Gaúchos trabalham em média 6,5 horas a menos

Estudo mostra que hora semanal dedicada ao serviço no RS recuou de 46,2 para 39,7 em 20 anos

O trabalhador pode até não concordar, mas de acordo com um estudo nacional divulgado ontem, está dedicando menos horas ao serviço. Em 20 anos, no período de 1988 a 2007, a jornada média do gaúcho caiu de 46,2 horas semanais para 39,7.

Trata-se de uma diminuição de 14,1% e é superior à média brasileira, que passou de 44,1 horas para 39,4 – recuo de 10,7%. O levantamento foi feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e tomou como ponto de partida o ano da promulgação da Constituição, quando foi definida a redução da carga de trabalho de 48 para 44 horas semanais.

Com a queda mais significativa, o Rio Grande do Sul passou da quinta posição entre os Estados com maior jornada média, em 1988, para a oitava, junto com o Espírito Santo. E puxada pelos gaúchos, a Região Sul também perdeu a liderança para o Sudeste e o Centro-Oeste.

Essa troca de posições não é necessariamente negativa. Segundo o Ipea, o recuo no sul do país pode ser explicado pela importância do campo na economia dos três Estados. Foi justamente a agricultura que apresentou a maior retração entre as demais atividades, passando de 45,6 para 33,6 horas semanais, queda de 26,3%.

O presidente do Ipea, Marcio Pochmann, observou que a maior proteção social dos trabalhadores rurais idosos pela aposentadoria a partir de 1988, assim como a diminuição do trabalho infantil, impactaram os números do setor.

– Também houve avanço tecnológico com a mecanização da lavoura – acrescentou Pochmann.

Em relação aos dados nacionais, o estudo verificou o aumento do número de trabalhadores que fazem hora extra e dos ocupados com jornada mínima, situações que contrariam o sentimento de melhora nas condições de trabalho no Brasil. O país registrou crescimento de 166% no número de ocupados pelo tempo mínimo, de até 19 horas, e de 45% na quantidade de trabalhadores que excedem as 44 horas e fazem hora extra.

– Isso mostra que o Brasil, além de repartir mal a riqueza, reparte mal o tempo de trabalho – disse Pochmann.

Para o economista Cássio Calvete, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a maior presença desses extremos pode ser vista como um avanço de condições precárias de trabalho.

:: Os resultados da pesquisa

Menos estudo, menor a carga

Quanto menor é o tempo de estudo, maior foi a queda na jornada.

Quem tinha até um ano de escolaridade em 1988 trabalhou em média 44,2 horas semanais. Em 2007, caiu para 36,2 horas. Para os que tinham acima de 11 anos de educação formal, a jornada passou de 40,2 horas para 39,7 no período.

Homens têm jornada maior

A jornada de trabalho das mulheres é menor do que a dos homens – mas o estudo não inclui a carga dedicada ao lar.

Conforme a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a jornada do sexo feminino passou de 39,5 horas para 35,1. A do masculino recuou de 47,4 horas para 42,6.

Patrão destina mais tempo

Pela pesquisa, quem mais sua a camisa é o patrão, e não o colaborador. Enquanto o empregado trabalhou em média 40,3 horas por semana no país, em 2007, o empregador despendeu 48,1 horas cuidando de seu negócio.

Em 1988, a situação era semelhante: o dono dedicava 51,5 horas, enquanto o funcionário, 44,3 horas.

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