Filme que rendeu a Sandra Bullock título de “pior atriz de 2009” já está nas locadoras

"Maluca Paixão" foi massacrado pela crítica nos Estados Unidos

Sandra Bullock contracena com Thomas Haden Church (E) e Bradley Cooper
Sandra Bullock contracena com Thomas Haden Church (E) e Bradley Cooper Foto: Divulgação

Com uma enorme boa vontade, até dá para ver algum traço de conexão entre as personagens de Sally Hawkins na produção britânica Simplesmente Feliz (2008) e de Sandra Bullock em Maluca Paixão (2009), filme que valeu à atriz o troféu Framboesa de Ouro como pior performance feminina da temporada. Prêmio conquistado no mesmo fim de semana em que ela ganhou o Oscar por Um Sonho Possível.

Nem o nome de Sandra nos créditos (ela também assina como produtora) encorajou o lançamento de Maluca Paixão (All About Steve) nos cinemas do Brasil. Deve ter pesado na decisão da distribuidora em mandálo-lo direto às locadoras a péssima recepção ao filme nos EUA, onde foi massacrado pelos críticos, que sublinharam o registro histérico que a atriz buscou para compor sua cartunesca personagem.

Como a Poppy de Simplesmente Feliz, a Mary encarnada por Sandra é uma menina maluquinha em corpo de mulher, um tipo irritante na sua inabalável alegria e na total falta de noção. A comparação forçada, que passa também no detalhe das botas chamativas usadas por ambas, acaba aqui.

Se no filme inglês essa característica de Poliana adulta da protagonista ilustrava um terno painel sobre a classe trabalhadora e sobre seres solitários um tanto deslocados no convívio social, Maluca Paixão investe naquele formato de comédia abilolada que só muito talento, do roteiro à direção, segura nos trilhos. Aqui, o esforço físico e as situações para causar graça descarrilam no abismo da caricatura.

Com aparência de estar atuando sob forte medicação e ligada em 220 volts, Sandra mostra Mary como uma mulher de seus trinta e muitos anos que cria palavras cruzadas para um jornal. O conhecimento wikipédico por conta do ofício, o aparente parafuso a menos e a verborragia fazem dela uma companhia insuportável em alguns minutos. Natural que esteja solteira.

Num encontro às cegas ela conhece o câmera de TV Steve (Bradley Cooper, de Se Beber, Não Case). Ele percebe a encrenca e tenta fugir. Ela, crente de que ele é o homem de sua vida, inicia uma perseguição estrada afora enquanto Steve e um repórter canastrão (Thomas Haden Church) cruzam os EUA na cobertura de eventos jornalísticos banais e bizarros. A correria é pontuada por pílulas metafóricas de sabedoria que comparam a vida às palavras cruzadas produzem situações indescritíveis.

Sandra levou na boa e foi receber o Framboesa de Ouro levando uma pilha de DVDs para distribuir aos votantes, alegando que estes não haviam visto o filme direito. Pelo jeito, nem ela. Lançamento da Fox.

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