Livro ensina o que toda mulher deveria saber sobre amor, sexo e atração

Autora americana lançou obra didática sobre comportamento das francesas

Obra escrita por Debra Olliver compartilha dicas de relacionamento
Obra escrita por Debra Olliver compartilha dicas de relacionamento Foto: Divulgação

Você já esteve em Paris? Não? Então, vá! Mas se estiver solteira e ficar caidinha por um francês, leia o livro O que as Mulheres Francesas Sabem Sobre Amor, Sexo e Atração, da norte-americana Debra Ollivier (Academia de Inteligência, 189 págs, R$ 20, em média).

Debra resistiu à tentação do aconselhamento barato e também não transformou a obra em um libelo feminista. O tom natural do texto aparece por meio de relatos bem-humorados das experiências da própria autora durante os 10 anos em que viveu na capital francesa. Estudou na Sorbonne, conheceu um francês, casou e teve dois filhos.

Dos sete capítulos do livro, o primeiro, intitulado Homens, é o que apresenta maior capacidade “didática”. Toda mulher deveria ler o trecho que explica a falta de uma expressão equivalente no francês a “o sexo oposto”. O motivo, segundo ela, é que, na França, os homens simplesmente não são “opostos”. Ao falar sobre as virtudes da mulher francesa, Debra define como fatalismo a tendência que elas têm em aceitar as contradições e imperfeições dos homens — com suas insolências, extravagâncias, teimosias e seduções.

Mas é a partir das teorias sobre a tensão sexual consentida — comportamento mais percebido e estranho à autora — que o livro esquenta. Explicar como a mulher francesa, mesmo comprometida, não só flerta com outros homens como permite que seu par também flerte é, no mínimo, um exercício de revisão de nossa própria maneira de viver.

A norte-americana Debra Ollivier é colaboradora do jornal Le Monde e publica artigos no jornal The Guardian e nas revistas Playboy e Harper’s. Atualmente, divide seu tempo entre Paris e Los Angeles, onde mora com a família. Nesta entrevista, concedida por e-mail, a escritora analisa as regras de relacionamento, a influência do feminismo de Simone de Beauvoir e elogia a mulher brasileira. Confira os principais trechos:

Donna – Depois de ler o seu livro, fica a impressão de que as mulheres francesas sabem tudo sobre relacionamentos. Elas são perfeitas?
Debra Ollivier – As mulheres francesas não sabem tudo sobre relacionamentos e não são perfeitas. De fato, em muitos aspectos, elas podem ser “perfeitas”. No entanto, as mulheres francesas tendem a não dar a mínima para muitas coisas que amarram as mulheres anglo-saxãs. Elas não gostam das regras de relacionamento e de valor da moeda emocional em um relacionamento. Conseguem viver sem estarem preocupadas com o “felizes para sempre”. Como (a escritora) Michelle Fitoussi certa vez disse — e cito-a porque isto é verdade —, as mulheres francesas têm um sentido apurado da brevidade do tempo e do imediatismo do prazer. Querem ter esta mentalidade em seus relacionamentos com os homens.

Donna – Em seu livro, a senhora afirma que as francesas são, muitas vezes, um pouco distantes. A senhora acredita que esta é uma característica das mulheres do continente europeu ou é exclusividade da França?
Debra – Na minha experiência, há uma certa reserva e uma distância que é especial nas mulheres francesas.

Donna – Chama a atenção o fato de, no livro, a senhora destacar a capacidade que as francesas têm em achar graça até quando seu par flerta com outra mulher. Isso é o sonho de qualquer homem…
Debra – Não estou certa de que seja o sonho de “todo” homem. Acho que alguns homens podem até se ofender com isso ou se sentirem ameaçados. Seria preciso escrever um livro explorando a psique e as preferências culturais dos homens para explorar esta questão!

Donna – Na sua opinião, o comportamento da mulher francesa sofreu influência de Simone de Beauvoir?
Debra — Eu não diria que as mulheres francesas têm “sofrido” sob a influência de Simone de Beauvoir. Pelo contrário. Ela incorporava uma mistura certa de realismo e romantismo que é característico das mulheres francesas. Ela deu carta branca para desafiar rígidas instituições sociais e dogmas. Simone de Beauvoir era — e continua a ser — uma luz de orientação para as mulheres francesas.

Donna – O que a senhora sabe sobre as mulheres brasileiras?
Debra — Não muito. Mas, para mim, parecem muito bonitas e sensuais!

Donna – O que, na prática, as mulheres podem aprender com as francesas?
Debra — Eu acho que as mulheres podem aprender a mistura de realismo e romantismo que mencionei acima. Acho que as mulheres também podem aprender a combinar beleza e inteligência. Podem olhar para o feminismo e as diferenças entre homens e mulheres com uma luz nova (com menos estridência). Podem aprender a arte de não dar a mínima (que é talvez algo que as mulheres brasileiras já saibam! A propósito: onde está o livro sobre elas?) 

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