Histórias de mães dignas de roteiros cinematográficos

Ativa, romântica, engraçada, dramática, infantil. Não importa o estilo, mãe é sempre especial

Fernanda com o filho Bernardo: "Quando se é mãe, se vive em plenitude"
Fernanda com o filho Bernardo: "Quando se é mãe, se vive em plenitude" Foto: Susane Produções Fotográficas, divulgação

Quantas vezes nos pegamos suspirando ou rasgando elogios a personagens de cinema cuja história nos comove ou nos serve de inspiração? No entanto, tirando o glamour próprio dos filmes de ficção, o fato é que a história de muita gente ao nosso redor – e até a nossa, por que não? – é digna de um roteiro cinematográfico. Em se tratando de mães, então, o que dizer das engenharias para resolver todos os problemas sem deixar de dar atenção à prole? Ou das superações, de mostrar-se alegre e disposta para brincar depois de um dia inteiro de trabalho e correria?

Quer maior emoção do que a que uma mãe sente ao ouvir a primeira palavra dita pelo pequeno, ou o primeiro passo dado? Mais tarde, a lágrima que cai ao ver o filhote juntando as primeiras letras, depois recebendo o primeiro diploma.

Um gesto de carinho, um afago de um filho já são suficientes para fazer marejar os olhos de uma mãe. Do mesmo jeito que um grande problema não abate a alma dessas mulheres que, mesmo longe das câmeras, viram fonte de inspiração e exemplo. Em homenagem às mães, em seu dia, Donna DC conta, nessas páginas, histórias que renderiam concorridíssimos filmes de amor, comédia, drama e tantas outras categorias elencadas pelo cinema. Histórias que certamente se parecem, de alguma forma, às vidas de muitas outras mães.

Romance: Uma verdadeira história de amor

Os olhos de Fernanda Marins marejam quando responde à pergunta: “O que você sonha para o futuro do Bernando?”. Ela nem hesita ao responder:

– Que ele fale.

As lágrimas da mãe romântica refletem qual o valor tem uma palavra vinda do filho, que sofre de um atraso no aprendizado. O nascimento de Bernardo Marins Knabben, há cinco anos, mudou a rotina de quem queria seguir um roteiro bem programado: administrar a loja de sapatos Mercatto, em Blumenau, e ter uma vida feliz ao lado do marido Bernardo Calixto Knabben. Com a chegada do bebê, a reviravolta foi inevitável. Ela deixou de trabalhar por dois anos e hoje é o apoio do menino, que está em tratamento para aprender a falar. Ela se considera romântica por nunca deixar de sonhar, mesmo diante do inesperado.

– Quando se é mãe, se vive em plenitude. Sonho e corro atrás para realizar todos os dias – afirma.

Fernanda voltou a administrar a loja há três anos, mas divide o trabalho com as atividades do filho. Passa as tardes levando Bernardinho para as sessões de fonoaudiologia e outras atividades. Toda a programação dela é pensada no pequeno. Todos os dias, acorda o filho com um beijo e diz: “Eu te amo mais do que tudo na minha vida”. Ele compreende com o olhar, mesmo que não possa retribuir com palavras. Para ela, tê-lo como razão de viver é uma forma de agradecer o que aprendeu com o menino:

– Ele me ensinou a controlar a ansiedade, aceitar as coisas propostas pela vida e amadurecer como mãe e mulher – conclui.

Comédia – Rir é sempre o melhor remédio

Nas festas da escola onde Denise Zeferino trabalha como professora do ensino infantil, ela sempre se destaca com as fantasias mais engraçadas. Se é Carnaval, lá está ela vestida a rigor. Se a festa é junina, não vai faltar o vestido caipira com maquiagem condizente. E não é só a fantasia. Denise não mede esforços para ser a verdadeira “palhaça” que diverte a meninada.

A vida pode não ser lá um filme de comédia, mas, para seus “filhotes fictícios”, que são seus alunos, e para a filha Karoliny, de oito anos, Denise sempre tenta apresentar seu lado mais feliz e de bem com a vida.

Dias atrás, quando fortes chuvas deixaram estragos pela Grande Florianópolis, num fim de semana, a casa de Denise, em São José, fora atingida. Ela perdeu alguns móveis e, naturalmente, na segunda-feira, estava meio desanimada. Mas a injeção de ânimo não tardou:

– Assim que cheguei na escola, dois alunos vieram correndo em minha direção, chamando Dê, Dê…e me deram um abraço bem apertado. Naquela hora eu pensei: as crianças sentem tudo. E, com tantas coisas boas, não vou ficar triste por causa de um móvel ou outro estragado.

Acreditando que, na educação infantil, a premissa básica é ensinar brincando, Denise tenta criar a filha da mesma forma.

– Sempre que a gente pode, está brincando. Nem sempre eu estou disposta, depois de um dia inteiro trabalhando, mas o que eu faço nestes dias é tentar mudar a brincadeira. Sugiro a leitura de uma história, por exemplo.

O beijo do batom, por exemplo, é uma combinação das duas para aqueles dias em que Denise sai tão cedo de casa, para trabalhar, que Karol ainda está dormindo. Ao acordar, a marca do batom no rosto dá à menina a certeza de ter recebido um beijo de bom-dia da mãe.

Denise sabe que, quando karol se olhar no espelho, um sorriso brotará de seu rosto por causa do carinho recebido. Imaginando isso, o dia de Denise já terá valido a pena.

Drama: Eterna busca pela perfeição

Na hora marcada para esta entrevista, a equipe do DC chega à casa de Débora Frutuoso Monguilhott e encontra uma mãe ansiosa. O motivo? Ela não sabe se o filho, Augusto, de 1 ano e 9 meses, deve usar uma camisa social Rauph Lauren ou uma polo da mesma grife para posar para as fotos da matéria.

Essa fonoaudióloga de 36 anos é assim mesmo, sempre ansiosa, sobretudo quando se trata do filho. Débora diz ser uma herança da mãe, que, segundo ela, é a “rainha da dramaticidade”. Daquelas que não permitem que os dois filhos viajem no mesmo carro.

– No início, a minha preocupação era se eu ia conseguir amamentar. Depois, se saberia preparar a comida certa. Depois veio a fase de andar. Eu sempre me questionava se estava estimulando da forma certa. Agora está na fase da linguagem. E sei que vai vir a preocupação com a leitura e que sempre será assim – prevê Débora.

Para amenizar as inseguranças, ela conversa com outras mães.

– Eu acabo me acalmando um pouco.

Augusto frequenta o ensino infantil desde os 10 meses. A adaptação do garotinho foi tranquila, mas a da mãe…

– No início, eu ligava pelo menos duas vezes por tarde para saber se ele tinha chorado, se tinha comido – lembra. – No segundo ou terceiro dia eu já estava chorando.

Hoje, estão todos ambientados à rotina escolar, até porque Débora trabalha à tarde. Mas, quando o pega no colégio, antes mesmo de ligar o carro já lê a agenda com anotações que as professoras fazem sobre a rotina do filho.

– Quero ver o que comeu, quanto comeu, se comeu…

O freio de Débora é o marido, que sempre está ali pra dizer: “Calma, Débora, não é nada”.

Infantil: Uma relação de cumplicidade e muita brincadeira

A qualquer momento, os vizinhos de Cláudia Pires podem encontrá-la correndo com um pé só, na rua. É só Vinícius, de 2 anos e 4 meses, fazer uma manha para ir andando para a escola que a mãe usa a tática da corrida de um pé só. O menino adora essa brincadeira e, assim, acaba indo para o colégio, que fica próximo à casa, caminhando sem nem se dar conta.

Esse é só um exemplo das tantas brincadeiras entre mãe e filho. Cláudia, que é relações públicas e tem 27 anos, hoje se dedica integralmente aos cuidados com o filho. Deixou de trabalhar quando Vinícius nasceu.

– Hoje eu tenho o privilégio de estar com ele – avalia.

– Minha mãe era assim comigo. Lembro que eu era bastante baladeira. E minha mãe era ótima. Eu chegava em casa e ela já estava esperando a mim e às minhas amigas, com um café da manhã, pra nós contarmos os detalhes. Sempre houve muita cumplicidade entre nós. E isso eu quero transmitir para meu filho.

A meta de Cláudia é estar sempre presente, inclusive nas horas de brincar, que são muitas. Massinha, desenho, carrinho, joguinhos. Vinícius sempre tem a companhia da mãe em todos os momentos.

– Sinto falta do meu lado profissional. Sempre fui muito independente. Mas, ao mesmo tempo, me sinto muito feliz por poder completar esse lado do meu filho. Sei que, lá na frente, vai fazer muita diferença.

Ação: O prazer de uma agenda cheia

Enquadrar a vida de Cátia Maria Sprung a uma categoria de filme, só se for um longa de ação. Ela é completamente envolvida com a empresa de confecções que dirige, a Cativa, em Pomerode. Mas ela também ama a maternidade – aos 36 anos e com dois filhos, um de 10 e outro de 12 anos, ela acha que pode exercer o papel de mãe para mais alguma criança. Fora isso, Cátia estuda – faz pós-graduação e curso de inglês.

– Eu sempre tive em mente que, para ser uma mãe perfeita, eu tinha continuar minha vida, fazendo todas as outras coisas bem.

E com essa meta ela segue, todos os dias. Desde que Carlos Alberto, o Carlinhos, nasceu. Na época, já diretora da empresa, ela queria voltar ao trabalho, mas não abria mão de amamentar o filho. Optou, então, por unir as duas coisas. Montou um quarto, dentro da empresa, para o filhote. Lá, ele ficava com a avó, que, nos horários de mamar, chamava Cátia. Assim foi até Carlinhos fazer sete meses.

E mesmo com uma rotina atribulada, Cátia sonhava ter sete filhos. Tanto assim que a segunda gravidez não tardou. Quando Carlinhos tinha nove meses, Cátia engravidou novamente. E com Carlos Otávio, o Tavinho, seguiu a mesma receita. Assim os filhos cresceram. Vendo a mãe de lá pra cá, viajando, trabalhando. No entanto, sempre presente.

Cátia sente prazer em administrar uma agenda cheia. Mas tem momentos pra si. Gosta de massagem terapêutica e a estética, para ela, é uma extensão profissional. Afora isso, faz churrascos no fim de semana, dá banho no cachorro e, claro, tem tempo para namorar. Separada há dois anos, há seis meses tem uma nova relação. E Cátia tem esperanças de que uma cegonha deixe em sua porta uma criança que precise de uma mãe. Disposição ela tem!

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