Homens que acordam várias vezes para ir ao banheiro podem ter doença na próstata

Hiperplasia benigna atinge 80% do público masculino acima de 50 anos

A negligência interfere na qualidade de vida, principalmente para o público masculino, que tem mais resistência em ir ao médico
A negligência interfere na qualidade de vida, principalmente para o público masculino, que tem mais resistência em ir ao médico Foto: Rogerio da Silva

Urgência na necessidade de urinar, dor e sensação de não esvaziamento da bexiga são sintomas de uma doença comum na próstata, a hiperplasia benigna (HBP), que atinge 80% dos homens acima de 50 anos. O urologista Flávio Lobo Heldwein alerta que acordar à noite para urinar não é nada normal.

? Como os sintomas vão piorando lentamente e de forma progressiva, às vezes, e isso pode acontecer por décadas, o homem não percebe nada de errado e levantar à noite tornar-se parte da “normalidade”.

A negligência ao problema também é levantada pelo urologista Sandro Faria, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A doença começa silenciosa, aumentando aos poucos a frequência de urinar. Com o tempo, pode causar dor e a sensação de que a bexiga nunca se esvazia. Casos avançados levam o homem à retenção ou incontinência urinária ou até à insuficiência renal.

? O aumento benigno da próstata sobrecarrega o músculo da bexiga, que vai se enfraquecendo com o passar dos anos e, de uma certa forma, se tornando mais sensível ? diz Sandro Faria.

Flávio Heldwein afirma que, geralmente, existem dois problemas que se correlacionam, a próstata que cresce e a bexiga que, de certa forma, fica enfraquecida e sensível.

Essas alterações na bexiga podem até estar relacionadas com problemas de circulação. Ele cita como exemplo as pessoas com excesso de peso, que nem suspeitam que a gordurinha em excesso possa prejudicar a próstata e a bexiga.

Tratamento

O tratamento é feito com medicamento, mas 30% dos casos precisam de cirurgia para reduzir o tamanho da próstata. Técnicas mais avançadas, com laser, estão se firmando no Brasil. A nova tecnologia não invasiva, chamada de GreenLight HPS, por exemplo, não oferece risco para o paciente e reduz o tempo de internação e recuperação, afirma o diretor da Sociedade Brasileira de Urologia.

O urologista catarinense Flávio Heldwein, um dos primeiros a utilizar a técnica do GreenLight no Brasil, faz a ressalva de que o aparelho é muito eficiente, mas que não substitui a técnica antiga.

? O GreenLight, certamente, não é mais rápido do que as técnicas mais utilizadas. Porém, ele previne melhor a perda de sangue em alguns pacientes com mais riscos de sangramentos, como os cardíacos que usam medicações que afinam o sangue, tipo AAS (aspirina).

Mais informações no blog Saúde do Homem www.donna.diario.com.br/saudedohomem

Como é feito o diagnóstico da HBP?

> É feito pela história clínica e toque retal. O ultrassom e o estudo urodinâmico são necessários em alguns casos.

Quais são as piores complicações da doença? O que acontece com o homem se ele não se tratar adequadamente?

> As complicações impactam na qualidade de vida. Pode levar a uma disfunção da bexiga com incontinência urinária ou retenção urinária. A infecção urinária passa a ser frequente e alguns raros casos podem evoluir para insuficiência renal.

Há alguma complicação nas funções sexuais com esta doença?

> Não há relação direta, mas existem trabalhos que mostram que homens que tratam a HPB têm melhora da função sexual.

A HBP pode evoluir para um câncer?

> Não. São patologias concomitantes, como enfisema e câncer de pulmão.

Há alguma causa definida? Pode ser genético?

> O componente genético é importante. Filhos de pais com HPB têm seis vezes mais risco de ter a doença.

Há prevenção para a doença?

> Diretamente não. Os fatores de risco são genética, tabagismo, obesidade, diabete.

É verdade que homens que tomam uma taça de vinho por dia têm menos propensão ao crescimento da próstata?

> Não existe esse dado na literatura.

Há alimentos que favorecem a saúde da próstata?

> Até o ano passado acreditávamos nisso. Mas um estudo prospectivo e randomizado publicado em 2010 destruiu esse conceito. Tomate, castanha e outras vitaminas não fazem diferença.

Fonte: Sandro Faria, diretor da Sociedade Brasileira de Urologia

Leia mais
Comente

Hot no Donna