Luta pela detecção do câncer de mama ganha mais um aliado

Novo tipo de mamógrafo proporciona diagnósticos mais precisos

Mamógrafo digital surge como opção mais vantajosa para detecção do câncer de mama
Mamógrafo digital surge como opção mais vantajosa para detecção do câncer de mama Foto: Divulgação

As estatísticas emolduram um cenário em que prevenção e tecnologia são palavras de ordem. Na luta para detecção do câncer de mama, o mamógrafo digital, que proporciona diagnósticos mais precisos que o método convencional, sai em vantagem em diversos quesitos: resultados mais rápidos, menor exposição à radiação, melhor qualidade da imagem, que tem maior nitidez e contraste, permitindo ampliar minúsculas microcalcificações malignas. Até mesmo no quesito desconforto a tecnologia digital oferece vantagens, pois a pressão das chapas contra a mama é um pouco menor e mais rápida.

– As possibilidades das técnicas digitais são muitas. O exame, em vez de ser impresso, é guardado como um arquivo de computador. Com isso, ele pode ser alterado digitalmente para facilitar o diagnóstico – explica a médica doutora em radiologia Janice Lamas.

Por exemplo, pode-se aumentar ou diminuir o brilho da imagem, mexer no contraste para distinguir com mais precisão a pele e as possíveis calcificações e aumentar em até 400% a imagem com o zoom digital.

– Em uma mamografia convencional, pequenas calcificações poderiam passar despercebidas. Mulheres mais jovens, antes da menopausa ou em uso de terapêutica hormonal apresentam, normalmente, mamas assim. Característica que dificulta a análise no método analógico – comenta Janice.

Estudos comprovaram que o exame digital tem mais sensibilidade para mulheres com as mamas densas ou heterogêneas, com menos de 50 anos e nas perimenopáusicas (aquelas que estão na fase de transição entre a menstruação regular e a menopausa). Apesar das vantagens, a tecnologia não está disponível no sistema público de saúde, e ainda são poucas as clínicas particulares que têm os aparelhos. Segundo o ginecologista Luciano Gois, a qualidade superior dos mamógrafos digitais é incontestável, mas o alto custo desses aparelhos ainda impossibilita a implantação em hospitais públicos.

Segundo o médico, a média indicada é de um mamógrafo para cada 200 mil habitantes, e a digitalização do sistema seria uma provável solução para a melhora no atendimento às pacientes.

– As falhas no sistema levam a diagnósticos tardios e elevam os índices de mortalidade – lamenta Gois.

Auto-exame não é suficiente

No Brasil, segundo o mastologista João Bosco Lucena, dois terços dos cânceres de mama são diagnosticados em fase avançada.

– O auto-exame da mama apenas detecta nódulos com mais de um centímetro, em estágio bem avançado. Ele acaba sendo usado como desculpa para muitas mulheres não fazerem a mamografia – diz o médico.

Para João Bosco, as mulheres se auto-examinam, não detectam nenhum nódulo e acham que está tudo bem.

– Com a mamografia, podemos detectar cânceres com um décimo de milímetro e poupar a pessoa de grandes intervenções cirúrgicas, mastectomia (amputação do seio) e quimioterapia, por exemplo.

O especialista exemplifica que, em países como a Suécia, o auto-exame não é difundido, e as mulheres fazem mamografia e ecografias todo ano.

– O ideal é que, a partir dos 35 anos, todas as mulheres façam esses exames anualmente. Nas que têm casos de câncer de mama na família, os exames devem começar já aos 30 – adverte.

Para Raquel Varela, 48 anos, a tecnologia foi uma grande aliada.

– Percebia alguns nódulos, sempre diagnosticados como benignos. Em 2005, um novo nódulo encontrado em uma mamografia digital chamou a atenção dos médicos. A biópsia confirmou o câncer. Perdi meu chão naquele momento, mas fiquei grata pelo diagnóstico precoce – conta.

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