

A briga entre os dois maiores produtores de eventos de moda do Brasil, Paulo Borges e Eloysa Simão, é antiga. Até abril de 2009, ele era o nome por trás do São Paulo Fashion Week e ela, a organizadora do Fashion Rio. Apesar de serem eventos concorrentes, por anos eles sempre combinaram datas e tinham uma política de boa vizinhança. Foi a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) que mudou as regras. Naquele mês, a Firjan licenciou a marca Fashion Rio para a holding InBrands, que abriga a Luminosidade, empresa de Borges.

Na época, a negociação correu em segredo. Um dia antes do anúncio oficial, Eloysa ficou sabendo, por carta, sobre a sua demissão. Ela não se manifestou por dias, mas depois disse que sofreu um golpe. Para recuperar o posto, travou uma briga com a Firjan sobre os direitos do nome Fashion Business ? na época, a feira de negócios do Fashion Rio. Eloysa provou que a feira estava registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) com o nome dela. A 14° edição do Fashion Business, em junho de 2009, ainda aliada ao Fashion Rio, já sob o comando de Paulo Borges, foi o último evento em parceria com a Firjan. A partir daí, a briga começou. Eloysa fechou contrato com o Senac Rio como principal patrocinador do evento, incorporou seminários de moda com nomes de peso, como Carlos Ferreirinha e Alexandre Herchcovitch. E agora realiza o evento na mesma semana que o Fashion Business.

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