Leque de celebridades em defesa de causas ambientais ainda é discreto no Brasil

No Exterior a onda de famosos em prol do meio ambiente é maior e mais antiga

Top mais bem paga do mundo era criticada no início da carreira
Top mais bem paga do mundo era criticada no início da carreira Foto: Divulgação

Não é de hoje que os holofotes das celebridades encontraram a preocupação ambiental. Mundo afora, músicos, atores e modelos usam palcos, passarelas e entrevistas para mostrar o que querem fazer em nome do verde. Desde ações pela proteção dos animais até a preocupação com o mundo marítimo, os recursos energéticos e a desigualdade social.

Antes de anunciar uma parada temporária, na semana passada, a banda norte-americana Pearl Jam lançou uma música e um vídeo voltados à preservação dos oceanos. Disponível para venda no iTunes, toda a renda angariada com Amongst the Waves nos EUA será destinada para a Conservation International’s Ocean Campaign. O Pearl Jam é pioneiro em várias iniciativas de ativismo artístico. Antes de o assunto virar tendência, a banda começou a agir para compensar as emissões de carbono de suas turnês, lá em 2003.

A lista de nomes internacionais preocupados com o socioambiental só cresce. Ainda na década de 90, o rei do pop, Michael Jackson, reservava parte de sua agenda para o social. Bono Vox, Robert Redford, Alanis Morissette, Gisele Bündchen e Harrison Ford também se dedicam à defesa do planeta. São nomes que aproximam o verde das pessoas e ajudam a dar visibilidade a problemas que ainda buscam solução.

Ações tímidas entre brasileiros

Quando se olha para o Brasil, no entanto, a lista de engajados é mais escassa. Se na área social proliferam-se projetos de artistas para assistência e desenvolvimento de crianças e adolescentes, quando o assunto é ambiente, as ações parecem estar apenas começando. Dos alimentos orgânicos do ator Marcos Palmeira até a campanha Amazônia Para Sempre, dos atores Christiane Torloni, Juca de Oliveira e Victor Fasano, é difícil encontrar representantes. Uma das explicações, segundo o antropólogo e professor da PUC-Rio Everardo Rocha está nas diferenças históricas entre Brasil e países da União Europeia ou dos EUA.

– Uma aura mágica envolve nossas riquezas naturais, reforçando a ideia de que “aqui tudo dá” e que, assim, não é preciso preservar – diz.

A ideia do antropólogo é de que povos que têm na memória a ideia da construção efetiva do seu país, como os EUA, entendem mais que, assim como o começo, o declínio também passa pelas mãos do homem. O fato do poder de compra dos brasileiros ter crescido também pode ser uma das razões para a divulgação de práticas sustentáveis por artistas ser discreta por aqui. A evolução disso, é cultural e, portanto, demanda tempo.

– Hoje, o efeito das ações das celebridades deve atingir apenas um nicho mais sofisticado da população brasileira – sentencia Rocha.

> Harrison Ford: vice-presidente do Conservation International, venceu o Global Environmental Citizen Award em 2002.

> Alanis Morissette: é ativa na campanha contra o derramamento de óleo no Alasca. Recebeu o prêmio Environmental Media.

> Marcos Palmeira: produz alimentos orgânicos em sua fazenda, que é referência em sustentabilidade.

> Robert Redford: 30 anos no Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, criador do Sundance Preserve.

> Gisele Bündchen: Embaixadora da Boa Vontade para o Meio Ambiente da ONU, mantém site com dicas de atitudes que ajudam o planeta.

> Bono Vox: o vocalista da banda U2 é referência em ação social. Recentemente propôs 10 ações para transformar o mundo na próxima década.

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