Jogar videogame em família pode ser benéfico para pais e filhos

Geração que cresceu jogando Atari e Nintendo agora tem a própria família

"Não foi impedimento!" e "Juiz ladrão!" são apenas alguns dos gritos do médico Diogo Nassif e do filho Henrique ao jogar
"Não foi impedimento!" e "Juiz ladrão!" são apenas alguns dos gritos do médico Diogo Nassif e do filho Henrique ao jogar Foto: Genaro Joner

Jogar videogame é coisa de criança, certo?

Errado. Bem errado.

A geração que cresceu jogando Atari e Nintendo agora tem a própria família, e, adivinha – ainda joga videogame. Mas agora é Wii e Playstation e, claro, oficialmente, o aparelho é dos filhos. Uma pesquisa recente da Entertainment Software Association, que representa a indústria de games nos EUA, não esconde a verdade: a idade média dos gamers é de 37 anos.

Claro, muito marmanjo dentro dessa estatística nem filho tem, mas o fato é que, segundo a entidade, número crescente de pais está se unindo aos filhos na brincadeira – 45% deles dizem jogar com a prole pelo menos uma vez por semana. Outra pesquisa, divulgada em fevereiro, sugeriu que essa é uma ótima ideia, pelo menos para adolescentes mulheres, que se mostraram mais saudáveis que as demais:

– Nosso estudo revelou que meninas que jogam videogame com os pais apresentaram níveis menores de agressividade, internalizavam e externalizavam menos as coisas e eram mais sociáveis. Elas também disseram se sentir mais ligadas às suas famílias – relatou, por e-mail, a principal autora do estudo, Sarah Coyne, da Brigham Young University (EUA).

O médico Diogo Nassif, 45 anos, não é do time dos que cresceram jogando videogame. O negócio dele era botão. Mas desde que experimentou um, em uma festa de Réveillon na virada de 2009 para 2010, ficou encantado. Pouco depois, já tinha três aparelhos diferentes em casa, onde costuma disputar, diariamente, partidas de futebol com o filho mais novo, Henrique Porto Nassif, oito anos. E são horas a fio em frente à tela.

Não são só os dois, porém, que disputam os joystics. A fonoaudióloga Aline Costa Porto, 39 anos, também joga, mas prefere os games de aventura escolhidos pela filha, Marina Porto Nassif, 12 anos. Ela recorda que se aventurou nesse mundo para auxiliar os filhos quando eles não conseguiam evoluir nos jogos.

– Para ajudar, eu precisava entender – explica.

Conversa fiada, segundo Marina:

– É desculpa dela, ela gosta de jogar.

De pai para filho

Era início da década de 80 quando o funcionário público Marcos Scharnberg Neto, 55 anos, comprou o primeiro videogame da família. A princípio, Neto disse à reportagem que havia comprado o aparelho para o filho Rodrigo Scharnberg, hoje com 28 anos, mas, em São Paulo, via Twitter, Rodrigo o denunciou.

– O Atari era do meu pai. Ele comprou dois meses depois que nasci. Encontrei a nota fiscal na casa da minha vó há uns anos, 6/7/1983. Acho que não era para eu jogar – brinca.

Independentemente de quem fosse o dono do videogame, o fato é que as horas passadas em frente à tela significaram muito para Rodrigo. Além de a atividade aproximar os dois, que passaram a morar em casas diferentes após a separação do casal, definiu a futura carreira do guri. Rodrigo acabou se formando em Jogos Digitais e trabalha desenvolvendo games em uma empresa chamada Sulistas, que abriu na capital paulista com um amigo.

– Era mais uma forma de brincar com ele, além de jogar bola – recorda Neto.

Mas o pai não perdeu a parceria. Agora, a companhia para os jogos de videogame é a filha mais nova, Mariana Teles Scharnberg, 12 anos.

– Gosto de competir. Não sei se é bom ou se é ruim, mas ela quer ganhar de mim a todo custo – diverte-se ele.

Neto observa, porém, que há regras para a brincadeira: uma delas é só jogar em fins de semana.

E, claro, quando vai a São Paulo, ele não perde a chance de relembrar os velhos tempos disputando partidas com Rodrigo.

Equilíbrio é fundamental

Jogar videogame com os filhos pode ser muito saudável, como qualquer outra atividade que aproxime as duas partes, aponta a professora Helena Sporleder Cortes, da Faculdade de Educação da PUCRS. Em “companheirismo” é que ganham pais e filhos.

– Toda atividade conjunta entre pais e filhos é importante. Neste caso, os pais podem, ao mesmo tempo, se aproximar e orientar – aponta.

Os pais conseguem mais direito perante os filhos de participar da escolha dos games e, assim, evitar a compra de jogos com conteúdo não adequado.

Helena acrescenta, porém, que, mesmo acompanhada dos pais, a atividade deve ter limites. O tempo gasto com ela, por exemplo, deve ser dividido com outras, especialmente ao ar livre – das quais os pais também devem participar de vez em quando.

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna