Livro que ensina meninas de seis anos a perder peso causa polêmica na Grã-Bretanha

"Maggie está de dieta" chegará em outubro às lojas do Reino Unido

A capa polêmica de "Maggie está de dieta"
A capa polêmica de "Maggie está de dieta" Foto: Divulgação

Você quer convencer sua filha a não comer tanto? Então dê a ela Maggie Está de Dieta, um livro infantil que tem como alvo – segundo a Barnes & Noble, uma das muitas livrarias britânicas cujos sites ostentam a obra – crianças de seis a 12 anos. Mas alguém acha que essa é uma boa ideia? O livro foi escrito e publicado de forma independente por Paul Kramer, autor radicado no Havaí, cujos títulos anteriores incluem Não Tenha Medo de Molhar a Cama, no qual a pequena Cynthia “espanta o monstro do xixi” e Louie e a Lagosta Monstro, em que um crustáceo criminoso recebe sua punição.

O livro conta a história de Maggie, 14 anos, que, de acordo com a sinopse, “transforma-se de uma adolescente acima do peso e insegura em uma garota de tamanho normal que vira a líder do time de futebol da escola”.

A obra não será lançada até outubro, mas a imagem da capa é tão inquietante que talvez possamos, nesse caso, nos permitir julgar o livro por ela. Maggie é retratada como uma menina gordinha, com um rabo de cavalo, vestindo um macacão que não a valoriza (ninguém disse a ela que listras laterais não favorecem quando você tem alguns quilos a mais?), olhando-se no espelho, possivelmente sonhando em ficar mais magra para poder vestir o minúsculo vestido de baile cor-de-rosa que ela aperta contra o peito.

A reportagem tentou contatar Kramer, mas ele não estava disponível para comentar. No blog de livros infantis Treasurylands, um leitor diz nos comentários: “Não é nem um pouco apropriado para a faixa etária a que se propõe”, e expressões como “fascismo corporal” e “provoque neurose em seu filho” foram adicionadas à descrição do livro na loja virtual Amazon.com.

Talvez no Havaí seja perfeitamente aceitável ler um livro para a sua influenciável filha de seis anos sobre uma garota adolescente na idade em que as garotas são mais propensas a desenvolver anorexia. É presumível que Kramer tenha escrito o livro com a melhor das intenções – como um meio para falar da crise americana de obesidade infantil. Mas pouco depois de o Conselho de Publicidade britânico ter proibido o site Zazzle de vender camisetas infantis com o slogan Nothing Tastes As Good As Skinny Feels (algo como “Nada tem um gosto tão bom quanto sentir-se magra”), popularizado em 2009 pela modelo Kate Moss e tido como pró-anorexia, parece bizarro ouvir que esse livro chegará às prateleiras no país.

Texto originalmente publicado no The Guardian. Tradução: Fernanda Grabauska

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