Lázaro Ramos se diverte com o papel de André em Insensato Coração

Em entrevista, ator conta que público sempre questiona atitudes do personagem

Nem José Mayer "passou o rodo" em tantas mulheres, em tão pouco tempo, na ficção
Nem José Mayer "passou o rodo" em tantas mulheres, em tão pouco tempo, na ficção Foto: Márcio Nunes

Há cerca de três meses e meio, estreava Insensato Coração. E já no primeiro capítulo Lázaro Ramos mostrava a que veio na pele do designer André Gurgel: transou com a mulher de um cliente dentro do elevador. Mais de uma dezena de conquistas depois, o cara já é o grande pegador do horário nobre.

Nem José Mayer, com todo o seu respeitável currículo, “passou o rodo” em tantas mulheres, em tão pouco tempo, na ficção. Na pele do grande sedutor, Lázaro Ramos faz sua estreia como galã na TV. Entre elogios nas ruas e críticas na internet, o ator saboreia a novidade na carreira:

? Fico feliz porque meu tipo físico sempre se encaixou nos personagens que fiz, de Foguinho a Madame Satã. Agora, sou o conquistador.

Desde a estreia de Insensato Coração, você tem sido alvo de críticas, que dizem que não convence como galã. O que acha disso?

Lázaro Ramos ? O que os outros acham não é do meu domínio. O que eu acho é que Gilberto (Braga, autor da novela) criou um arquétipo novo dentro da televisão. Fala-se muito “o galã, o galã, o galã”, mas tenho dificuldade de descrever André apenas com uma rubrica. Ele reúne várias características que, numa novela mais tradicional, caberiam em mais de um personagem: ao mesmo tempo que tem um lado bem-humorado, é arrogante, tem medo de constituir família, é um cara de atitude sincera com as mulheres, bem-sucedido, enfim, tem diversos perfis.

E você, já foi mulherengo?

Lázaro ? Já tive uma fase de namorador, no finzinho da adolescência. Era tímido, entrei para o teatro com 16 anos e virei outro. Resolvi recuperar o tempo perdido. Hoje, sou exatamente o cara em quem eu gostaria que André se transformasse: alguém que curte família.

Tanto você quanto o personagem estão vivenciando a paternidade pela primeira vez.

Lázaro ? É curioso: na fase em que André estava tentando convencer Carol (Camila Pitanga) a abortar, foi o texto mais difícil de decorar. Eu vivia na vida pessoal exatamente o outro lado da moeda, querendo ser pai, felicíssimo.

Acredita que a paternidade seja capaz de transformar?

Lázaro ? Acho até que já me transformei! Às vezes, dá vontade de resolver o mundo porque meu filho vai nascer.

Taís (Araújo, mulher de Lázaro) já teve algum desejo de grávida?

Lázaro ? Nenhum! Está sendo a gravidez mais tranquila de que já ouvi falar. Não teve desejo, não enjoou, nada. Nem teve mau humor.

Como tem sido a reação das pessoas nas ruas?

Lázaro ? É a primeira vez que faço uma novela que tem essa reação semanal. Por exemplo, na semana em que André tentava convencer Carol a fazer o aborto, tomei um tapão de uma senhora na rua: “Ah! Você é aquele safado que não quer assumir o filho!”. Pensei: “Ela vai dizer que é piada”. Nada! Virou as costas e foi embora. Na semana da confusão do André com o pai, muita gente veio falar “Tenha paciência com ele, é uma doença”. Agora, o que mais ouço é “Fica com Carol!”

Mas deve ter quem se identifique com o perfil “pegador”, não?

Lázaro ? André é um cara que optou por estar com uma mulher a cada dia, e deixa isso bem claro. Me surpreende uns caras falando: “Pô, sou igualzinho, gosto de pegar geral”. Aí pergunto: “Mas você abre o jogo com elas?”. E eles: “Não vou falar, que não sou otário!”.

E as mulheres? Elas te cantam?

Lázaro ? Numa loja, a mulher falou: “Me pega daquele jeito!”. E faço muito sucesso com as coroas! Tem quem pergunte: “Qual é o perfume que André usa, para a mulherada cair em cima?”. Aí, faço piada: “O segredo é o dendê”.

Você se acha bonito?

Lázaro ? Cresci ouvindo em casa que eu era bonito e inteligente. Então, aprendi a ser feliz do jeito que eu sou.

Você já disse que foi alvo de preconceito racial. Isso mudou?

Lázaro ? É uma questão delicada, porque às vezes eu sinto um olhar estranho, sim, mas como é que vou dizer que foi preconceito? Não tenho como provar. Sinto um certo desconforto em locais onde sou o único negro. Ir a um restaurante com Taís e perceber que somos o único casal negro pode ser muito normal para as pessoas, para mim não é.

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