Livro reúne 435 fotos antológicas da agência Magnum

"Magnum - Contatos" será lançado nesta terça-feira no Brasil

Fotógrafo Robert Capa tem várias de suas fotos no livro
Fotógrafo Robert Capa tem várias de suas fotos no livro Foto: Ver Descrição

É o registro do fim de uma forma inevitável de trabalho para os fotógrafos da mais celebrada agência de fotojornalistas do mundo, mas não se poderia desejar um epitáfio melhor. Antes que as câmeras digitais começassem a circular pelo mundo, as folhas de contato como registro das imagens capturadas pelos profissionais da Magnum constituíam não só a primeira impressão que tinham de seu trabalho. Elas eram a própria visão do processo criativo desses fotógrafos, como lembra a organizadora do livro Magnum – Contatos, Kristen Lubben, curadora do International Center of Photography de Nova York (ICP).

Publicado na Alemanha, França, Inglaterra e EUA, o livro será lançado nesta terça-feira no Brasil. Ele traz 139 folhas de contato de 69 fotógrafos da agência, reunindo 435 antológicas imagens registradas nos últimos 70 anos. Publicado pelo IMS, o livro, organizado de forma cronológica, traz desde os pioneiros fundadores da agência, como Henri Cartier-Bresson (1908-2004) e Robert Capa (1913-1954), até a última geração da Magnum (Alessandra Sanguinetti, Alec Soth), passando pelos veteranos Raymond Depardon e Thomas Hoepker, autor da mais polêmica foto dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

O valor histórico dessas fotos levou à escolha da curadora do ICP para editar o livro, motivada pela ligação estreita de seus projetos anteriores com o tema, um com Susan Meiselas (History) e outro sobre o processo de edição e circulação de imagens (Amelia Earhart: Image and Icon). Com a ajuda do inglês Martin Parr, da Magnum e presente no livro, a curadora Kristen Lubben fez com ele o esboço da edição em Paris. Não por nostalgia, mas para marcar o “epitáfio” da folha de contato, elegeram como modelo da capa do livro a caixa da Kodak que os fotógrafos usavam para guardar o material. Justamente no dia em que anunciaram a falência da companhia, abriu-se a exposição associada ao livro.

Pense numa foto histórica marcante e ela certamente está entre as 435 imagens do livro, do desembarque na Normandia, em 1944, registrado pelo húngaro Robert Capa, à guerra do Afeganistão vista pelo fotógrafo iraniano Abbas, veterano que cobriu a Revolução Islâmica. Personagens históricos como Che Guevara (fotografado pelo suíço René Burri em 1963) e Martin Luther King, clicado pelo norte-americano Leonard Freed (1929-2006), surgem ao lado de imagens insólitas como a de monges budistas rezando diante da rocha dourada de Kyaiktiyo, na Birmânia, que se equilibra num precipício não se sabe como. Ela exigiu do fotógrafo japonês Hiroji Kubota uma viagem num trem superlotado que partia de Rangun para um lugar onde estrangeiros costumam ser sequestrados.

Até 2000, os fotógrafos interessados em entrar na Magnum precisavam mostrar folhas de seus contatos, além das cópias acabadas. Estabelecida em 1947 como uma cooperativa, ela gerou um modelo de trabalho no qual os contatos tinham um papel fundamental. Eles revelavam como os fotógrafos “pensavam”, segundo o veterano John Morris, 98 anos, ex-editor executivo da agência.

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