Halle Berry: “Eu ainda tenho que batalhar por bons papéis”

Atriz, que esteve no Rio de Janeiro para divulgar sobre seu novo filme, falou sobre a vida pessoal e profissional

Foto: Christian Rodrigues

Aos 46 anos, que não aparenta ter, a bela Halle Berry é uma mulher segura e sincera quanto a sua carreira.

? Há muitos motivos diferentes para aceitar um papel, depende das circunstâncias. Fazer um filme não é um hobby. Às vezes, sou motivada a fazer um filme porque na verdade estou pensando em garantir um futuro para a minha família. Tenho que pagar a hipoteca de casa e a escola da minha filha, entende? ? disse a atriz americana em entrevista a Donna.

Halle vem construindo uma trajetória sólida em Hollywood – apesar de tropeços como os filmes A Senha: Swordfish (2001) e Mulher-Gato (2004). No último dia 9, a oscarizada estrela esteve no Rio de Janeiro divulgando seu novo trabalho: o thriller Chamada de Emergência, no qual encarna uma atendente do serviço telefônico de emergência de Los Angeles que tenta salvar uma adolescente (Abigail Breslin, a menininha de Pequena Miss Sunshine), sequestrada por um psicopata.

Vestindo calça e camisa preta justas, a artista não parecia estar grávida de três meses do ator francês Olivier Martinez – ela é mãe de uma menina de cinco anos, fruto do relacionamento com o modelo franco-canadense Gabriel Aubry. Uma das atrizes mais bem pagas do cinema – especula-se que receba cerca de US$ 10 milhões por filme -, Halle está participando desde a semana passada da superprodução X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, aventura na qual vive pela quarta vez a mutante Tempestade.

? Estou animada de voltar, é uma franquia muito legal. Dá para fazer o filme porque a barriga ainda não está aparecendo. Vai parecer só que a Tempestade comeu hambúrguer demais. Tempestade não vai poder ser muito durona. Não vou poder participar de muitas cenas de ação, nem voar muito, coisas que eu adoro fazer.

Quando o assunto é gravidez, a mãe da pequena Nahla abre o lindo sorriso:

? Foi uma grande surpresa, apesar de que eu não estava evitando. Mas, na minha idade, achava que não era algo possível. Mesmo sabendo que minha filha queria uma irmãzinha, pensava que não era possível. Vou ter o bebê e continuar andando, porque devo voltar a trabalhar no começo do ano que vem, tenho alguns projetos em vista. Na primeira gravidez, fiquei parada por dois anos e fui voltando a trabalhar aos poucos nos dois anos seguintes.

Embaixadora da marca de cosméticos Revlon e segundo lugar no concurso Miss USA 1986, Halle também falou sobre os cuidados com a beleza e com a forma física:

? Tenho certeza de que sou muito mais saudável hoje porque aos 19 anos fui diagnosticada com diabetes. Por causa dessa doença, tive que cuidar da minha alimentação e praticar exercícios para ficar saudável. E essa é uma das razões pelas quais hoje eu possa estar acidentalmente grávida aos 46 anos, de uma forma natural. Eu tomei conta do meu corpo muito bem e acho que minha pele reflete isso. Assim como meu corpo e minha atitude. Então, de uma certa forma, a diabetes foi uma bênção.


Halle no filme: “A ideia do cabelo foi minha”

Entrevista:

Donna – Sua personagem no filme Chamada de Emergência tem um dos trabalhos mais estressantes do mundo. Conte-nos um pouco sobre essa garota.

Halle Berry – Jordan trabalha no centro de atendimento da emergência de Los Angeles, e realmente é um trabalho muito estressante. Os call centers da emergência são como os corações das comunidades. Os trabalhadores precisam pensar mais rápido, fazer várias coisas ao mesmo tempo, ter compaixão. Às vezes pensar por si mesmos e pelas pessoas que estão ligando, pensar pelos policiais. Durante todo esse tempo, ainda precisam manter a calma e não se afetar emocionalmente com o que está acontecendo, provavelmente a coisa mais difícil de fazer.

Donna – Você se encontrou com essas pessoas antes de começarem as filmagens. Foi para fazer algum tipo de laboratório?

Halle – Sim, eu não sabia nada sobre isso. Eu já tinha ligado para a emergência, então sabia o propósito do trabalho deles, mas não sabia onde eles ficavam, quem eram, como faziam, o que faziam. Então, foi um grande processo de aprendizado para mim, e eu passei muito tempo com eles.

Donna – Por que você teve que ligar para o 911?

