Irreverente, Christian Pior faz piada da moda na ficção

Na vida real, o humorista Evandro Santo se diz apaixonado pelo assunto e dá dicas

Evandro Santo se define como "um caipira tentando ser urbano no dia a dia"
Evandro Santo se define como "um caipira tentando ser urbano no dia a dia" Foto: Agnews

Sem papas na língua, Christian Pior chega a qualquer lugar botando banca. Carão, bolsa de grife, óculos grandes, nariz empinado e lá vai o estilista/alpinista social disparar comparações do mundo prêt-à-porter com a moda da 25 de Março ? rua popular de compras no centro de São Paulo.

No entanto, por trás da máscara do personagem que faz sucesso na televisão e nos palcos, o ator mineiro Evandro Santo, 36 anos, dispensa os exageros nada glamorosos de Christian. Apenas uma característica aproxima os dois: a paixão pela moda.

Evandro já foi convidado para opinar sobre o assunto em programas de TV gabaritados.

? Alguns especialistas em moda já me testaram para ver se eu sabia alguma coisa. Outros queriam descontrair o programa com algum comentário meu, supostamente venenoso, maldito ou engraçado ? conta.

Evandro defende com unhas e dentes todos os profissionais envolvidos na criação e produção das peças desfiladas na passarela. 

A seguir, o ator diz o que acha interessante e o que considera over no universo fashion. 

Como o universo da moda faz parte da construção de seu personagem, tão antenado às tendências?
Eu amo e respeito muito o universo da moda. Antes de tudo, a moda gera empregos e dinheiro. Estilistas, modelos, produtores, maquiadores, cabeleireiros, costureiras e outros diversos profissionais se sustentam com esse trabalho. Odeio quando falam que moda é fútil. A moda acompanha o cenário político e econômico e, por que não, espiritual do mundo. A roupa reflete uma época, um período, uma transição. Sempre gostei de observar a moda. O Christian Pior mistura muitas peças que não têm nada a ver uma com as outras. Ele é como aquela pessoa deslumbrada que começa a ter acesso a tudo e não sabe o que usar primeiro. E, na dúvida, coloca tudo de uma vez. O efeito é caótico, divertido, cafona e único. E acaba tendo a sua própria identidade. Sou convidado para eventos de moda porque, humildemente, sei um pouco do assunto. Sei, por exemplo, que Dior é responsável pelo new look no pós-guerra (risos).

Como foi comentar as semanas de moda brasileiras ao lado de especialistas como Lilian Pacce?
Um pouco tenso. Eu acho que poderia ter relaxado mais. E ela também (risos).

Os especialistas te levam a sério ou querem descontrair o assunto moda, visto, por alguns, como um papo cabeça?
As duas coisas. Alguns me testam para ver se eu sei alguma coisa mesmo, como você, por exemplo (risos). E outros querem descontrair com algum comentário meu, supostamente venenoso, maldito ou engraçado.

Você acompanha as semanas de moda pelo mundo?
Gosto de entrar no style.com, gosto do site models, para ver o  ranking dos modelos, sou assinante da Vogue Brasil, compro a Vogue América e adoro as revistas de moda masculina: Hércules, L’oficciel Hommes e a VMAN Issue. Não dá para acompanhar as semanas de moda pelo mundo. Acompanho muita coisa pela internet. Mas, definitivamente, a melhor parte do mundo da moda são os modelos (risos).

O que você acha da moda masculina?
Acho, por exemplo, que o homem brasileiro é um pouco conservador para se vestir. Faltam mais acessórios descolados, mais pulseiras e cintos transados, anéis incríveis. Infelizmente, para ter acesso a um acessório masculino bom, você tem que viajar. Mas isso está mudando. Graças às bandas Restart, NX Zero e Fresno, vem toda uma geração colorida, com óculos divertidos, jeans apertados e cabelos originais. Moro na Rua Augusta (em São Paulo) e eles invadem a minha rua no sábado à tarde. Eu adoro.

Em que mais vale prestar atenção? Coleções, estilistas, modelos
Assisto a um desfile como quem assiste a uma peça de teatro. Olho desde a maquiagem ao cabelo das modelos. O que mais procuro em um desfile é a alegria da coleção. Não quero ser clichê, mas o Brasil é sim um país alegre, baladeiro e divertido. Odeio quando colocam nas passarelas aquelas roupas de mulheres que não transam, aquela roupa intelectualizada demais, sisuda, futurista, chata. Eu acho que você pode fazer o conceitual com alegria. Então, desfiles muito densos, com trilhas muito tristes, eu começo a bocejar. Amo o André Lima, amo a moda praia da Água de Coco, da Paola Robba, as camisetas da Cavalera, o jeans da Iódice e as loucuras do Lino Villaventura. E, por que não, o jeans jovem e sem pretensões da Colcci?

Você acaba de voltar das férias em Nova York. Fez muitas compras?
Comprei muitos acessórios na Armani Exchange, muitas camisetinhas baratas e incríveis a 20 dólares na Zara, camisetas com estampas de super-herói da Marvel e da DC, que eu adoro, e algumas coisas do Marc Jacobs, meu estilista predileto. Para mim, ele é o cara mais descolado que existe no mundo. Um bom vivant da moda.

Quem escolhe seu figurino? Como você definiria seu estilo?
Eu mesmo escolho, misturando roupas do meu guarda-roupas e outras peças que garimpo no brechó. Acho o estilo do Christian Pior escaloafobético, sem noção. O meu estilo pessoal seria “um caipira tentando ser urbano no dia a dia”.

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