Jane Fonda está em São Paulo para lançar “O Melhor Momento”

O fórum do qual participa discute temas como a economia na terceira idade e o consumo

Jane Fonda no evento em São Paulo
Jane Fonda no evento em São Paulo Foto: ANDR

Em algumas semanas – em 21 de dezembro -, Jane Fonda estará completando 75 anos. Ela é a primeira a admitir que não pensava viver tanto. “Minha mãe se matou aos 42 anos, minha família é marcada pela depressão (o pai e o irmão, Henry Fonda e Peter Fonda, são notórios depressivos). Não acreditei, anos atrás, que estava chegando aos 70. Estou viva, nunca fui mais feliz!” Jane Fonda é a prova de que o tempo também é uma construção mental.

>> A editora Mariana Kalil está em São Paulo para o encontro e comentou no blog Por Aí

Ela veio a São Paulo para falar de sua experiências – e lançar o livro “O Melhor Momento” – no Fórum da Longevidade. Em 1988, já esteve em São Paulo, participando do lançamento do filme “Gringo Viejo”, de Luiz Puenzo. A reportagem observa que ela é um milagre. Consegue estar mais bonita. Ela agradece, mas diz – “Custa caro”. O fórum discute temas como a economia na terceira idade, o consumo. Jane parece ter menos do que sua idade, mas assume os próprios limites. “Quando vim aqui da outra vez, corri no parque (Ibirapuera). Hoje, não consigo mais.”

Mesmo assim, está longe de ser uma velhinha. “O importante é se manter divertida e ativa.” A atividade inclui o sexo. Sua receita – testosterona gel. Ela aponta zonas erógenas como as coxas e o baixo ventre. Está pronta para o namorado, acrescenta. E ri.

Sua melhor receita de beleza é a curiosidade. “ê mais importante se manter interessada do que ser interessante”, garante ela. Ninguém permanece número 1 para sempre – nem pessoas nem países. Por um bom período, uns 15 anos, ela se desinteressou do cinema. Voltou a fazer filmes que lhe dão prazer – como “E Se Vivêssemos Todos Juntos?”, em cartaz nos cinemas.

O grande papel é na TV, na série “Newsroom”. Faz uma jornalista tipo Rupert Murdock. Admite que se inspirou no ex-marido favorito – Ted Turner. Conta que, na fase áurea, tinha um trailer gigantesco no set de filmagem. Agora, divide uma baia minúscula com algum outro integrante do elenco. Sua primeira reação foi de surpresa – “Deixei de ser importante”, pensou consigo mesma.

Não é verdade. Está convencida de que a TV, nos Estados Unidos, lida melhor com o mundo real. “Há um mito da eterna juventude em Hollywood. Se você quiser fazer algo que seja artística e socialmente relevante, na América, tem de ser na TV.” Nunca quis ser mito sexual: “Era uma coisa que estava na cabeça dos outros”. Isso a ajudou a envelhecer sem trauma.

Em tudo o que diz e faz, Jane ressalta os aspectos positivos da longevidade. Mas ela sabe que há um lado bem diferente. “Sem dinheiro, com doenças graves, a velhice pode ser um fardo. Um inferno.” Com planejamento, cuidado, garante que não há o que temer. “Acho que é o que estou fazendo. Aceno para o jovem e lhe digo que aqui (na minha idade) pode ser bom.”

Uma boa alimentação, caminhada, ginástica, tudo ajuda, mas nada é mais necessário do que a satisfação interior. “A gente só lamenta o que não faz. Não estou só falando de satisfação física. ê importante dizer a quem você ama o sentimento que tem. Antes me guardava. Agora me derramo com minha filha”, conta ela.

Viajar segue sendo um prazer. Está louca para aproveitar um pouco de São Paulo. Adora altitudes – Machu Picchu a impressionou muito. Ar rarefeito, bichos selvagens, tudo isso a atrai. Embutida está sua mensagem de que também é selvagem. O mundo não a domesticou. A septuagenária Jane Fonda não desistiu de sonhar. E de lutar pelo que quer.

Veste-se de branco, outra atitude positiva. E abre um belo sorriso. Um pensamento de cinéfilo – o tempo passou e Barbarella, como se protegida numa cápsula, nem viu.

Leia mais
Comente

Hot no Donna