Histórias de ficção influenciam mulheres na hora de usar preservativo, diz especialista

Psicóloga afirma que romances promovem expectativas irreais

Foto: Stock.Xchng

Os romances de ficção têm efeitos na vida real das mulheres não apenas no que diz respeito à idealização dos relacionamentos, mas também na decisão de usarem ou não preservativos nas relações sexuais. É o que afirma a psicóloga especialista em relacionamentos Susan Quilliam na edição deste mês do “Journal of Family Planning and Reproductive Health Care”.

Ela cita uma pesquisa recente que mostrou que, entre os romances de ficção, um em cada dez mencionavam o uso de preservativo entre os dois personagens principais, com a maioria das heroínas das histórias rejeitando o uso porque não queriam “nenhuma barreira” entre elas e o herói.

As leitoras que responderam a pesquisa entenderam que estavam lendo contos de ficção e disseram saber que encontros casuais nunca estiveram livres de risco. Mas havia uma clara relação entre a frequência com que liam os romances e a atitude negativa com relação ao uso de preservativo.

– Não estou argumentando que o romance de ficção é equivocado, errado ou mau – fazer isso seria negar a minha adolescência, bem como os muitos milhões de leitores que inocentemente desfrutam de romances – escreve.

Em algumas partes do mundo desenvolvido, os romances são responsáveis por quase metade de todos os livros de ficção comprados. E, enquanto houver um lugar para o gênero, que pode ser agradável e divertido, essa visão florida das relações não é necessariamente benéfica para as mulheres, afirma Susan.

– Eu diria que um enorme número desses casos que vemos em nossos consultórios é influenciado pelos romances de ficção – ela escreve.

O gênero já percorreu um longo caminho em termos de representar uma visão mais realista do mundo, mas “ainda há uma profunda vertente de escapismo, perfeccionismo e idealização”.

– Claramente essas mensagens contrariam aquelas que tentamos promover – diz ela, referindo-se a representações de sexo mostrando personagens femininas que são “despertadas” por um homem, em vez de estarem no comando de seus próprios desejos.

Os romances também promovem expectativas irreais, com heroínas que sempre alcançam o orgasmo, e sem problemas com gravidez.

– O sexo pode ser maravilhoso e as relações amorosas também, mas nada é sempre perfeito e a idealização é o caminho mais curto para a decepção – ela escreve.

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