Ilha de Hvar é atração do verão no hemisfério norte

Atmosfera medieval, lindas praias de cascalho e areia branca e a eclética variedade gastronômica encantam turistas

Foto: Filip Horvat

Hvar, uma ilha no mar Adriático ao largo da costa dálmata da Croácia, é uma contradição de muitas formas. Como visitante, você pode acordar e caminhar por morros cheios de espinhos até uma cidade fantasma medieval e, quando o sol se põe, beber coquetéis de chá enquanto dança música techno. É uma ilha onde hotéis luxuosos não param de brotar ao longo da costa, mas o equivalente a US$ 30 ainda descola um quarto na casa de uma vovó local.

Quando estive lá, vi um menino de pés descalços, de uns 10 anos de idade, correr até um restaurante com dois peixes enormes que havia acabado de fisgar e ser saudado com gritos de “opa” (“uau” em croata) de funcionários e fregueses. Vi três garotas britânicas com turbantes de grife, batom escuro e sandálias de gladiador divertindo-se em um bar. Visitei uma colônia isolada de artistas e comi lagosta atrás de uma corda de veludo.

Hvar é um destino de veraneio popular há mais de um século e, mesmo assim, parece permanentemente empoleirada no status de próxima grande atração. Beyoncé, o príncipe Harry e Tom Cruise estão entre os visitantes recentes e, no ano passado, a Time Out Croatia publicou uma reportagem de capa intitulada “A ascensão de Hvar”. Agora que a Croácia passou a integrar a União Europeia, Hvar está destinada a ganhar ainda mais popularidade.

Parte da atração é ambiental. Hvar tem clima brando e excelentes praias de cascalho, pedra suave desbotada pelo sol ou areia branca. A ilha é certamente um dos pontos mais ensolarados da Europa.

Ponto central das rotas de navegação pelo Adriático, Hvar se tornou uma ilha fortaleza veneziana no século 16, e sua maior cidade, também chamada Hvar, tem pórticos de pedra calcária branca perolada para provar isso. É onde os iates se reúnem, chegando com a maré alta e descarregando a carga levemente embriagada e bronzeada, que passeia pela praça principal e desaparece pelos becos calçados de pedra.

Na minha primeira noite na ilha, desci por um desses becos até o Konoba Luvij, taverna e adega de dois andares escondida atrás da catedral ao estilo renascentista de Santo Estevão, na ponta leste da praça principal. A Luviji é de propriedade da família Bracanovic, que fabrica vinhos há gerações, e seu posip (um branco revigorante, nativo da Dalmácia) é considerado um dos melhores do país.

Depois de terminar minha refeição, um prato de berinjela assada recheada com polvo fresco, eu parti com meu posip para os degraus de pedra da entrada, onde encontrei um grupo de artistas eslovenos que vem a Hvar todo verão desde a época da Iugoslávia, quando a geração jovem de espírito livre ajudou a dar à ilha a vida cultural que ainda prospera em suas muitas galerias, colônias de artistas e associações musicais.

No dia seguinte, os eslovenos me pegaram no porto e fomos para a ponta norte da ilha, passando por morros ondulados recobertos de pinheiros cercando olivais, vinhedos e campos de lavanda de um roxo prateado que há muito tempo são a principal fonte croata da erva. No limite de Stari Grad, cidade mais antiga e ao norte da ilha, cruzamos uma antiga planície agrícola reconhecida pela Unesco em 2008.

Fundada pelos gregos no século 4 a.C., Stari Grad é um dos povoados mais antigos da Europa e, com suas casas simples de pedra e orla marítima agradavelmente livre de iates, oferece um contraponto tranquilamente gasto pelo tempo em relação ao rebuliço da cidade de Hvar.

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