Lifting da ministra questiona a relevância da aparência para o sucesso

Dilma Roussef começou a preparação para a corrida presidencial com cirurgia facial

Dilma Roussef fez lifting facial para passar uma imagem mais leve
Dilma Roussef fez lifting facial para passar uma imagem mais leve

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está circulando com visual novo em 2009. Aproveitou os recessos de final de ano para submeter- se a um lifting facial ou ritidoplastia. O procedimento é indicado para pacientes que apresentam queda ou alteração dos contornos da face e do pescoço. No caso de Dilma, as áreas rejuvenescidas foram as pálpebras o pescoço e os contornos faciais. O novo visual exibido pela ministra pela primeira vez na segunda-feira passada, durante a abertura da Couromoda, em São Paulo, estimula uma reflexão sobre a relevância da (boa) aparência para o sucesso pessoal e profissional. No caso de Dilma, essa mudança, ao que tudo indica, tem a ver com a expectativa da campanha para a próxima disputa presidencial em 2010. A idéia é apresentar aos eleitores uma aparência mais leve, menos sisuda. Tudo em prol da vitória nas urnas.

Ivo Pitanguy, o cirurgião-plástico responsável por colocar o Brasil no mapa dos países que servem de referência mundial sobre o assunto, diz que o essencial na hora da mudança é satisfazer o desejo da paciente e não a opinião de quem a cerca:

– A motivação deve vir de quem quer mudar e não dos outros – alerta. – Se a paciente se sente melhor submetendo-se à cirurgia, então a intervenção é legítima e muito bem-vinda. Pitanguy aprova a mudança de Dilma:

– O resultado foi muito positivo – atesta. Ele faz questão de ressaltar que todo o cuidado é pouco com os exageros.

– Quando você está em paz com o seu semblante, é muito legítimo querer manter a naturalidade, que deve ser apenas aprimorada com uma cirurgia de correção estética porque, do contrário, acaba ficando desproporcional.

Exige-se boa aparência

Juliano Corbellini, cientista político integrante da Coordenação de Marketing da campanha da deputada federal Manuela D’Ávila à prefeitura de Porto Alegre, explica que o processo eleitoral mobiliza, em primeiro lugar, sentimentos – como esperança e desejo de renovação. Logo, existe uma preocupação em se conectar com o eleitor e despertar nele sentimentos bons. E isso se dá especialmente pela imagem, e não através da beleza. A mudança de visual da ministra Dilma Rousseff tem, segundo Corbellini, um sentido estratégico de construção de imagem, o que considera “perfeitamente natural”.

– Ela está se preparando para entrar na casa das pessoas. Sua intenção deve ser a de tirar a expressão de cansaço e tornar seu olhar mais visível ao eleitor – acredita o cientista político.

Se dentro de um processo político a melhora da aparência pode ser justificada, outras situações merecem igual ou maior cuidado na avaliação. Quem planeja uma intervenção plástica deve considerar tanto os objetivos A ministra Dilma Rousseff em sua primeira aparição, na segunda-feira passada, após o lifting facial como os motivos que o levarão a uma mesa de cirurgia.

O ponto de partida não pode ser a vaidade, salienta Ricardo Arnt, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Seção RS:

– É o desconforto com a imagem que deve impulsionar o desejo pelo procedimento, quando as pessoas sentem-se de um jeito e enxergam-se de outro. A motivação deve ser interna, e não externa.

Arnt argumenta que o que mais atrapalha a cirurgia de rejuvenescimento é o erro na medida da expectativa. Segundo ele, a intervenção estética pode atrasar os ponteiros, mas não faz parar o relógio. E o pior risco é o exagero. Ultimamente, muitos médicos tem recorrido a uma espécie de contrato denominado consentimento informado. O objetivo é alertar a respeito das propostas, dos objetivos e dos riscos da cirurgia, evitando frustrações no futuro.

– O documento não impede que o paciente tente processar o médico posteriormente, mas é uma bela maneira de deixar tudo mais claro, reduzindo as expectativas. É um pacto terapêutico – resume o médico. Quando a plástica é encarada com naturalidade, em busca de uma imagem melhor, impulsionada por motivos saudáveis, ela pode ser considerada uma solução.

– Assim como cortar o cabelo e cortar as unhas, remover o excesso de pele do rosto ou diminuir a quantidade de gordura do corpo pode ser um procedimento de beleza natural – explica a psicóloga Cristina Vieira Sá Copetti, da clínica Psicoplast, que acompanha pacientes antes e depois das cirurgias.

Cristina ainda lembra que nem só os tratamentos de rejuvenescimento são solicitados em prol de objetivos profissionais. Os corretivos, que alinham orelhas de abano ou suavizam narizes aduncos, também são bastante requisitados.

– Tive um paciente que gerenciava um grupo importante de profissionais e ficava desconfortável em falar durante as reuniões. Ele tinha o nariz muito grande e se sentia inseguro e desconfiado cada vez que precisava se pronunciar. Nesse caso, a cirurgia não era apenas indicada, mas necessária – conta.

A psicóloga lembra também que o desejo insaciável está muito distante da necessidade. Para ela, o erro está em procurar correções estéticas para preencher vazios que têm origem de outras naturezas. Profissionalmente, a discussão sobre o visual mais adequado é antiga. Exigir boa aparência em um anúncio de emprego é ato discriminatório – e ainda pode ser considerado ilegal. Mas não há analista de mercado com coragem suficiente de negar que a imagem, a boa imagem, é fator decisivo na seleção. Nem que seja em uma situação de desempate entre iguais competências.

– Há situações que valem para todos, como estar com um bom corte de cabelo, emagrecer e vestir-se bem. Esses detalhes podem render um upgrade profissional – alerta Ruben Souza, sócio-diretor da RSA Talentos Executivos, uma das maiores empresas de headhunting do Estado, acrescentando que se adequar aos padrões estéticos da organização é uma ótima forma de se sobressair.

Ainda assim, há situações discordantes. O consultor de seleção Gerson Correia, sócio da paulista Talent Solution, lembra que determinados cargos exigem um perfil maduro, que transmita credibilidade.

– Alguém de 40 anos que mantenha a aparência de 30 pode se sentir bem em ambientes sociais, mas é possível que sinta certo preconceito em situações que exijam uma maior formalidade. Essa pessoa provavelmente vai ter muito mais trabalho para mostrar a sua real experiência.

Colaboraram nesta reportagem: Janaina Kalsing e Maria Amélia Vargas.  

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna