Glúten é dispensável na dieta diária, afirma nutricionista

Cerca de 1% da população sofre de intolerância à substância

O glúten é uma proteína encontrada em cultivos de ampla distribuição como trigo, aveia, centeio, cevada, além de estar no malte de cereais
O glúten é uma proteína encontrada em cultivos de ampla distribuição como trigo, aveia, centeio, cevada, além de estar no malte de cereais Foto: Tatiana Cavagnolli

O glúten é dispensável na dieta diária de todas as pessoas, tanto as que sofrem de intolerância à substância, quantos as que podem consumi-la. É o que afirma a nutricionista Flávia Morais. Segundo ela, não é só o celíaco, quem sofre da doença, que se beneficia ao não ingerir produtos que contenham glúten. Pesquisas sugerem que a ingestão frequente de grandes quantidades da proteína por pessoas hipersensíveis afeta a função normal do cérebro e pode causar sintomas imunológicos e intestinais.

Um estudo divulgado em 2009 afirma que cerca de 1% da população ocidental tem intolerância ao glúten, mas os números vêm aumentando. Apenas no Brasil, seriam quase 2 milhões de pessoas com a doença celíaca. Para deixar essa população bem informada, no Brasil, as embalagens de alimentos precisam conter avisos sobre a presença de glúten.

O glúten é uma proteína encontrada em cultivos de ampla distribuição como trigo, aveia, centeio, cevada, além de estar no malte de cereais.

A nutricionista explica que esses sintomas, quando não são imediatos, podem se manifestar até quatro dias depois da ingestão do alimento, e de maneira crônica. Segundo ela. os mais comuns relacionados ao glúten são constipação intestinal, rinite, asma, artrite, prurido, bruxismo, dermatite, acne, além de alterações de humor, ansiedade, depressão e síndrome do pânico.

? Por esse motivo é importante reparar e se possível anotar como nosso corpo responde após a ingestão de determinados alimentos.

No caso do glúten, um grande número de pessoas observa que os sintomas são atenuados e até desaparecem com a retirada do alimento alergênico.

A profissional sugere uma dieta sem glúten para pessoas que não são celíacas, para verificar se a exclusão do glúten da alimentação proporciona melhoria nos sinais e sintomas apresentados.

? Vale lembrar que não é uma dieta com a finalidade de perda de peso, mas que o mesmo pode acontecer devido ao melhor funcionamento do organismo sem a exposição ao alimento alergênico ?, esclarece a nutricionista. O glúten não é um nutriente essencial para a saúde e a sua retirada da dieta não causa prejuízos, o que gerou um aumento na procura por alimentos sem glúten nas prateleiras.

Passo a passo da dieta

Em pessoas que não são celíacas, mas que apresentam problemas de constipação, flatulência, artrite, coceiras pelo corpo, enxaquecas, alterações de humor e ansiedade e que ingerem glúten com freqüência, a sugestão é restringir o consumo desses alimentos para observar se há melhora dos sintomas.

A restrição ao glúten deve ser feita pelo período de duas semanas a 40 dias. Nesse período, não se deve ingerir qualquer alimento que contenha glúten em sua formulação.

Após o período de exclusão, o glúten deve ser reintroduzido na dieta, em três refeições, num mesmo dia. Depois, volta-se a excluir o glúten da dieta e observa-se se nos quatro próximos dias os sintomas indesejados se manifestam novamente. Se for identificada a melhora nos sintomas, a sugestão é persistir na dieta sem glúten ou, no máximo, fazer a ingestão de alimentos com glúten uma vez a cada 4 dias.

Durante o período de exclusão, trigo, aveia, centeio e cevada podem ser substituídos por arroz integral, trigo sarraceno, quinua, amaranto, soja, milho e tapioca, além de tubérculos como a batata, batata doce, mandioca e inhame.

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