Fibromialgia: o desafio diário de viver com dor

Problema físico acomete cerca de 4% da população brasileira

Endometriose agride o corpo da mulher
Endometriose agride o corpo da mulher Foto: Divulgação

Quando a dor se torna uma companhia inseparável, cada dia é encarado como um grande desafio. Tarefas corriqueiras da vida se transformam em suplício. Caminhar dói, sentar dói, deitar também. Por vezes, até respirar é um sofrimento.

Em momentos de crise, um simples abraço ou toque, por mais delicados que sejam, são torturantes. Quem convive com a fibromialgia conhece bem a anatomia humana e tem uma indesejada intimidade com sensações tão doloridas que sequer são imagináveis por aqueles que não são reféns do problema.

O sofrimento dos fibromiálgicos, porém, vai além do que é sentido no corpo. A doença era vista como um distúrbio psíquico e confundida com a depressão até bem pouco tempo atrás. Para os olhos alheios, a dor era fruto da imaginação ou do exagero. Hoje, a causa da fibromialgia ainda é um mistério, mas estudos comprovam que o mal é realmente físico e acomete cerca de 4% da população brasileira.

A fibromialgia é caracterizada por dor muscular e esquelética crônica e difusa, fadiga e comprometimento do sono. No entanto, geralmente traz consigo uma série de transtornos, como rigidez nos músculos, enxaqueca, confusão mental, déficit de memória, palpitação, tontura, depressão e muitos outros.

O diagnóstico nem sempre é imediato. É preciso descartar outras patologias que também causam dores difusas. De acordo com o reumatologista Rodrigo Aires Correa Lima, eventos físicos e emocionais estressantes ou traumáticos são capazes de desencadear a doença, mas ainda não se sabe se ela pode surpreender qualquer um ou se ocorre apenas em pessoas predispostas ao mal.

O médico lembra que, em homens e mulheres saudáveis, a dor é um alerta, um sinal de que algo está errado no organismo. Para quem tem fibromialgia, contudo, a dor por si só é a doença.

– Os sintomas nem sempre são compreendidos por médicos que conhecem pouco a síndrome. A fibromialgia não causa deformidades físicas, e os pacientes têm o aspecto saudável. Atendo casos de fibromiálgicos que sofreram por quase uma década antes de conseguirem tratamento adequado. Para confirmar o diagnóstico, nos baseamos no histórico do paciente e da dor, que deve ser generalizada, atingir pelo menos 11 pontos específicos do corpo e durar mais de três meses sem motivo aparente – explica o especialista.

Saiba mais sobre a fibromialgia

::: A doença acomete cerca de 4% da população brasileira. Em idosos com mais de 65 anos, a prevalência é de 7,5%. As mulheres são as mais atingidas.

::: Os pacientes acometidos pela fibromialgia têm uma percepção extrema dos estímulos dolorosos. A doença é realmente incapacitante.

::: Pesquisas comprovam que, ao mesmo tempo em que são hipersensíveis à dor, os fibromiálgicos também não conseguem ativar substâncias que aliviariam essa sensação. Por isso, estímulos suportáveis e contornáveis para aqueles que não sofrem da síndrome são extremamente penosos para quem tem a doença.

::: É importante entender e desmistificar a doença. A fibromialgia não tem cura, mas a dor pode ser controlada com medicamentos e  tratamentos não farmacológicos. Embora limitante, ela não é maligna.

::: Remédios adequados, controle dos fatores estressores, exercícios e terapias complementares podem proporcionar qualidade de vida.

Fonte: Ana Paola Gadelha, fisiatra e presidente regional da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor

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