Ginecologistas esclarecem mitos e verdades sobre a endometriose

Problema atinge de 6% a 10% das mulheres entre 25 e 35 anos

Atividades físicas e alimentação correta ajudam a amenizar as cólicas
Atividades físicas e alimentação correta ajudam a amenizar as cólicas Foto: Cezar Freitas

Uma das principais causas da infertilidade feminina na atualidade, a endometriose afeta entre 6 e 10% das mulheres entre 25 e 35 anos e está, em grande parte, ligada ao stress e a conflitos emocionais característicos da vida moderna. Fonte de dúvidas e anseios, a doença é séria e merece atenção, mas o pânico em torno de alguns mitos criados é desnecessário, de acordo com os obstetras Mauricy Bonaparte e Roberto Tasselli, que compõem o corpo médico do Hospital e Maternidade Santa Joana.

Sobre as causas da doença, há diversas teorias, mas a principal delas é que, durante a menstruação, células do endométrio – tecido que reveste a cavidade uterina – sejam enviadas pelas trompas para dentro do abdômen, realizando uma espécie de caminho inverso. A presença dessas células estranhas no interior da pélvis provoca inflamação, formação de novos vasos sanguíneos, fibrose e distorção anatômica, causando a doença. Também há evidências sobre o fato de a endometriose ser uma doença genética e, por isso, mulheres que possuam casos na família devem redobrar a atenção.

Além da infertilidade, outro importante sintoma da endometriose é a dor, que pode se manifestar como cólicas menstruais intensas, dores abdominal ligadas ou não às relações sexuais – 50 a 60% das mulheres com endometriose registram tal sintoma – dores no intestino no período menstrual, ou mesmo uma mistura de todas as mencionadas. Os sintomas podem surgir de forma intermitente ou contínua, em qualquer fase do ciclo menstrual.

Teorias atuais mostram que a endometriose pode surgir no peritônio da região pélvica, nos ovários e no septo existente entre a vagina e o reto. Para todos os casos, o diagnóstico pode ser feito por meio de ultrassonografia vaginal ou de ressonância magnética da pélvis, mas para confirmá-lo em definitivo a cirurgia se faz necessária. A técnica mais usada é a laparoscopia, que permite não apenas visualizar como retirar ou eliminar as lesões com laser ou outros métodos.

Ainda assim, o tratamento clínico da endometriose – que difere conforme o tipo da doença – pode ser iniciado mesmo na ausência da confirmação cirúrgica. Normalmente, os especialistas optam pela associação entre anti-inflamatórios e pílula anticoncepcional de forma contínua, com o objetivo de suspender o sangramento mensal e, assim, buscar possível atrofia do tecido ectópico. Alguns tratamentos preconizam bloqueios hormonais, levando as pacientes para um quadro menopáusico temporário.

– Para o diagnóstico de suspeita da endometriose, o exame ginecológico se faz essencial, ou seja, este é mais um motivo para visitar o ginecologista com frequência mínima de um ano – afirma Mauricy Bonaparte.

– Tendo em vista o fato de a dor forte ser um sintoma importante, também associada a fluxos menstruais muito intensos, há que se atentar para tais suspeitas e procurar o ginecologista para acompanhamento – reforça Roberto Tasselli.

Ambos os médicos explicam que os tratamentos disponíveis hoje apresentam resultados satisfatórios e que a endometriose, quando tratada, não é um impeditivo da gestação.

– Esse é o principal mito que gravita em torno da endometriose atualmente e que precisa ser desfeito – complementa Tasselli.

Vale ressaltar, inclusive, que uma das opções de tratamento da endometriose é a própria gravidez, uma vez que serão, aproximadamente, 14 meses sem menstruação, somados a doses altas de progesterona, produzidas pelo próprio organismo materno e à atrofia de todas as células endometriais em locais indesejados.

Fonte: Hospital e Maternidade Santa Joana

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