Lançada há 50 anos, pílula anticoncepcional mudou rumos da história

Segundo Flávio Gikovate, remédio desencadeou mudanças comportamentais e sociais

Psiquiatra Flávio Gikovate "interpreta" o médico do personagem Gerson, vivido por Marcello Antony na novela Passione
Psiquiatra Flávio Gikovate "interpreta" o médico do personagem Gerson, vivido por Marcello Antony na novela Passione Foto: João Miguel Júniror, Rede Globo

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A década de 1960 é marcada por transformações que revolucionaram a sociedade. Há 50 anos, o lançamento de um pequeno comprimido mudou os rumos da história feminina e da sociedade: a pílula anticoncepcional.

Para o psiquiatra Flávio Gikovate, que atualmente “interpreta” o médico do personagem Gerson, vivido por Marcello Antony na novela Passione, o remédio, ao lado da tecnologia, foi um dos principais fatores que desencadearam as mudanças comportamentais e sociais que o mundo tem assistido nos últimos anos.

A emancipação sexual da mulher foi um dos principais impactos do surgimento da pílula. Para Gikovate, a introdução do rock ‘n roll e o apelo da tecnologia também trouxe à tona a importância da individualidade.

? A liberdade sexual, ao lado da emancipação financeira que as mulheres começaram a galgar durante a 2º Guerra Mundial, foram preponderantes para afrouxar a dependência em relação ao homem em todos os aspectos.

Segundo o profissional, a revolução provocada pela pílula pode ser comparada ao significado da 2ª Guerra Mundial para as mulheres.

? Naquela época, a ida dos homens para os campos de batalha forçou as mulheres a ocuparem postos no mercado de trabalho aos quais antes não tinham acesso. Elas passaram experimentar a independência financeira e, mesmo com o fim da guerra, não deixaram de trabalhar fora. Isso tornou a sociedade mais igualitária. 

A carreira profissional dos homens e especialmente das mulheres foi afetada pela possibilidade de programar a gravidez. 

? Poder optar por quando ter filhos abriu para as mulheres as portas de universos profissionais antes restritos aos homens. Basta vermos que há 50 anos, apenas 10% dos alunos de medicina da Universidade de São Paulo (USP) eram mulheres ? reforça.

Ele lembra que em sua turma haviam poucas médicas. Atualmente,cerca de 60% dos estudantes de medicina são mulheres.

Menos filhos: tendência mundial

A taxa de fecundidade brasileira decresceu da média nacional de 6,3 filhos em 1960 para 5,8 filhos em 1970, chegando ao patamar de 2,3 filhos em 2000, segundo o IBGE.

Para o médico, as brasileiras estão seguindo a tendência mundial e tendo cada vez menos filhos. Na Itália, por exemplo, cerca de um terço das mulheres não têm filhos.

? Atualmente, a taxa de fecundidade nacional já está em menos de dois filhos por mulher. Acredito que essa tendência já tenha se consolidado no Brasil.

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