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Filosofia para crianças estimula a inteligência e a criatividade

Filosofia ajuda crianças a compreender a realidade

Perguntas sobre a vida e o significado da própria existência são alguns exercícios
Perguntas sobre a vida e o significado da própria existência são alguns exercícios Foto: Carlos Edler

Se juntarmos a curiosidade quase incessante dos pequenos com a ideia de Platão de que o princípio da filosofia começa com o encantamento pelo mundo, sem dúvida, teremos uma constatação consistente: todas as crianças são filósofas por natureza!

Perguntas sobre a vida e o significado da própria existência são alguns exercícios que elas fazem, geralmente, desde o fim da primeira infância. E, para aproveitar as dúvidas e as respostas e transformá-las em momentos de reflexão, nada mais apropriado do que ter tempo e encontrar adultos disponíveis a ajudar as crianças nessa construção de conhecimento.

De acordo com Sérgio Sardi, professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCRS e autor do livro infantil Ula: Brincando de Pensar (Editora Vozes), o estudo que ajuda a compreender a realidade pode colaborar para o desenvolvimento de valores, princípios éticos, respeito e autoestima das crianças. Para que ajude, o mais importante é dar liberdade para o pequeno filosofar, pensar, desenvolver habilidades lógicas e sensibilidade. Na prática, é dar ouvidos a perguntas curiosas, incentivar o pensamento com o auxílio de filmes, programas de TV, livros e situações do cotidiano.

? A partir daí, conexões com filósofos conhecidos podem ser feitas. Entretanto, não podemos manter uma interpretação e visão moralista quando explicamos, mostrando que só há uma versão correta. O diálogo é fundamental. As crianças têm o potencial de filosofar, e a filosofia é o exercício de criação de modos de viver, perceber e viver ? explica Sardi.

Na casa do estudante Lohan Ferreira Menezes, seis anos, a prática da reflexão faz parte do dia a dia. Aluno do projeto Távolas, da associação cultural Nova Acrópole, ele estuda virtudes, conversa sobre a mentira, as amizades e a gentileza. O resultado é muito natural. O menino virou um questionador cheio de boas respostas e frases como “quem ama compartilha”.

? Aos poucos, ele percebe o que é a cooperação, as virtudes e o valor de pensar mais ? diz a mãe, Natália Ferreira.

Para que a filosofia entre, aos poucos, na vida de uma criança, fazendo a conexão de um olhar sobre o mundo, o ideal é instigá-la, fazê-la perguntar mais. Quando surgirem as respostas, aproveite para anotar o que os filhos dizem, sugere o professor do Programa de Pós-graduação em Filosofia da PUCRS Eduardo Luft.

Nenhuma pergunta é boba

Você está concentrado em uma atividade e, de repente, seu filho o interrompe: “Mãe, e se alguém comer o futuro? Viveremos no passado?” ou então “Como foi mesmo que eu nasci da sua barriga?”. As questões parecem descer quadradas. Você olha para os lados, senta e pensa. Pronto. Mãe e filho acabaram de ganhar o desafio de refletir.

Situações como estas, descritas no livro Vico, o Filhósofo, de Deborah Bresser, ocorrem todos os dias em milhares de lares. Só que apenas as famílias com postura aberta e paciência podem transformar as indagações em aprendizado, um dos princípios para quem deseja introduzir questões filosóficas na vida de uma criança.

O filósofo e professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCRS Eduardo Luft, autor do livro infantil Criança Pensa, explica que o estímulo ao novo e à liberdade para perguntar são formas de exercitar a reflexão. Ler histórias, navegar no universo da cultura e conversar sobre atividades do cotidiano, como a escola e a brincadeira com os amigos, são formas de estimular o pensamento.

? Filosofia é um saber que está aberto a novas indagações. Está inserida no espaço do pensamento livre da criança. Deixe o pensar da criança fluir livremente ? aconselha Luft.

Por meio da fala e das explicações dos adultos, a criança vai buscando sentido às perguntas . Assim, os pais podem ensinar que a reflexão permanece durante toda a vida.

? A partir da escuta, pais e mães podem ter interesse de ler os textos dos  filosóficos, que fazem sentido quando percebemos que os filósofos repercutem o nosso viver, fazendo questionamentos semelhantes ao nossos ? diz Sardi.

Na opinião da pedagoga e filósofa Tamara Porto de Ávila, é preciso também organizar o tempo para dar vazão aos questionamentos das crianças. Curiosidades sobre o que é novo para os pequenos podem se transformar em perguntas e em momentos de observação. O passeio no shopping e as atividades “pasteurizadas”, como os videogames e computadores, podem ser substituídos por uma tarde de brincadeiras e conversa dentro de casa.

? Os pais devem ser os responsáveis por conduzir a crítica dos filhos, só que para isso é preciso pensar ? afirma Tamara.

Conto de fadas
Pedagoga e filósofa, Tamara Porto de Ávila ensina que até os contos de fada podem ajudar os pais na hora de explicar ou de instigar a curiosidade das crianças. O segredo seria a linguagem, utilizada para explicar, principalmente, a relação com heróis e heroína, dama e cavalheiros.
? A princípio, todas crianças são boas e puras por natureza. São intuitivas e emotivas. A filosofia vai ajudar a trabalhar valores com as crianças, como amizade e amor ? explica Tamara.

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