Futuro da moda será inspirado na natureza

Sustentabilidade estará presente na criação e na execução das peças

O modelito de amanhã
O modelito de amanhã Foto: Márcia Fasoli, Banco de dados

Por mais diversos e amplos que sejam os caminhos apontados para as próximas temporadas, um consenso é claro: a natureza está no horizonte da moda. Não há quem crie moda, ou pense em criar nas próximas gerações, sem dar atenção à sustentabilidade. A ressalva é unânime e não muda em função do estilo, do público ou do produto final.

As inspirações para as coleções de 2010 e 2011 sugerem o uso da tecnologia para exaltar a natureza, tanto na inspiração quanto na execução das peças. Amenizar o impacto ambiental em função dos processos industriais também é tema de casa para os estilistas. Não só por amor ao planeta, mas por uma mudança consistente e fundamentada de costumes dos clientes, que passam a exigir posturas sustentáveis das grifes que consomem.

Obedecendo a ordem de salvar o mundo, as pessoas deverão vestir nas próximas temporadas – a partir do inverno europeu de 2010 –, peças desenvolvidas sobre três temas: experimentar, evoluir e imaginar. A experimentação trata de surrealismo, excentricidades usadas com senso de humor nas criações, misturando cores intensas com estampas, formas que permitem liberdade de movimentos, contando sempre com a criatividade de quem veste na hora de montar o visual.

A premissa da evolução se refere à relação das pessoas com a natureza, incorporando as belezas naturais ao cotidiano, com suas formas misturando-se à cena urbana. Atualmente, uma das grandes metas da indústria brasileira é a substituição do couro natural por matérias-primas alternativas. Iniciativa que caminha para se tornar praxe nas confecções.

Em processo de aprimoramento, o couro vegetal, que na verdade é um tecido revestido de látex de borracha, deve entrar em produção de larga escala em breve, aguardando apenas uma fórmula efetiva e barata de eliminar o cheiro intenso do material. Há também o couro ecológico – o mesmo couro de boi, mas que passa por processos diferentes de curtimento, em que geralmente substitui-se os metais, como o cromo, por alternativas mais leves, como o tanino vegetal.

Por fim, o conceito da imaginação, um dos mais promissores, já começou a dar seus ares no trabalho dos estilistas mais antenados. Karl Lagerfeld, durante a apresentação do verão 2009 de Chanel, uniu os estilos vitoriano e futurista, misturando rococós a ombros pontudos e tecidos brilhantes. A percepção foi batizada de retrofuturista.

É exatamente esta a função dos inventores de moda – profissionais que mostram em seus desfiles peças aparentemente inimagináveis: lançar a ideia de forma exagerada, bruta, conceitual. Para que, depois de depurada em mãos de outros costureiros, ganhe as ruas sem perder seu conceito inicial.

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