Leitura com os filhos ajuda a amplia vocabulário e gosto pelos livros

Formar leitores em casa contribui para uma educação de mais qualidade

Instigue as crianças a fazer leituras compartilhadas com os amigos
Instigue as crianças a fazer leituras compartilhadas com os amigos Foto: Fernando Gomes

O calor dissipado pela lareira era para dar conforto à gurizada sentada sobre alguns almofadões. Lado a lado, as crianças de três anos observavam com olhos atentos, quase sem piscar, a história contada pela professora Fabiane.

No conto, uma menina pedia que todos os seres assustadores participassem de sua festa. Foi aí que surgiram bruxas, duendes, dragões. As crianças colocavam a língua para fora, faziam expressão de medo, viajavam no próprio imaginário. Mas uma delas, Arthur de Oliveira Schoenfeld, três anos, se dizia o mais corajoso.

– Eu não senti medo. Minha mãe me conta histórias todas as noites sobre o Batman, o Homem Aranha e o Super-Homem. Eles são fortes e não preciso ter medo – disse o menino.

A ousadia de Arthur e o português bem articulado para a idade são resultados de um exercício de atenção e paciência dos pais: eles têm o hábito de ler para o filho. Com a atividade, além de o menino entrar em contato desde cedo com o mundo das letras, ele tem despertado o gosto pela leitura, e a imaginação fica cada vez mais desenvolvida.

– Os pais são um modelo e podem ser capazes de criar este hábito saudável da leitura desde cedo – explica a pedagoga Ana Cristina da Silva Rodrigues, doutora em Educação e professora da Unisinos.

Quem reserva alguns minutos do dia para se dedicar a ler em voz alta para os pequenos – seja livro, jornal, revista ou gibi – ajuda-os a situá-los no mundo, a ampliar o vocabulário e a desenvolver a oralidade, afirma Maria Isabel Dalla Zen, professora da Faculdade de Educação da UFRGS. Nesse mundo novo que vai se construindo e melhorando até mesmo a relação e a interação entre pais e filhos, é importante fazer circular uma variedade de temáticas, colocando à disposição diferentes assuntos para as crianças pensarem de forma mais ampla.

– Em vez de ficar insistindo com elas, os pais podem convidá-las a ouvir as histórias. Deixe que as crianças escolham o que querem ler ou ouvir. Organize um ambiente de leitura, de forma natural, fazendo convites que tenham sucesso – ensina Maria Isabel.

Formando novos leitores dentro de casa, os pais contribuem para uma educação de maior qualidade, dentro e fora da escola. Assim, os pequenos demonstrarão cada vez mais autonomia, desejo de entender o mundo, criatividade e bom vocabulário.

Ler é uma diversão

A primeira lição é simples: se o pai e a mãe não têm o costume de ler, dificilmente as crianças terão o gosto pela leitura. A família é e sempre será um exemplo para os pequenos, que tenderão a imitar as atitudes dos adultos.

Dentro e fora de casa, instigue as crianças a fazer leituras compartilhadas com os amigos e incentive-as a pensar sobre as imagens e os textos que lhes são oferecidas.

Abaixo, estão outras dicas e informações selecionadas por especialistas entrevistados e que poderão ajudar a aguçar a curiosidade e o desejo pelo conhecimento por meio da palavra impressa.

Facilite o acesso aos livros

Criar o prazer pela leitura não é tarefa difícil e exige certo comprometimento e paciência dos pais, afinal, é na escrita que estão temas sobre o pensar, o agir e a cultura da sociedade em que vivemos.

O acesso a materiais escritos, como livros, revistas, jornais e gibis, deve ser facilitado para que as crianças tenham pelo menos curiosidade de conhecer o que está disponível e para se familiarizar com as letras – elas não precisam saber ler e escrever para entrar em contato com estes materiais. Ler em voz alta para o filho é essencial para aproximá-lo do gosto pela leitura. Mostre o livro ou o jornal para ele, assim como as figuras, e solicite depois para que ele reconte a história.

Você perceberá que, aos poucos, a criança vai entrando em contato com o jogo de palavras, próprio da literatura e de outras formas, e será até mesmo capaz de recontar casos muito semelhantes ao ouvido. Um exemplo recorrente é a incorporação do “era uma vez” no vocabulário das crianças.

Outra estratégia é oferecer aos bebês livros de pano ou de plástico e borracha (para o banho) para que eles comecem a ter contato com os livros. Nas horas de lazer, se quiser agregar uma saída de casa com a leitura, faça uma visita a livrarias, bibliotecas e feiras de livros e deixe as crianças conhecerem os diferentes formatos, tamanhos e cores dos livros.

Instigue a curiosidade pelos livros

Na escola, a leitura deve começar desde a educação infantil. É essencial que os pais confiram se a instituição tem um projeto de leitura e se há livros disponíveis para uso em sala de aula ou em casa. Pais que acompanham o andamento da leitura na aula dos filhos conseguem perceber melhor os avanços.

– O incentivo é importante desde cedo porque as crianças constroem seu próprio mundo, seus significados e buscam, assim, alternativas práticas para a vida – afirma Adriana Becker Echeveste, coordenadora pedagógica da Escola Moinho.

Outra dica é na hora de comprar presentes para os pequenos: não se esqueça dos livros para crianças. Instigue-as a descobrir o conteúdo da publicação e leia para ela antes de dormir ou em momentos de folga. Isso aproxima muito pais e filhos, além de despertar o prazer pela leitura e desenvolver a imaginação das crianças.

Fontes: pedagoga Ana Cristina da Silva Rodrigues, doutora em Educação e professora da Unisinos, e Maria Isabel Dalla Zen, professora da Faculdade de Educação da UFRGS

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