Fênomeno nacional, Anitta sobe ao palco da Provocateur, em Porto Alegre

Cantora apresenta, na quarta-feira, o show "O Clube da Anitta", voltado ao público classe A

Foto: Washington Possato

*Colaborou Thamires Tancredi

Se você tem ouvido pessoas repetindo as palavras “prepa-ra”, “ba-ban-do” e “dan-çan-do” entusiasticamente, saiba que essa espécie de síndrome da separação silábica tem nome: Anitta. O trio de paroxítonas embala parte da letra de Show das Poderosas, hit que alavancou a carreira da carioca de 20 anos e a transformou em um fenômeno da música pop nacional, levando milhares de pessoas a lotar seus shows desde o início do ano. Para se ter uma ideia de tamanho sucesso midiático, o primeiro álbum, Anitta, da Warner Music, chegou ao topo dos mais vendidos do iTunes em menos de 24 horas após o lançamento. A agenda da cantora está preenchida com cerca de 20 shows por mês e apenas um dos clipes oficiais contabiliza quase 40 milhões de visualizações no YouTube.

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A presença de Anitta está no estilo. Apesar de classificada como funkeira, ela não faz jus ao título, e o short curto talvez seja o único elemento que lhe aproxima das outras MC’s nacionais. Quem assiste às performances consegue perceber as influências
de ícones do pop internacional, como Beyoncé, Rihanna e Lady Gaga, que vão além do ritmo R & B: incluem os cenários, o figurino, a coreografia, o gingado, o caminhar sobre o salto alto e até as próprias músicas ? das quais Anitta faz covers nos shows. Um dos responsáveis pela criação desta personalidade, o coreógrafo Daniel Lourenço, explica:

? Apesar de ter começado no funk puro, ao longo do caminho ela foi sendo moldada para poder ser um grande diferencial. Muitos funkeiros têm uma carreira longa, mas não tiveram a oportunidade de ter um desenvolvimento legal. A gente pode classificá-la como funk pop ou funk melody.

As raízes de Anitta estão nos bailes da comunidade do Rio de Janeiro. Ela nasceu Larissa de Macedo Machado e foi descoberta com a divulgação de vídeos nas redes sociais em que cantava sucessos do pancadão e ensinava técnicas de rebolado. Chamou atenção da empresária Kamilla Fialho e passou a frequentar cursos de interpretação e aulas de dança. Renovou o guarda-roupa, o próprio corpo (submeteu-se a procedimentos cirúrgicos) e até o nome. Fã do jeito “sexy sem ser vulgar” da personagem interpretada por Mel Lisboa na minissérie Presença de Anita, de Manoel Carlos, Larissa dobrou a letra “t” do nome da mocinha e adotou a identidade.

Há seis meses, atendia a alguns poucos fãs no Rio de Janeiro. Atualmente, circula Brasil afora acompanhada de seguranças, cobra entre R$ 60 mil e R$ 100 mil por apresentação, possui uma marca própria e seleciona ? muito bem ? as entrevistas que vai conceder à imprensa. Para que a Donna conseguisse uma brecha na agenda da artista foram necessários 10 dias de insistência.

Na próxima quarta-feira, ela desembarca em Porto Alegre acompanhada de uma equipe de 23 pessoas (com direito a recepção de fã-clube no aeroporto) para sua primeira performance no Rio Grande do Sul – na casa noturna Provocateur, um dos clubes de luxo do Estado. Traz o show O Clube da Anitta, espetáculo montado de caso pensado no público classe A, com ingressos que chegam a custar R$ 300. Tiago Escher, um dos sócios da casa, conta o que o estimulou a contratar a atração:

? O público de luxo é ávido por novidade, por aquilo que está na moda, em voga, na mídia. Ela é um fenômeno parecido com o Naldo, que já lotou a casa duas vezes. Todo mundo quer ver. É uma procura louca por ingressos ? diz.

Levando-se em conta que o clube tem lotação máxima de 500 pessoas, Anitta deve deixar muita gente ba-ban-do do lado de fora da balada.

