Jovens de Blumenau estão cada vez mais altos

Melhora econômica contribui para crescimento médio de sete centímetros em 50 anos

O ideal é evitar gritar muito
O ideal é evitar gritar muito Foto: divulgação sxc.hu

Leonardo Schlickmann cansou de dormir com os pés para fora da cama. Mandou fazer um colchão especial. Também precisou reformular o banco do carro novo para conseguir sentar ao volante. Aos 22 anos, Leonardo mede dois metros – 30 centímetros a mais que o pai. Para ele, ter altura de gigante traz vantagens e desvantagens.

– O bom é que nas festas eu consigo ver todo mundo de cima. Mas tenho dificuldade de comprar colchão – brinca.

Leonardo é um exemplo que comprova o aumento da estatura da população de Blumenau nos últimos 50 anos. Uma pesquisa feita por Luiz Fernando Arena e Ana Soncini, alunos do penúltimo semestre do curso de Medicina da Furb, confirma: os blumenauenses cresceram, em média, sete centímetros nesse período. Através da análise de dados coletados de 600 recrutas do 23º Batalhão de Infantaria, os acadêmicos concluíram que a média de estatura do homem blumenauense nesta década é 1,77m – bem menos do que mede Leonardo, mas sempre mais do que a geração anterior.

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Apesar de não terem aprofundado os fatores que levaram ao crescimento, Luiz e Ana afirmam que o aumento da estatura está relacionado com as melhorias nas condições sanitárias, econômicas e sociais da cidade.

– A média subiu junto com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). As melhorias socioeconômicas refletem na saúde e condições de vida da população. Quanto melhor a condição de vida, mais fácil se atinge o potencial de crescimento de cada ser humano – explica Deisi Maria Vargas, pediatra especializada em endocrinologia infantil e orientadora dos pesquisadores.

A pesquisa mostra que o maior aumento foi registrado na década de 70, quando a média de altura subiu quatro centímetros. Deisi lembra que o Brasil viveu neste período o chamado Milagre Brasileiro, quando o país registrou um enorme crescimento econômico durante a ditadura militar.

– Isso é multifatorial. Em época de guerra, por exemplo, as crianças param de crescer. Nos países nórdicos, onde o IDH é bom, a estatura é estável. As condições de vida permitiram atingir a altura máxima – ensina.

– Na década de 80, Blumenau viveu duas grandes enchentes. O acesso à saúde foi afetado, saneamento e nutrição também. Isso pode ter interferido para a população parar de crescer nesta época – acredita Ana.

Segundo os pesquisadores, não dá para saber se a média de altura física dos blumenauenses continuará crescendo.

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