Grupo busca alternativas para reduzir morte de neonatos

Cerca de 65% das mortes em crianças de até um ano de idade ocorrem no período neonatal

A exposição do neonato à dor tem sido objeto de preocupação dos profissionais de saúde do mundo todo
A exposição do neonato à dor tem sido objeto de preocupação dos profissionais de saúde do mundo todo Foto: Andréa Graiz

Na Escola de Enfermagem (EE) da USP, o grupo de pesquisa Enfermagem e Cuidado Neonatal busca alternativas para a redução da mortalidade no grupo dos neonatos (bebês com zero a 28 dias de vida).  Os pesquisadores, coordenados pela professora Amélia Fumiko Kimura, da EE, estudam formas de controle da dor no pós-operatório, cuidados nos tratamentos que envolvem acessos venosos e no desenvolvimento de modelos de atendimento aos recém-nascidos e suas mães.

“Apesar dos avanços ocorridos na tecnologia de suporte de vida, cerca de 65% das mortes em crianças de até um ano de idade ocorrem no período neonatal”, atesta a professora. Os estudos desenvolvidos pelo seu grupo priorizam três focos temáticos. O primeiro diz respeito ao controle da dor de neonatos no pós-operatório e em outros procedimentos invasivos. Outra abordagem se relaciona ao tratamento dispensado pelos profissionais de enfermagem aos recém-nascidos com relação aos acessos venosos. “Há um vácuo de conhecimento no que diz respeito aos tipos de dispositivos intravenosos para administração dos medicamentos, que proporcionam maior segurança e conforto aos neonatos, mas que demandam capacitação dos profissionais para o seu adequado manejo”.

O terceiro foco de investigação se refere à avaliação do impacto da implementação de modelos de atendimento ao recém-nascido, como o Hospital Amigo da Criança e o Método Canguru. Esses modelos têm como objetivo, respectivamente, incentivar o aleitamento materno e o estabelecimento de maior contato entre mãe e filho.

A pesquisadora Mariana Bueno realizou mestrado e doutorado com orientação do grupo e, em ambos os cursos, desenvolveu estudos que colaboraram para uma melhor compreensão dos problemas dos neonatos. Em sua dissertação de mestrado, apresentada em 2006, Mariana observou a avaliação da dor e intervenções analgésicas farmacológicas implementadas no pós-operatório de uma UTI neonatal de um hospital privado.

Glicose

Já em sua tese de doutorado, defendida em fevereiro deste ano, a pesquisadora comparou o efeito analgésico da oferta oral de glicose 25% com o leite materno ordenhado após submeter os neonatos à punção calcânea no teste de glicemia capilar (teste do pezinho). O resultado mostrou efeito superior da glicose 25% em relação ao leite materno. Entretanto, “vale ressaltar que não se deve descartar a oferta desse leite como medida analgésica. Além disso, a administração do líquido associado a outra medida analgésica ainda deverá ser objeto de futuros estudos”, afirma a professora Amélia.

A exposição do neonato à dor, em especial os que permanecem internados em unidade de terapia intensiva neonatal por tempo prolongado, tem sido objeto de preocupação dos profissionais de saúde do mundo todo. Para concluir a sua tese, Mariana Bueno estagiou por seis meses no Laboratório e Centro de Estudos de Dor, coordenado pela professora Bonnie Stevens da Universidade de Toronto.

Convidada como professora visitante pelo Programa de Pós-Graduação da EE, Stevens cumpriu atividades acadêmicas e de pesquisa na Escola durante o mês de fevereiro. De acordo com a professora Amélia, a parceria estabelecida com o centro de pesquisa da professora Stevens será mantida e futuros intercâmbios entre pesquisadores e estudantes estão sendo planejados. No Brasil, outros pesquisadores estão se dedicando ao estudo da dor em neonatos. O grupo da EE tem estabelecido projetos em parceira com Grupo de Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.

A concepção de novos projetos no grupo da EE dá-se, principalmente, a partir de questões clínicas e problemas identificados por pós-graduandos em suas práticas assistenciais. No entanto, os alunos de iniciação científica também são inseridos nas pesquisas, o que contribui com sua formação profissional. “Buscamos identificar talentos que nos ajudem a transformar a realidade, melhorar as condições de saúde dos neonatos, humanizar a assistência e, concomitantemente, criar espaço e condições para formar uma nova geração de pesquisadores na área de cuidado neonatal”, diz Amélia.

A forma como a população neonatal é tratada repercute em seu desenvolvimento e crescimento. “Os neonatos são considerados de maior vulnerabilidade entre os humanos e, por isso, estudos sobre eles devem ser ética e clinicamente analisados visando evitar expô-los a quaisquer riscos. Assim, desenvolver pesquisas que envolvam recém-nascidos é uma tarefa desafiante”, conclui a professora.

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