Imaginar que está sendo observado por uma mulher compromete performance mental do homem

Capacidade cognitiva é afetada mesmo que não haja qualquer contato com o sexo oposto, revela estudo holandês

Foto: Joerg Sarbach

Que muitos homens agem como bobos diante de mulheres bonitas, muita gente já sabe. Tanto é que o cinema e a TV cansam de explorar roteiros baseados neste fenômeno. Mas um novo estudo, cujo resultado foi publicado na revista “Scientific American”, sugere que o simples fato de antever o encontro com uma mulher já é capaz de comprometer a performance masculina.

Os pesquisadores vêm explorando o prejuízo cognitivo que o homem tem antes e depois de interagir com uma mulher. Um estudo de 2009 demonstrou que, após uma rápida interação com uma mulher atraente, os homens experimentavam um declínio na performance mental. Novos estudos sugerem que a situação é ainda mais crítica: este prejuízo na performance mental parece ocorrer inclusive se o homem simplesmente antecipa a possibilidade de interagir com uma mulher sobre a qual ele pouco ou nada sabe.

A pesquisadora Sanne Nauts e sua equipe na Universidade Radboud, em Nijmegen, na Holanda, fizeram dois experimentos com a participação de estudantes da instituição de ambos os sexos. No primeiro, mediram sua performance cognitiva pedindo-lhes que completassem um Teste de Stroop. Desenvolvido em 1935 pelo psicólogo John Ridley Stroop, o método é uma forma conhecida de avaliar nossa capacidade de processar informações que competem entre si. Numa das tarefas do teste, as pessoas devem dizer, o mais rápido possível, que cores estão vendo, sendo que os nomes das cores estão impressos em matizes diferentes: por exemplo, a palavra azul pode estar impressa com tinta verde. A questão exige muito da capacidade cognitiva, porque nossos cérebros têm dificuldade em processar o significado da palavra sem relacioná-lo imediatamente à cor da tinta em que ela está impressa. Quando as pessoas estão mentalmente cansadas, tendem a completar esta tarefa num prazo mais longo.

Neste primeiro estudo, depois de completarem o Teste de Stroop, os participantes receberam uma tarefa supostamente dissociada daquela que tinham acabado de fazer. Os pesquisadores pediram-lhes que lessem em voz alta uma série de palavras holandesas diante de uma webcam e disseram-lhes que alguém os estaria observando por meio da câmera, atribuindo um nome qualquer, masculino ou feminino, ao observador. Os participantes não sabiam mais nada a respeito do suposto observador, a não ser o seu nome. Depois de concluir a leitura, os estudantes receberam um segundo Teste de Stroop.

A performance das mulheres no novo exame foi igual à do primeiro. Mas, entre os homens que julgaram ter sido observados por uma mulher durante a leitura, o desempenho foi pior nesta segunda parte do Stroop. Seu prejuízo mental ocorreu, portanto, mesmo sem que eles tivessem qualquer interação com a suposta observadora.

O segundo estudo também começou com os participantes completando um Teste de Stroop. Depois, cada um foi levado a acreditar que precisaria, mais uma vez, fazer uma leitura em voz alta, semelhante à do primeiro estudo. Metade achava que seria observada por um homem e a outra metade, por uma mulher. Os estudantes, na verdade, sequer chegaram a fazer a leitura. Mas, depois que lhes disseram que precisariam fazê-la, foram convidados a completar outro Teste de Stroop.

Mais uma vez, a performance das moças não teve diferença, independentemente de elas acharem que seriam observadas por uma mulher ou por um homem na tarefa que não ocorreu. Já entre os rapazes, aqueles que acharam que seriam observados por uma mulher tiveram um desempenho significativamente pior no segundo Teste de Stroop.

A pesquisa de Sanne Naut sugere que, nos dias de hoje, em que é comum as pessoas interagirem sem contato físico ou visual ? ao telefone ou on-line, por exemplo ? os homens podem ter sua capacidade cognitiva prejudicada quando confrontados com o sexo oposto. Embora os estudos realizados por sua equipe não tenham uma explicação para o fenômeno, a pesquisadora acredita que a explicação esteja no fato de o homem considerar toda mulher como uma potencial parceira amorosa. Como todos os jovens participantes das duas pesquisas eram jovens e heterossexuais, provavelmente eles cogitaram esta hipótese tão logo souberam que seriam observados por alguém do sexo oposto.

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