Luis Fernando Verissimo: Dietas

Foto: Mauro Vieira

As dietas para emagrecer ocupam uma zona crepuscular entre a medicina e a charlatanice tolerada, e nenhuma das duas dá resultado. As dietas entram e saem de moda como os vestidos e as filosofias. Só existe um meio infalível de emagrecer, comer menos. Mas quem sugere isto ouve logo a resposta:
– Também não vamos radicalizar.

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Volta e meia aparece um novo livro com um novo método para emagrecer.
– Estou fazendo dieta pelo método lunar. Você só come quando a Lua estiver no quarto crescente.
– Eu nunca sei qual é o quarto crescente e qual é o quarto minguante.
– Eu também não. Por via das dúvidas, como nos dois quartos e na Lua cheia.
– E já deu resultado?
– Ainda não.

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– A minha dieta é de líquidos. Durante um mês, só se ingere líquidos. Qualquer líquido. Eu escolhi o chope. Só estou tomando chope.
– E linguicinha, esses pasteizinhos, esse amendoim?
– É pra dar sede.

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– Descobri uma nova dieta formidável. A gente come tudo que quiser nos meses que têm um “o” e come o mínimo possível nos meses que não têm “o”.
– Mas espera aí. O único mês que não tem “o” é abril.
– Pois é. Não é formidável?

COISAS BRASILEIRAS

Uma característica brasileira é o insulto carinhoso. O brasileiro é expansivo mas tem um certo pudor dos seus sentimentos. Por isso apela para o insulto:
– Seu filho da mãe!
– Seu cafajeste! São dois amigos que se encontram.

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Entre as mulheres, é menos comum. Os homens é que disfarçam seus arroubos afetivos com a agressividade. Se abraçam com fúria. Os tapas nas costas – outra instituição brasileira – chegam ao limite entre a cordialidade e a costela partida. Os homens se amam, mas peralá. Ninguém é veado. Quanto maior a amizade, maior a agressão. E você pode ter certeza que dois brasileiros são íntimos quando põem a mãe no meio. A mãe é o último tabu brasileiro. Você só insulta a mãe do seu melhor amigo.
– Tua mãe continua na zona?
– Aprendendo tudo com a tua.
– Dá cá um abraço!
E vem os tapas nas costas. As mulheres se beijam. Os homens se demolem.

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Outra característica brasileira é a falsa modéstia.
– Como é que vamos?
– Aí. Remando…
– Trabalhando muito?
– Enganando o eleitorado.
– Mas você está ficando rico!
– Quié isso. Correndo atrás.
– E as mulheres?
– Nem sei o que é isso.
– Vem com essa. Eu sei que você é fogo.
– Não sou mais de nada. É a velhice.
– Mas como? Flor da idade.
– A flor murchou.
Como a modéstia é esperada, há o entendimento tácito de que a verdade é o oposto do dito: ele está cheio de dinheiro e continua um garanhão. Ou então está sendo modesto para que você pense que a verdade é o oposto, quando não é. Ou então… Enfim, são códigos complicados.

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