Irmã de Beyoncé segue seus próprios passos

Solange Knowles diz: "Ser irmã dela já me deu uma boa ideia do que não quero que aconteça com a minha vida"

Foto: Casey Kelbaugh

Ela tem cerca de 1 milhão de seguidores no Twitter, mas costuma levar o filho para a escola a pé. Foi entrevistada pela Vogue italiana, mas não é reconhecida quando vai para festas improvisadas em Chinatown, em Manhattan. Passa férias em iates na Europa, mas narra de maneira animada a vez que entrou escondida no restaurante de fast-food Chick-fil-A, em Greenwich Village.
 
Desde que se mudou de Los Angeles para Nova York, no outono passado, Solange Knowles tem levado uma vida dupla. Sua persona pública inclui um bico de DJ em uma festa na loja Ferragamo, na Quinta Avenida, e um seção de fotos para a revista V. Mas sua agenda também inclui assistir a shows de músicos de vanguarda como Grimes em armazéns do Brooklyn e frequentar eventos beneficentes na escola do filho de 7 anos. 
 
– Os carrinhos de bebê não me incomodam, mas a intensidade das mães, sim – disse ela sobre seu novo bairro, Carroll Gardens, no Brooklyn. – Todos fazem muito ioga e bebem muito chá.
 
Mas, enquanto ela se acostuma a Nova York, a sombra de Beyoncé Knowles, sua irmã mais velha, se estende como um arranha-céu. Recentemente, durante um almoço no restaurante Walter Foods, no Brooklyn, Solange Knowles admirava o pátio com uma expressão aliviada. Ela disse que quando jantou lá com sua irmã, alguns meses antes, os clientes não paravam de olhar e de tirar fotos seus celulares. 
 
– A sensação não foi a mesma de agora – ela disse, parando de comer sua salada de carne por um instante para apontar para os clientes cuidando da própria vida.

Ela estava usando um vestido Tucker branco e esvoaçante, saltos altos Alexander Wang e óculos escuros Prada azuis.

– Tenho muito orgulho do sucesso dela, mas eu não conseguiria fazer o que ela faz. Ser irmã dela já me deu uma boa ideia do que não quero que aconteça com a minha vida. 
 
Ao invés de buscar o estrelato, Knowles ganhou espaço dentro da cena indie, como cantora aprovada pelos críticos da Pitchfork, DJ audaciosa e embaixadora da moda, tão confortável na coluna de festas da revista Paper quanto no Tumblr de Beyoncé. O status intermediário de celebridade agrada a moça de 25 anos.
 
Knowles nasceu em Houston, em uma família de classe média alta; seu pai era um bem-sucedido vendedor da Xerox e sua mãe administrava um salão de beleza. Mas, no final
dos anos 1990, o surgimento do grupo Destiny’s Child transformou o clã Knowles em um gigante do entretenimento. Beyoncé virou a estrela, o pai delas o empresário, e a mãe a estilista e coreógrafa. Kelly Rowland, outra cantora do grupo, passou a morar com a família.
 
Solange nunca integrou o Destiny’s Child, mas passou a viajar com o grupo como dançarina substituta ao 13 anos de idade, depois que uma das dançarinas ficou grávida. “O clima era muito ortodoxo, de uma maneira estranha”, ela disse, sobre passar boa parte do ensino médio em turnê.
 
Embora sua mãe lhe pedisse para ter paciência, Solange começou a seguir os passos da irmã, tentando uma carreira como cantora e compositora na adolescência. Nem o seu álbum de estreia (“Solo Star”, de 2003) e nem a sua segunda tentativa (“Sol-Angel and the Hadley St. Dreams”, de 2008) alcançaram sucesso comercial, mas a música parecia
ser um objetivo secundário para ela.
 
Aos 18 anos, ela deu a luz a Daniel Julez J. Smith II, e isso a forçou a fazer uma pausa tanto na carreira quanto nos estudos. Ela casou com o pai do menino, Daniel Smith, e se mudou para Los Angeles, depois para o interior do Idaho, onde ele fazia faculdade. Eles se divorciaram em 2007, e Knowles passou a dividir o tempo entre Houston e Los Angeles, onde ainda tem casas. Mas Nova York a atraía, não apenas pelo fato de sua família hoje morar na Costa Leste, mas também pelas oportunidades profissionais.

– Faz seis anos que tento convencer minha irmã a ir para o Brooklyn – disse Beyoncé. – O lugar tem tudo a ver com a personalidade dela. Ela é muito ligada à moda, e vai acabar se acostumando.
 
De fato, Solange causou uma impressão. No outono, ela se sentou na primeira fila durante os desfiles da Rodarte e da Vera Wang, trabalhou como DJ em uma festa da empresa de cosméticos Rimmel, em Londres, e compareceu aos desfiles de Kenzo e Kanye West, em Paris. Ela chamou atenção por misturar roupas de estilistas com peças vintage, e incorpora cores vivas (geralmente amarelo e roxo) que costumam inspirar pesquisas de aprovação em blogs sobre moda. Em janeiro, ela fechou contrato com a Next Model Management. 
 
– A Solange pode vestir o que quiser – disse Humberto Leon, um dos donos da Opening Ceremony, uma influente butique no SoHo, que já contratou Knowles como DJ em diversos eventos. – Estou gostando de ver sua evolução como ícone da moda. 
 
Brooklyn também é solo fértil para a música indie. Apesar de suas origens no R&B, ela infiltrou o gênero com destreza, recriando uma canção do Dirty Projectors, gravando com o Of Montreal e colaborando com o Grizzly Bear e o Twin Shadow. 
 
– Eu meio que a vi encantando todo o universo indie nos últimos dois anos – disse Alain Macklovitch, DJ que se apresenta com o nome de A-Trak. Quando ele se ofereceu para dar uma aula a Knowles sobre como ser DJ, há alguns anos, ficou surpreso com a variedade do gosto musical dela. – Eu logo percebi que o gosto musical dela era muito mais amplo do que se imagina. Ela estava acima da média.
 
Alguns críticos acreditam que o movimento de Knowles em direção à cena independente é uma reação à fama pop de sua irmã. O blog satírico sobre cultura Hipster Runoff a descreveu como uma “cantora alternativa da bolha hipster” e afirmou, em março de 2011, que “Solange Knowles está em uma busca implacável para encontrar seu nicho no mundinho indie”.
 
Knowles se irrita com a acusação.

– Há sempre um certo mistério quando duas pessoas que cresceram juntas têm interesses diferentes – disse Knowles, sobre sua irmã. – Sou mais nova que ela e, mesmo em um intervalo de cinco anos, há uma grande diferença na maneira como fomos expostas a influências musicais, assim como de moda e de arte.

Apesar de suas vantagens familiares, Knowles ainda carrega uma certa teimosia de irmã mais nova. Embora tenha ajudado a escrever várias músicas da Beyoncé, entre elas “Get Me Bodied” e “Upgrade U”, ela rejeitou qualquer ajuda profissional da sua irmã mais famosa. 
 
– Minha irmã não grava comigo – disse Beyoncé. – Ela é uma mulher independente.

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