Gabito Nunes, blogueiro gaúcho campeão de acessos, estreia no formato livro

"Amor é comunicação", diz o gaúcho em entrevista

Gabito namora uma mulher que conheceu via blog
Gabito namora uma mulher que conheceu via blog Foto: Divulgação

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Depois de dois anos postando textos sobre amor e relacionamento no blog Caras como Eu, o gaúcho Gabito Nunes, 28 anos, acaba de lançar seu primeiro livro, A Manhã Seguinte Sempre Chega. A publicação é uma compilação dos melhores textos do blog. São pequenas crônicas que relatam todas as fases de um relacionamento, desde a conquista à reconciliação.

O publicitário entrou no mundo da literatura depois de um fim de relacionamento traumático. A criação do blog foi uma forma de desabafo. Hoje, a página recebe mais de 50 mil visitas mensais. E a parte afetiva vai bem: Gabito namora uma de suas leitoras há seis meses e faz planos para o lançamento do segundo livro.


“A Manhã Seguinte Sempre Chega”, de Gabito Nunes Editora Leitura. 238p. R$ 29

Pergunta – O que pretende ao escrever sobre relacionamentos?
Gabito – O que eu estou buscando é que a gente consiga dialogar mais. Dialogar e entender. O homem é muito literal, a mulher é muito emocional. A mulher tem os hormônios gritando junto com o coração e a cabeça. O homem é simplista. O meu trabalho é sobre como manter relações saudáveis, como manter a paixão. Tudo é uma questão de conversar. Amor é comunicação. O que eu quero é perceber, olhar, analisar. Como eu não sou mulher, não preciso jogar. Escrevo o que acho de uma forma extremamente crua, nua, às vezes, até cruel. É para se despir dessa crosta que estamos criando.

Pergunta – Como é um homem escrever para mulheres?
Gabito – É muito difícil. Quando uma mulher escreve para uma mulher e escreve uma coisa crua, ela é aplaudida. O homem pode ser aplaudido ou pisado. Às vezes, gera alguns comentários raivosos. Desperta uma gama enorme de sentimentos difusos e é essa a beleza do negócio. Não é achar que eu estou certo ou que eu entendo, é despertar coisas. Esse é o objetivo.

Pergunta – Muitos homens acompanham o blog. A percepção deles é muito diferente?
Gabito – Fiz uma pesquisa e constatei que 67% do meu público é feminino. As mulheres comentam mais, falam mais sobre o assunto. A partir do momento em que foquei realmente nesse público, tornou-se um desafio ser um homem que escreve para as mulheres e as enaltece em sua sexualidade de uma forma extremamente masculina, e não de uma forma híbrida. As mulheres têm mais receptividade para a literatura de relacionamento. Os homens leem timidamente, sentem-se intimidados por aquelas palavras.

Pergunta – Você deve receber muitos e-mails de leitoras apaixonadas. Como lida com o assédio?
Gabito – Não tem como controlar. É simplesmente algo que aconteceu, não tive essa intenção. Meu trabalho é extremamente literário, não tem nada de autopromoção. Como é raro um homem que não é homossexual falar de sentimento dessa forma, acaba cativando bastante. É interessante essa diversidade de reações. São propostas de casamento, meninas que precisam desabafar e mandam e-mails longos, contando toda a história amorosa delas. São coisas muito engraçadas porque as pessoas acabam te vendo como uma espécie de Messias, como se estivesse ali para aconselhar, como se soubesse tudo. E eu sempre digo, se eu soubesse alguma coisa sobre o amor, talvez não escrevesse tanto. Já houve meninas que chegaram a comprar passagem para Porto Alegre para me conhecer.

Pergunta – O que é amar para você?
Gabito – Às vezes, eu acho que o amor é uma habilidade, não depende de sorte ou de azar. É uma filosofia de vida, quase uma religião. As pessoas que trabalham isso como uma filosofia de vida, não só o amor romântico, a paixão, mas o amor ao próximo, elas estão mais propensas a encontrar alguém. É uma habilidade, um trabalho.

Pergunta – Como a evolução do papel feminino atinge os relacionamentos?
Gabito – Existe uma mudança tanto da mulher quanto da sociedade em si. Nessa história, o amor fica muito em trânsito, as pessoas estão perdidas, experimentando novas sensações. Hoje em dia, é tudo muito rápido. Mas acho que ainda tem na nossa essência essa coisa do amor romântico, ele ainda está muito intrínseco e vai demorar a se dissipar. Os sonhos, as expectativas se renovam. Dificilmente vamos conseguir perder a ingenuidade, o coração puro. A nossa geração ainda é muito associada à ideia do amor romântico, mas alguns conceitos já estão ruindo. Por exemplo, o príncipe encantado não existe mais. As pessoas estão começando a lidar com o defeito das outras. Estamos buscando entender melhor o outro.

Pergunta – E o homem, como fica?
Gabito – Ele procura um novo papel nessa situação. Antigamente, a função do homem era mais definida. Hoje, ele não sabe muito para que serve e, muitas vezes, está ouvindo que não serve para muita coisa. É uma transformação: o homem está buscando o seu espaço. Mas existe também o fato de eles começarem a usar isso como desculpa. A afirmação “eu tenho medo de mulher moderna” virou uma frase feita, uma desculpa. É um jeito de dizer que o problema não sou eu, é você.

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