Livro fala sobre a crise feminina dos 30 anos e encrencas com o sexo oposto

Débora Alves lança livro quase autobiográfico sobre suas impressões em blog

Pouco antes de completar 30 anos, a gaúcha Débora Alves achou que precisava extravasar todas as delícias e angústias que lhe habitavam o peito inquieto e a mente debochada. Encrencas com o sexo oposto, tristezas existenciais, loucuras adolescentes, a vontade de ter cinco filhos, “todos de uma vez”.

Coisas que a maioria de nós escreve em um caderninho e só volta a ler numa arrumação de gaveta, Débora publicou em um blog e, hoje, verá suas histórias apresentadas pela primeira vez em um livro: Tenho 30, e daí?.

O livro é uma compilação de alguns textos de seu diário virtual (criado em 2008), como no capítulo Homem de trinta: Caracas! Como uma mulher de 30 é mal compreendida! Pelo amor de Deus! Será que esses seres masculinos não pensam nisso? Será que é tão difícil atentar para as peripécias femininas? ( ) Como vocês sabem, ter 30 anos implica uma série de coisas, não somente os famosos iniciais “pés de galinha”, mas numa constante busca do verdadeiro eu.

Há também histórias inéditas. Algumas vividas pela própria escritora; outras, por amigos.

? Eles me vinham contar situações ótimas e diziam: bota lá no teu blog, mas seja discreta; não diz que fui eu ? diverte-se a autora que, aos 33 anos, já sonha em continuar a saga das mulheres aos 40 e aos 50 anos. A blogueira também estuda transformar o título do livro/blog em marca de camisetas ou canecas.


Tenho 30, e daí?
De Débora Alves.
Editora Thesaurus, 149 páginas. Preço médio: R$ 30.

A exemplo de outras blogueiras que começaram no mundo virtual e passaram suas histórias para a telona, Débora também gostaria de transformar sua criação em filme. E conta que até foi incentivada por um diretor de teatro de Brasília a converter o livro em uma peça teatral.

? Ele disse enxergar muitas cenas prontas ? revela, orgulhosa, a blogueira que se acostumou a escrever de madrugada, quando chega do trabalho ou das baladas que passou a frequentar desde que chegou a Brasília, em 2008. Na época, Débora só pensava em voltar para o Sul e as baladas foram seu escape.

? Detestei isso aqui. Para mim, Brasília pareceu ter mais mato que Vacaria (RS) ? relembra, citando sua cidade natal.

A antipatia só começou a ceder meses depois, quando a blogueira começou a fazer amigos e a vivenciar suas histórias na capital.

? Aí, acabei apaixonada ? derrama-se a escritora que, ao discorrer de forma quase confessional sobre as questões emocionais e sexuais das mulheres da nova geração, consegue extrair do leitor ? seja homem ou mulher ? sorrisos cúmplices, tanto em seu diário virtual como em sua primeira investida literária. Na internet, acesse o blog de Débora: tenhotrintaedai.blogspot.com.

TRÊS PERGUNTAS PARA A ESCRITORA

No livro, você diz se considerar ultramoderna, ultrassensível, mas também um tanto quanto desequilibrada. O que você onsidera mais difícil na relação entre mulheres de 30 e o sexo masculino: os homens ou as próprias mulheres dessa fase?
? Nessa idade cada um já está meio estabelecido e é difícil abrir mão para viver junto. Mudar pelo outro, para se adaptar ao outro, é algo quase impossível. Você não aceita mais qualquer coisa. Eu tiro por mim, me tornei mais egoísta.

Alguns blogs já se tornaram famosos e alguns até viraram filme. Você criou o Tenho 30, e daí? pensando em amplificá-lo, torná-lo livro ou vê-lo virar filme?
? Com certeza. Fiz o blog já pensando e sonhando com isso. E, inclusive, acho que se eu me aprofundar, correr atrás, consigo transformá-lo. E quando enxergo a atriz (para fazer seu papel) imagino alguém meio gordinha, pra ficar mais engraçado e real.

Quais são blogs prediletos? Você lê bastante? O que há na sua cabeceira?
? Acesso muito os blogs estalodrops (estalodrops.blogspot.com) e o mulheres reais (mulheresreais.blog.br), das atrizes que fizeram a peça Confissões de mulheres de 30. Leio muito, sim. De matemática à sociologia. E adoro ficção. Atualmente, estou lendo Os homens que não amavam as mulheres (de Stieg Larsson ).

Trecho do conto Nada muda, a não ser o endereço.

( ) Odeio, odeio e odeio levar bolo. É uma falta de consideração, mas pelo visto apenas nós “menininhas” é que sentimos isso ou nos injuriamos com essas atitudes, porque para eles é super normal. Normal? Que ódio! Onde há normalidade nisso? Pra começar, ficamos horas nos produzindo, derrubando todas as roupas do armário, experimentando todas as cores de gloss, de saltos, de bolsas, sem contar as inúmeras horas fazendo experimentos da melhor comida para se jantar a dois à luz de velas, a dois sem de fato ser um dois, não sei se me entendem? Para que no final um cretino desses não apareça. Não!! Isso não entra na minha cabeça. Será que suas mães não lhe ensinaram nada? Sobre como agradar uma mulher? Será que não aprenderam nada com seus pais? Ou será que não estão nem aí, que se foda? Devem pensar que mulher têm aos montes mesmo. ( )

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna