Globo festeja 60 anos da novela no país com remake de “O Astro”

Novela Janete Clair não foi a primeira novela do Brasil, mas marcou a história por sua popularidade

Francisco Cuoco fez o protagonista Herculano Quintanilha na versão original de "O Astro" em 1977
Francisco Cuoco fez o protagonista Herculano Quintanilha na versão original de "O Astro" em 1977 Foto: Divulgação

Não é por acaso que a Globo escolheu fazer um remake de O Astro, novela exibida em 1977, para comemorar os 60 anos da novela no Brasil. O folhetim de Janete Clair chegou a superar até mesmo a audiência dos jogos da Seleção Brasileira na Copa de 1978, na Argentina. A festa oficial, porém, será só em dezembro. Afinal, foi no dia 21 de dezembro de 1951 que foi ao ar a primeira telenovela do país, Sua Vida Me Pertence, na TV Tupi. Sendo assim, para comemorar este aniversário e inaugurar o horário das 23h de novelas, a Globo escolheu a escritora carioca para ser homenageada.

Pois enquanto a novelista Janete Clair (1925 – 1983) folheava os jornais cariocas e decidia o futuro dos personagens de O Astro de acordo com as notícias que estampavam os noticiários, o governo assinava a lei que regulamentava a profissão de ator no Brasil. Daniel Filho, diretor do folhetim, assim como outros artistas, foi comemorar a conquista em Brasília. Assim que chegou ao plenário, ele constatou: O Astro estava mexendo com todo o Brasil, inclusive com a classe política de primeiro escalão. Especialmente com o presidente Ernesto Geisel. Poucos sabiam, mas ele não perdia um capítulo da telenovela.

E, claro, assim que pôde ficar sozinho com Daniel Filho, Geisel perguntou:

? Diga uma coisa: ‘Quem matou Salomão Hayalla? ? Discreto, Daniel respondeu:

? Isso é segredo de Estado. E disso sei que vocês entendem.

O presidente ficou sem saber. O elenco não recebeu informações privilegiadas. E Janete Clair fomentou na dramaturgia brasileira o primeiro grande mistério em torno de um crime.

Onze anos depois, o autor Gilberto Braga teve seu mérito com o ‘Quem matou Odete Roitman?’, em Vale Tudo (1988). Mas a fórmula de sucesso, tão repetida ao longo dos anos na teledramaturgia, começou com Janete, a única autora até hoje a conquistar 100 pontos de audiência com uma novela ? nesse caso, em Selva de Pedra (1972).

Nesta terça, a partir das 23h, a emissora estreia o remake de O Astro. Com a mesma sinopse da década de 70, com Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro adaptando e doses de flashback. Francisco Cuoco, que viveu o protagonista que dá título à trama, aparece, agora, como um conselheiro do novo Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi).

Enquanto isso, Daniel Filho, depois de 14 anos sem atuar na TV ? o último trabalho foi na série A Justiceira ?, vive o milionário Salomão Hayalla. E ele vai morrer? Sim. O assassino, porém, será outro. De resto, o enredo será quase o mesmo.

? Não há razão para mexer no que já foi sucesso ?, diz Alcides Nogueira.

O que promete balançar o remake é a participação de Cuoco. Na trama, Herculano (Rodrigo Lombardi) convence o povo da cidadezinha de Bom Jesus do Rio Claro a fazer uma reforma na igreja local. Depois que arrecada a grana para a obra, ele tenta fugir. O golpe, porém, dá errado e Herculano acaba preso. Na penitenciária, no entanto, tem a sua vida mudada.

Lá, conhece Ferragus (Francisco Cuoco), uma espécie de rei do presídio, com quem aprende astrologia, vidência e telepatia, o que fará dele uma espécie de show man da mágica e arrebatador de corações. Entre eles, o da ricaça Amanda (Carolina Ferraz).

? Isso tudo me deu uma nostalgia. Mas deixei o Rodrigo (Lombardi) livre para criar ? diz Cuoco.

Rodrigo confirma:

? O Cuoco é um gentleman.

Alcides completa:

? Será outro grande personagem.

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