Meiga e abusada

Apesar de ter visto seu nome crescer em meio aos bailes funk, Anitta teve o primeiro contato com palco e microfone na igreja. Aos sete anos, descobriu o dom para cantar ao acompanhar, com a voz de criança, o violão do avô, na paróquia Santa Luzia, em Honório Gurgel, zona norte do Rio de Janeiro. Com o passar dos anos, e o fraco desempenho dos negócios do pai, dono de uma loja de bateria de carros, Anitta colocou o desejo de cantar em segundo plano e focou nos estudos.

Formou-se em um curso técnico em Administração de Empresas enquanto trabalhava como vendedora em uma loja de roupas. Conseguiu uma vaga de estágio na Companhia Vale. Quando estava prestes a ser efetivada na multinacional, Anitta gravou um vídeo cover da música Soltinha, da cantora Priscila Nocetti, do grupo Furacão 2000, e jogou nas redes. Acabou descoberta pelo produtor Renato Azevedo, o Batutinha, que depois de sugerir que ela fizesse uma audição, ficou impressionado com sua habilidade no stiletto, dança sobre o salto alto.

Foi então que a empresária Kamilla Fialho (a mesma do funkeiro Naldo) entrou na jogada. No ano passado, desembolsou R$ 260 mil e pagou a multa que o Furacão 2000 exigia para liberar os diretos da artista. Também investiu R$ 40 mil na produção
e gravação do clipe da primeira faixa da artista, Meiga e Abusada, em Las Vegas, com direção do norte-americano Blake Farber. Kamilla moldou Anitta e aplicou pesado nas produções dos shows, além de estudar contratos com minúcia antes de fechar
com a Warner Music e lançar o primeiro CD da artista. Como se vê, o investimento é cada dia mais recompensado.

 

Para o baile pra me ver dan-çan-do…

As coreografias de Anitta são a essência do seu sucesso. Prova disso é que a cantora não assina contratos para shows se não puder levar pelo menos dois de seus bailarinos ? na turnê Show das Poderosas são 24 no palco. A dança sensual na medida certa, com ênfase no movimento de quadril, fortes jogadas de cabelo para os lados e encaradas sedutoras tem nome: stiletto. Trata-se do mesmo estilo adotado por estrelas como Beyoncé e Rihanna e tem uma condição básica para existir: ser toda executada
em cima do salto alto. Não é para qualquer um, exige postura e equilíbrio. O coreógrafo da cantora, Daniel Lourenço, explica:

? É uma dança que exalta a sensualidade da mulher com destreza. Requer prática, treino e coordenação motora.

Já foi comprovado que a cantora leva jeito. Anitta dança desde a infância, chegou a ser professora de dança de salão aos 16 anos. Antes de contar com o auxílio de Lourenço, ela mesma criava suas composições. Um exemplo é o famoso passo em que bate com as costas da mão direita embaixo do queixo para gesticular o “ba-ban-do”: invenção da própria artista. O professor é só elogios à aluna:

? Ela é muito boa e aprende super rápido. É uma menina esperta. Disso, ninguém duvida.

 

O exército da poderosa

O “exército” gaúcho de Anitta, como a cantora chama os fãs, não está poupando esforços para recebê-la em Porto Alegre. Quem comanda a função é a estudante de Marketing Bianca Scheufler, de 20 anos, que já providenciou camisetas com expressões como tchê, bah e barbaridade para recebê-la no aeroporto. Ela é administradora do fã-clube Anitta RS, que nasceu há pouco mais de um mês no Twitter. Pelo microblog e em um grupo no Facebook, os seguidores da nova sensação do funk compartilham informações e combinam surpresas para o momento em que ela desembarcar por aqui.

? Tem gente que vem de Bento Gonçalves e de Xangri-lá para recepcionar a Anitta, e eu vou hospedar na minha casa. Consegui até folga no dia para ir cedo ao aeroporto e não perder a chegada dela ? conta a universitária.

Assim como o fenômeno Anitta, que espalhou o Show das Poderosas pelo Brasil há alguns meses, também é recente a paixão de Bianca pela cantora. Ela ouviu a faixa Meiga e Abusada em uma festa, procurou outras músicas na internet e não parou mais. Hoje, mantém contato com outros fã-clubes do Brasil para saber como têm sido as recepções em cada cidade e organizar o evento na Capital.

? Sabemos que Anitta adora o contato com o público, mas tem que ser tudo organizado. Queremos que ela se sinta acolhida ? observa.

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