Gaúchos são os que menos se casam

Enquanto o Brasil experimenta uma alta no número de uniões, moradores do Estado preferem oficializar menos as relações

Marca Osklen tem tecidos ecológicos de látex natural
Marca Osklen tem tecidos ecológicos de látex natural Foto: Osklen

Os brasileiros estão subindo mais ao altar – os gaúchos, menos. Na contramão da tendência nacional, que registra crescimento de 37,4% no total de casamentos na última década, o Rio Grande do Sul teve variação de apenas 4,9% – e alcançou a menor taxa entre os cinco Estados que tiveram queda.

Os dados fazem parte das Estatísticas do Registro Civil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e indicam que, se o amor não aumentou, ao menos está sendo mais oficializado no país. Apenas entre 2007 e 2008, as uniões formais cresceram 4,5%, tendo no Acre e no Espírito Santo os Estados mais casamenteiros, com taxas de 12 e nove uniões a cada mil habitantes, respectivamente. Fiel à tradição oposicionista, o Rio Grande do Sul lidera o movimento contrário. Ao lado de Mato Grosso, Minas Gerais, Sergipe e Piauí, o Estado teve baixa no indicador.

Segundo o IBGE, o crescimento nacional na formalização é impulsionado pela melhoria no acesso aos serviços de Justiça e estratégias como a oferta de casamentos coletivos. No caso do Rio Grande do Sul, especialistas têm diferentes interpretações. Para Ademir Koucher, supervisor de informações do IBGE no Estado, os dados sugerem um aumento no número de uniões informais.

– Isso não quer dizer que as pessoas vivam sozinhas aqui. É mais fácil juntar as escovas de dente do que ir ao cartório, e isso também facilita a separação, porque vai cada um para cada lado – analisa.

A assistente social do poder Judiciário Denise Duarte Bruno, doutora em Sociologia e integrante do Instituto Brasileiro de Direito de Família, discorda, atribuindo a diferença mais a questões legais:

– Nos outros Estados, havia uma grande população à margem, que agora tem acesso, enquanto aqui o acesso à Justiça sempre foi mais alto, a situação está estabilizada. Não quer dizer que tenha aumento das uniões informais, até porque aqui existe uma cultura europeia forte, que valoriza a formalização.

Embora os indicadores detectem outras transformações sociais, como o progressivo aumento na idade do casamento e no total de divórcios, também mostram que determinados papéis culturais resistem: em 88,7% dos rompimentos a guarda dos filhos fica com as mães, o que ajuda a explicar porque os homens divorciados se casam quase duas vezes mais do que as mulheres na mesma situação.

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