Isay Weinfeld apresenta seu primeiro projeto no Sul do Brasil

Arquiteto fala sobre trabalho, projetos, prêmios e o processo de criação de suas obras

Foto: Cristiano Sant'Anna

Ele chega em passinhos curtos, sem alarde, e senta na poltrona reservada para si. Não faz questão de olhares e parece ignorar o fato de que é uma das estrelas da manhã chuvosa de Porto Alegre. Durante o evento de apresentação do projeto do Centro Cultural do Instituto Ling, o nome do arquiteto responsável pela estrutura que fomentará a cultura e o conhecimento no bairro Três Figueiras, a partir de agosto de 2014, é uma das grandes atrações.

O paulistano Isay Weinfeld, vencedor dos mais prestigiados prêmios de arquitetura no mundo e badalado por seus projetos comerciais e residenciais, insiste que o importante não é ele. Os projetos e sua interferência na vida das pessoas, esses sim têm algo a dizer.

Os que privam da convivência com Weinfeld já conhecem o jeitão introvertido e tímido do arquiteto. Quem esperava uma aula de arquitetura durante a apresentação do futuro empreendimento, na última quarta-feira, teve uma decepção.

? Não gosto de falar muito. Então, vou só apresentar o projeto e vocês me perguntam o que acharem necessário ? afirmou, antes de uma brevíssima apresentação de pouco mais de cinco minutos.

Ao final, nenhum fechamento grandioso.

? Bem, é isso. Espero que o resultado final fique bem melhor do que essas imagens em 3D. Pessoalmente, detesto imagens em 3D, acho todas horríveis ? divertiu-se.

Em uma rápida conversa com a reportagem de Donna, logo após a apresentação, ele explica um pouco mais o feitio calado pelo qual é conhecido.

? Eu não tenho a menor importância, não tenho realmente nada a dizer. Espero que o meu trabalho fale por mim.

Ao longo de quase 40 anos de carreira, Weinfeld coleciona os mais cobiçados prêmios de arquitetura: Rino Levi, concedido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, Bienal Internacional de Arquitetura e Mipim AR Future Project Awards em duas ocasiões são os mais conhecidos.

Ele também assina as casas de famosos e espaços comerciais destacados, como os restaurantes e o hotel Fasano, a loja da Forum na Oscar Freire e a Livraria da Vila, em São Paulo. Não há um padrão para a sua obra, mas percebe-se a predileção pelas formas puras quadradas, os ambientes amplos e as grandes janelas, por onde entra parte da luz natural que ele tanto preza.

Mas por que, afinal, o trabalho deste paulistano de 61 anos e origem polonesa conquista tantos olhares e tanto prestígio? Ele explica.

? Minhas casas são sempre a casa do cliente. Respeito o outro e nunca faço a casa que eu quero. É a casa que o cliente quer, do meu jeito. É isso.

Ele diz ainda que jamais moraria nas casas que projeta. O motivo é o mesmo. Faz casas com a cara dos clientes, não a dele. Por isso, seus projetos são adequados aos desejos, à personalidade e às necessidades de quem vai morar, não do arquiteto.

? Sempre digo que sou 5% arquiteto e 95% psicanalista. Acho que minha maior qualidade é ouvir, ouvir, ouvir. Se não consigo começar o projeto, é por que não ouvi o suficiente.

Sobre os prêmios que ganha, Weinfeld garante que não os busca.

? Não tenho ego, prêmio é o que menos me interessa. O cliente é que diz se o trabalho foi ou não bom.

Formado em arquitetura pela Universidade Mackenzie, Weinfeld nunca gostou de ficar restrito simplesmente à arquitetura. Também faz cinema e cenografia. Antes de assumir o projeto do Centro Cultural do Instituto Ling, havia estado no Rio Grande do Sul pela última vez em 1984, quando seu curta Idos com o Vento ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Cinema de Gramado. Nos projetos, não quer fazer somente o desenho dos ambientes. Se o cliente deixar, interfere no projeto de iluminação, paisagismo e ainda desenha os móveis.

? Gosto de tratar os projetos de forma uníssona.

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