Halle – Foi uma das coisas mais assustadoras que eu já vivi. Havia um homem cercando minha casa por três dias seguidos. No primeiro dia, ele fingiu que estava perdido, no segundo, disse que estava entregando algo, e no terceiro, notei que havia realmente algo muito estranho acontecendo. Foi daí que eu liguei para o 911. A mulher me disse para eu ficar em um local determinado da minha casa para eu não ser encontrada por ele até que a polícia chegasse. O homem foi embora antes de a polícia chegar, mas eu tive a intuição de que ele voltaria no dia seguinte, porque uma das chaves da minha casa tinha sumido. Ele tinha levado a chave antes de fugir, provavelmente ouviu o barulho dos helicópteros da polícia. Então eu liguei de novo: “Minhas chaves! Eu sabia onde elas estavam e agora sumiram! Ele vai voltar, não importa que demore dois meses, mas vai”. Mandaram então policiais disfarçados para a vizinhança e na noite seguinte ele foi preso rondando minha casa.

Donna – E quem era esse homem?

Halle – Não sei se era um fã. Era um homem que tinha uma ideia do que queria fazer comigo. Acharam uma espécie de livro com ele com coisas terríveis escritas a respeito do que ele gostaria de fazer comigo.

Donna – Você disse que a ideia do cabelo que usa em Chamada de Emergência foi sua.

Halle – Esse meu corte de cabelo ficou muito identificado comigo nos Estados Unidos. Então, toda vez que aceito um papel, fico pensando em que mudanças eu poderia fazer no personagem. O Brad (Anderson, diretor do filme) permitiu que eu fizesse isso. A ideia do cabelo foi minha!

Donna – O que mudou na sua carreira depois de ter ganhado o Oscar por A Última Ceia, em 2002?

Halle – Tudo e nada!

Donna – Tudo e nada?

Halle – Tudo e nada. Tudo, no sentido de eu ter ficado mais conhecida pelo mundo, o que exigiu um pouco de controle. Mas nada, no sentido de que existe um mito de que um dia depois de ganhar um Oscar, todos os papéis bons de Hollywood vêm pra você. Isso não é verdade. Especialmente por ser uma mulher negra, isso realmente não é verdade. Essa é a parte do “nada”. Eu ainda tenho que batalhar por bons papéis e, às vezes, fazer uns não tão bons, porque eram as únicas oportunidades no momento e eu precisava trabalhar. Por isso eu digo: tudo e nada.

Donna – Você foi visionária quando encarnou a atriz negra Dorothy Dandrige em um telefilme porque, depois disso, você se tornou a primeira e única atriz afro-americana a ganhar um Oscar por um papel principal. O que esse prêmio representou para a comunidade afro-americana em Hollywood?

Halle – Bom, eu não posso falar por toda a comunidade… Mas acho que foi inspirador, no sentido de provar que, sendo uma mulher negra, nós podemos atingir nossos objetivos, nós podemos ter sonhos, nos dar conta de que podemos fazer coisas que nos disseram que não podíamos. Mas, quer saber? Nós podemos! Nós nos esforçamos o suficiente, e acho que isso foi inspirador… Muita gente do meu círculo de conhecidos me disse que se sentiu inspirada pelo prêmio, então isso é bom.

Donna – Você vai interpretar a Tempestade novamente.

Halle – Sim.

Donna – O que podemos esperar desse novo filme da saga X-Men?

Halle – Bom, a Tempestade estará grávida! (risos) Isso nós sabemos. Vocês podem esperar, eu acho, sem dar… Eles me matariam se eu falasse muito sobre isso, mas… Teremos muitos X-Men nesse filme, isso eu posso dizer. Tem muitos personagens do passado voltando. Tem novos personagens, jovens e mais velhos, você os vê em diferentes épocas, nós vamos e voltamos no tempo nesse filme, então… Será muito emocionante, eu acho.

Donna – Você é uma atriz muito talentosa, premiada e de sucesso. Mas você também ganhou um Framboesa de Ouro de pior atriz por Mulher-Gato (2004).

Halle – Tenho o pacote completo! Tenho o pacote completo de prêmios. É ótimo!

Donna – Fracassar te assusta, de alguma forma?

Halle – Não é fracassar. Quem disse que é fracasso? Eu não me permito ser definida por um grupo de pessoas que quer dizer que, agora que eu ganhei um Oscar, me sinto melhor que todo mundo. Eles são apenas um grupo de pessoas que decidiu te dar algo. Não significa que é necessariamente verdade. Vale para os dois lados, sabe o que eu quero dizer?

Donna – Sim.

Halle – Eu nunca levei nada disso muito a sério.

Donna – Você já disse que, se não fosse atriz, poderia ter sido jornalista. Por que você escolheria a nossa profissão?

Halle – Bom, enquanto eu crescia, adorava escrever. E eu era muito boa escrevendo, com escrita criativa. Eu amava a mente jornalística, a mente investigativa, descobrir fatos. Eu provavelmente seria uma jornalista de noticiário, se fosse jornalista. E tem vezes, eu preciso admitir, que eu preferiria ter escolhido esse caminho. E tem outras horas que eu fico feliz por não ter feito isso, então… Eu vacilo, de tempos em tempos, mas eu realmente admiro o que vocês fazem.

* Roger Lerina viajou a
convite da Diamond Films

As últimas do Donna
Comente

Hot no Donna