Imagem negativa de si mesmo é o principal fator que leva alguém a se sentir solitário

Conclusão de pesquisadores chegou após análise de quase mil artigos sobre o tema

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" Foto: Stock Photos, Divulgação

É possível sentir-se só mesmo estando rodeado de pessoas? Segundo cientistas norte-americanos, sim. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Chicago, liderados pelo médico Christopher Masi, chegou à conclusão de que, sem uma boa imagem de si mesma, uma pessoa pode sentir-se solitária mesmo cercada por uma multidão. Buscar companhias, portanto, não seria a melhor forma de combater a sensação de isolamento. A estratégia certa, concluíram os estudiosos, é elevar a autoestima.

Para chegar a esse resultado, Masi e seus colegas ? Hsi-Yuan Chen, Louise Hawkley e John Cacioppo ? analisaram 982 pesquisas sobre o tema realizadas entre 1970 e 2009. Da mostra inicial, o grupo se concentrou nos 156 artigos que forneciam informações relevantes e concretas. Suas conclusões foram publicadas na revista Personality and Social Psychology Review.

? Foi a primeira pesquisa a analisar a solidão de maneira quantitativa. E foi interessante descobrir a relevância no aparecimento da relação entre autoestima e solidão ? conta Masi. ? É bem provável que uma pessoa que não tenha uma imagem boa de si mesma seja alguém solitário ? continua.

Ainda criança, a estudante de audiovisual Julia Maas, 22 anos, descobriu como o espelho pode ser mau.

? Sempre fui muito magra e com o cabelo bem cacheado. Estava longe do padrão das crianças consideradas bonitas”, conta. A adolescência não foi diferente. “Acabava sobrando nas paqueras e tentava me encaixar de alguma maneira. Às vezes alisava o cabelo só para tentar me igualar.

Com isso, Julia se sentia afastada do resto das pessoas. Quando percebeu a solidão em que estava, resolveu agir. Com uma nova postura e ajuda da psicoterapia, ela iniciou um processo de mudança.

? Fiz terapia duas vezes. A primeira vez foi aos 13, por dois anos. Depois, aos 19, quando fiz por um ano. Acho que a terapia foi necessária para mim. Ela me ajudou muito, comecei a ver a minha história de outra maneira ? conta. ? Na adolescência fica uma pressão para arranjar namorado. Mas vi que o problema não estava em mim, mas nas pessoas que não me aceitavam ? continua.

Com o tempo, ela passou a perceber as coisas de forma diferente.

? Mudei minha postura em relação a mim mesma. Adivinha o que aconteceu? Apareceram garotos que se interessavam por mim e fiz amigos verdadeiros. Nunca mais fui sozinha ? comemora a estudante, que hoje tem uma vida social bem ativa, participando do Centro Acadêmico de Comunicação Social da Universidade de Brasília, pelo qual ajuda a organizar atividades para os alunos.

Segundo Christopher Masi, as pesquisas que sua equipe analisou apontam que a terapia é um método muito eficaz para o resgate da autoestima e, consequentemente, para combater a solidão. A doutora e mestra em psicologia Anita Liberalesso vê uma forte ligação entre a imagem que a pessoa tem de si e a solidão.

? Uma pessoa que se desvaloriza e tem culpa, vergonha, arrependimentos em excesso tende a angariar menos ajuda e simpatia. Ela também terá menos habilidades sociais, será menos participante e generosa. Com certeza isso atrapalhará seus relacionamentos ? avalia.

Anita afirma que a solução está dentro de cada um, mas aponta um caminho.

? Mudando as crenças sobre si mesmo, sobre os outros e investindo em comportamentos pró-sociais, a pessoa consegue sair da solidão ? aponta.

Proximidade

Outro aspecto que pode levar a pessoa a se sentir só, de acordo com os pesquisadores norte-americanos, é a dificuldade de estabelecer relações mais próximas.

? Uma pessoa pode conhecer muita gente, mas não ter nenhuma amizade mais forte ? esclarece Masi.

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